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Enfermeiro do CH-UFC relata vivência na assistência ao povo Yanomami
Um grupo de 19 profissionais da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) atuou durante cerca de 20 dias em Roraima, auxiliando na assistência ao povo Yanomami. Eles também deram suporte na organização das informações hospitalares, na regulação interna e na gestão de leitos. Dentre os profissionais que participaram da ação humanitária, está o enfermeiro Max Djano Cordeiro Rufino. Ele integra a equipe da Maternidade Escola Assis ChateuBriand — do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), que é vinculado à Rede Ebserh — e já retornou ao trabalho em sua unidade hospitalar, em Fortaleza-CE. “O município de Boa Vista vivencia, de fato, uma crise sanitária e humanitária com impactos no Sistema de Saúde local. Durante a missão, desempenhamos ações junto ao Núcleo Interno de Regulação do Hospital da Criança Santo Antônio, que tem por objetivo promover equidade do acesso do usuário ao serviço de saúde, otimizar a ocupação hospitalar e subsidiar a gestão de leitos. Trata-se de um hospital infantil, atendendo inclusive crianças venezuelanas e de território indígena, no qual os profissionais do hospital criaram estratégias para atender as demandas assistenciais, observando as diversidades culturais, como por exemplo: substituir a cama hospitalar por redes, além de intérpretes para interlocução dos profissionais de saúde com os indígenas e adequação dos sistemas de registros de atendimento, visto que a população indígena não segue os ritos de registros formais civis”, relata o enfermeiro. O esforço solidário em Roraima envolveu ainda o envio de equipamentos médicos diversos, como hospitalares, carros de emergência hospitalar, maca clínica, monitores multiparâmetros e ventiladores pulmonares mecânicos. A atuação dos profissionais no Hospital Municipal da Criança ocorreu por meio de uma parceria entre a Ebserh, o Ministério da Saúde (MS) e a Prefeitura de Boa Vista/RR.
OUTROS DEPOIMENTOS DO ENFERMEIRO MAX DJANO
- “O que eu tive como lição são as readaptações, são as reinvenções que os profissionais têm de lidar diariamente, para poder assistir ao paciente, levando em consideração seu contexto cultural mesmo, quanto à alimentação, quanto à estrutura física, à climatização do ambiente. Gerir toda essa questão de leitos, considerando que o paciente vive uma outra realidade, não tem usualmente uma cama, pois os povos indígenas vivem muito em redes, em palhas, então eles têm que considerar isso, quando chegam ao local, pertencente ao processo de cuidado do paciente.
A gente tem a visão do que é científico, do que a gente estuda e acredita que o ideal seja aquilo, mas nem sempre o ideal que nós pensamos e planejamos seja o melhor para o paciente, no caso, essa experiência desmistificou muito essa minha ideia. O ideal para o paciente não era toda aquela estratégia que a gente vê em livros e, sim, considerar a sua cultura e a sua realidade”.
- “Eu achei também muito importante o hospital ter que dispor de um profissional intérprete, para que a comunicação entre o profissional de saúde e o paciente possa fluir, para que o processo de cuidar exista, para que a assistência aconteça. Também chamou minha atenção que os profissionais in loco tinham muito uma comunicação não verbal, o olho no olho com os povos indígenas, ou com os pacientes de forma geral, a comunicação não verbal no sentido do afeto, do amor mesmo ao próximo, a questão humanizada que eles tinham pelos pacientes”.
- “Voltei como um profissional mais maduro, até mesmo na minha vida pessoal, diante da situação e do cenário que vi, para ter mais empatia mesmo com o próximo. A gente às vezes acha que tem empatia, mas precisa ter muito mais”.
Saiba mais em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/comunicacao/noticias/historias-humanizacao-e-experiencias-marcam-acao-de-voluntariado-da-rede-ebserh-em-roraima.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.