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ALTA COMPLEXIDADE
HU volta a realizar cirurgia para tratar doenças raras na hipófise
O procedimento foi realizado no dia 16 de agosto em um paciente com diagnóstico de acromegalia
O Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) volta a realizar a cirurgia hipofisária, procedimento de retirada parcial ou total de tumores na hipófise, glândula responsável pelo controle hormonal sistêmico no organismo humano. O procedimento foi realizado no dia 16 de agosto em um paciente com diagnóstico de acromegalia, popularmente conhecida como doença do gigantismo. O paciente, um homem natural de Fortaleza com 49 anos de idade, já recebeu alta hospitalar.
Dr. Manoel Martins, endocrinologista do hospital e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que, por ser um procedimento de alta complexidade, a cirurgia hipofisária requer equipe multidisciplinar, insumos e equipamentos específicos. “Você precisa ter uma equipe de neurocirurgia habilitada. Não basta ser um, mas sim dois neurocirurgiões. Além deles, um otorrinolaringologista experiente em intervenções cirúrgicas dessa natureza e o endocrinologista especialista em neuroendocrinologia, que tem o histórico clínico do paciente e o acompanha desde a primeira consulta. Por fim, o apoio subsidiário de exames laboratoriais e de imagem. Hoje, o HUWC consegue reunir todos esses múltiplos fatores”, explica.
Com a chegada dos neurocirurgiões Rodrigo Becco e Moysés Ponte e da otorrinolaringologista Erika Ferreira Gomes, contratados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e o apoio da gestão do hospital com a compra de insumos, foi possível realizar a cirurgia. Também participaram do procedimento as residentes Carla Antoniana e Ilana Marques, da Endocrinologia. “Foi a primeira vez que eu assisti a uma cirurgia dessa. É muito enriquecedor trocar experiências com outras especialidades e ainda vivenciar as intercorrências que podem acontecer durante o procedimento, o que nos permite indicar com segurança a conduta mais adequada para aquele paciente, sempre pensando na relação risco-benefício”, avalia Ilana.
Redução de custos
Até então apenas o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) fazia esse tipo de cirurgia na rede pública de saúde de forma sistematizada e com a complexidade de profissionais, insumos e equipamentos que ela exige. Além da ampliação do atendimento para a população em geral, a retomada desse tipo de procedimento cirúrgico no HUWC contribui para a redução do custo do tratamento de pacientes com tumores na hipófise. Segundo Dr. Manoel Martins, medicamentos para pacientes com acromegalia custam, em média, R$ 3 mil para o Sistema Único de Saúde (SUS) por mês. “Ou o paciente deixa de tomar remédio de alto custo depois da cirurgia ou, pelo menos, pode diminuir a quantidade ou a dosagem dessa medicação, reduzindo os custos para a saúde pública”, completa.
O HUWC é um dos dois maiores centros especializados no manejo de pacientes com tumores hipofisários no Ceará, ao lado do HGF. No HUWC, os pacientes encaminhados com suspeita ou diagnóstico de tumores hipofisários são inicialmente avaliados no Ambulatório de Neuroendocrinologia pela Dra. Ana Rosa Quidute e pelo Dr. Manoel Martins, ambos especialistas na área e professores da UFC. Após a avaliação clínica inicial, sendo confirmado o diagnóstico, é realizada a decisão de se iniciar tratamento com medicamentos, indicado em vários casos, ou pela cirurgia. Nesse segundo caso, o paciente é discutido em sessão multidisciplinar com as equipes da Neurocirurgia e da Otorrinolaringologia.
Com a reativação da cirurgia hipofisária no HUWC, será possível, a partir deste mês de setembro, realizar um procedimento desse a cada duas semanas. “Os pacientes com diabetes, com problemas na tireóide etc podem ser tratados num posto de saúde, mas se a pessoa com doença hipofisária não tiver acesso a um atendimento especializado, não haverá a menor possibilidade de o problema dela ser identificado e tratado com sucesso. Por isso, trabalhamos muito para estimular o diagnóstico. Treinamos e sensibilizamos os profissionais da atenção primária, para que referenciem para o atendimento especializado, principalmente agora que retomamos a cirurgia hipofisária”, reflete o Dr. Manoel Martins.
A cirurgia
A hipófise é a glândula-mãe. Então, ela comanda todas as outras, controla a tireoide, os testículos ou os ovários, as adrenais etc. Essa glândula fica na base do cérebro, atrás do nariz. Muito antigamente, lembra Dr. Manoel, a cirurgia hipofisária era transcraniana. Quebrava-se parte do crânio, afastava-se o cérebro, passava-se pelo nervo óptico (diretamente responsável pela visão) e se chegava à hipófise. Ou seja, uma cirurgia de alta complicação. Depois, ela passou a ser transesfenoidal com acesso pela gengiva do paciente. O seio esfenoidal é uma espécie de caixa de ar localizada na frente da hipófise, permitindo acesso mais direto à glândula.
A cirurgia feita no HU é transesfenoidal com acesso transnasal, com menos efeitos colaterais. O otorrinolaringologista faz o acesso pelo nariz, ultrapassa o seio esfenoidal e expõe a hipófise. Em seguida, entra o neurocirurgião. Assim, evitam-se intervenções no cérebro e no nervo óptico. Ao endocrinologista, fica a responsabilidade do acompanhamento pós-operatório e a longo prazo, munindo a equipe de informações sobre a evolução clínica do paciente e realizando a reposição de hormônios caso necessário. O tumor do paciente operado no HU tinha cerca de 3 cm de diâmetro, considerado grande. Caso ele não fosse operado a tempo, o tumor – além de comprimir a hipófise, aumentando a produção do hormônio do crescimento, fazendo crescer partes do corpo (nariz, língua, mandíbula etc) e embrutecendo as feições do paciente – poderia causar a perda total da visão, entre outras complicações.
Mas a cirurgia foi um sucesso. O zelador Dinaman Eduardo Ferreira, de 49 anos, recebeu alta no dia 31 de agosto. “Estamos muito satisfeitos com a atenção dada por toda a equipe. Meu irmão está ótimo”, disse a irmã de Dinaman, a dona de casa Maria Eduardo Ferreira da Silva, de 55 anos. Dinaman é deficiente auditivo. Ainda nesta semana, eles seguem para Barreiras, cidade do interior do Estado. “Ele só volta para a casinha dele, em Fortaleza, quando estiver novinho em folha”, completou a irmã, restando a Dinaman balançar a cabeça, concordando com a ordem em forma de carinho da irmã.
Jornalista responsável: Ludmila Wanbergna (MTB 1809 CE)
Unidade de Comunicação Social
Hospital Universitário Walter Cantídio
Complexo Hospitalar da UFC
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
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