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CIRURGIA
MEAC oferece o primeiro tratamento gratuito multidisciplinar da endometriose profunda no Ceará
A equipe de profissionais é composta por ginecologista, coloproctologista, urologista, enfermeiro e fisioterapeuta, que contam também com psicólogo e psiquiatra em casos mais específicos.
Publicado em
15/09/2015 08h48
Atualizado em
23/02/2016 15h22
A cirurgia realizada na MEAC é videolaparoscópica. Com equipamentos de última geração, é minimamente invasiva.(Foto: Sarah Serafim)
Desde os 14 anos, Maria Luiza* sentia fortes dores abdominais e tinha sangramento menstrual intenso, a ponto de passar dias sem conseguir andar. Hoje, aos 29, chega a completar 10km nas corridas de rua que participa. O que mudou na sua vida de um ano pra cá foi o diagnóstico preciso e o tratamento adequado de uma endometriose profunda, doença ainda cercada de tabus, mas com grandes avanços na medicina.
Estima-se que 1 em cada 10 brasileiras tenham endometriose. Muitas delas só descobrem a doença quando associam as dores à dificuldade de engravidar. A endometriose é caracterizada por nódulos grandes, causados por menstruação retrógrada, que não desce totalmente, mas volta para as trompas. Quando esse fluxo ultrapassa o útero, chegando a atingir o intestino ou a bexiga, por exemplo, é chamada de profunda. Em Fortaleza, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, oferece o primeiro serviço gratuito no Ceará de atendimento multidisciplinar para tratamento da endometriose profunda.
A equipe de profissionais é composta por ginecologista, coloproctologista, urologista, enfermeiro e fisioterapeuta, que contam também com psicólogo e psiquiatra em casos mais específicos. A endometriose profunda não tem causa definida. “É provável que seja multifatorial, incluindo fatores genéticos com possíveis influências imunológicas”, explica Kathiane Lustosa, ginecologista do Setor de Endometriose da MEAC.
“Além da dor, que chega a ser incapacitante, a endometriose afeta diretamente a rotina da mulher. E no caso da endometriose profunda, como chega a atingir outros órgãos, não só os genitais, o apoio de especialistas de outras áreas é necessário”, explica Leonardo Bezerra, professor de Ginecologia e Obstetrícia da UFC. Após avaliações padronizadas clínicas e terapêuticas da paciente antes e depois do tratamento, vê-se o ótimo resultado do tratamento. “Antes cerca de 40% das mulheres operadas voltavam a ter focos de endometriose. Com o novo método, a reincidência caiu para 5%”, completa.
A cirurgia realizada na MEAC é videolaparoscópica. Com equipamentos de última geração, é minimamente invasiva. A câmera entra pelo umbigo e, com duas pequenas incisões laterais, os cirurgiões operam, visualizando tudo por dois monitores full HD. De alta precisão, esse procedimento preserva nervos, vasos e vias urinárias, pois corta e cauteriza com energia ultrassônica, atingindo as menores áreas necessárias. “Com esses equipamentos as cirurgias são muito mais rápidas e a recuperação bem mais tranquila”, completa Dr. Leonardo.
Para preparar melhor os profissionais, foi firmada uma parceria com a empresa fornecedora dos equipamentos, que montou um laboratório de simulação das cirurgias para treinamento. Assim, as práticas são realizadas ainda na residência médica em ginecologia em simuladores, garantindo o máximo desempenho nas cirurgias reais. A videolaparoscopia é tanto o diagnóstico quanto o tratamento. Os outros exames apenas sugerem, enquanto que na laparoscopia se realiza a biópsia, que possibilita o diagnóstico preciso.
A fisioterapia complementa o tratamento porque a endometriose leva a alterações músculo-esqueléticas, causando muita dor e tensão, mesmo após a cirurgia. “É o mesmo mecanismo da dor do membro amputado, quando a paciente tem uma memória da dor mesmo após a remoção da causa”, explica Simony Lira, fisioterapeuta da MEAC. Ela afirma que o ideal é começar a fisioterapia no mês seguinte à cirurgia e que o tempo de tratamento, em geral, é de 3 meses, podendo ser prolongado. Recursos como a eletroestimulação, reeducação postural e da função dos músculos da região pélvica são os mais utilizados pela equipe de fisioterapia. Além disso, algumas medicações, também subsidiadas pelo Governo, são administradas por até 9 meses.
A vendedora Vanessa Nascimento, de 33 anos, passou por cirurgia há 5 meses e já está se preparando para engravidar. “Sofri a vida inteira com dores tão fortes, que cheguei a desmaiar no trabalho”, lembra. Foi uma cliente quem lhe comentou que na MEAC o tratamento, muito caro na rede particular, era coberto pelo SUS. Há um mês, Vanessa menstruou sem sentir dor pela primeira vez “Nunca tinha sido tão bem atendida, me senti muito segura, sou extremamente grata a toda a equipe”, afirmou.
O setor de endometriose e cirurgia minimamente invasiva da MEAC realiza de 30 a 40 atendimentos ambulatoriais por semana e de 12 a 15 cirurgias de alta complexidade por mês. Conheça o atendimento às pacientes com endometriose profunda na MEAC:
1) A paciente chega à MEAC encaminhada por uma Unidade Básica de Saúde, com sintomas de dor crônica e suspeita de endometriose.
2) Na MEAC, é avaliada por um ginecologista.
3) Passa por uma ultrassonografia transvaginal específica, para mapeamento da endometriose.
4) Caso seja diagnosticada lesão intestinal no ultrassom, será avaliada também por um coloproctologista, que programa a cirurgia. E, no caso de lesão de bexiga, por um urologista.
5) Agenda-se a cirurgia com o ginecologista, o proctologista e, caso tenha problemas no trato urinário, com o urologista.
6) A paciente é operada.
7) Recebe o acompanhamento pós –cirúrgico de um fisioterapeuta e medicações de alto custo, subsidiadas pelo Governo.
*Maria Luiza é o nome fictício de uma paciente em tratamento na MEAC. Sua identidade foi preservada a seu pedido, porque teme perder o emprego, afirmando que lá não admitem funcionárias com endometriose.
15/09/2015