Notícias
Enfermeiras adaptam coxins para prevenir lesões de pele e contribuem com a sustentabilidade do CH-UFC
As longas internações por Covid têm sido um desafio para todas as categorias profissionais que prestam assistência a estes pacientes. Uma das terapêuticas que vêm sendo adotadas para o manejo de infectados é a colocação deles em posição prona (decúbito ventral), capaz de melhorar seus parâmetros respiratórios. Para evitar lesões de pele, uma enfermeira da UTI Materna e uma estomaterapeuta da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh (CH-UFC), desenvolveram, com o apoio da Hotelaria, alguns coxins que podem ser higienizados e reutilizados, reduzindo o consumo de lençóis e cobertores, bem como os gastos com seu reprocessamento.
“Os coxins são confeccionados com colchão piramidal (“caixa de ovo”) e foram idealizados para serem colocados na cabeça, tórax, pelve e pernas, com o intuito de minimizar a pressão nessas áreas e manter o abdome livre, cuidado importante, sobretudo no caso de pacientes gestantes e que tiveram bebê há poucos dias”, explica Piedade Albuquerque, enfermeira-chefe da UTI Materna e co-autora do projeto, ao lado da enfermeira estomaterapeuta Raphaella de Paula.
A prona é uma manobra recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que facilita a abertura dos alvéolos pulmonares (diminuindo atelectasia) e proporciona melhores trocas gasosas, mas também apresenta riscos, já que o paciente precisa permanecer nessa posição por 16 a 20 horas ininterruptas. Uma dessas complicações é a lesão por pressão, que pode acometer, tanto áreas de proeminências ósseas, quanto áreas próximas a dispositivos médico-hospitalares. “Esse tipo de lesão geralmente causa dor e pode constituir fonte de infecção, prolongando tempo de internação e impactando nos custos hospitalares com seu tratamento”, complementa Raphaella de Paula.
Dessa forma, foi necessária a adoção de medidas preventivas, a fim de minimizar esses riscos e danos ao paciente, como uso de superfícies de suporte e coxins, para melhor posicionar/acomodar esses pacientes e tentar minimizar o trauma sobre as áreas submetidas à maior pressão nessa posição, como face, tórax, pelve, joelhos e dedos dos pés.
Ainda no ano passado, iniciou-se um processo para aquisição de coxins específicos, para o complexo hospitalar da UFC, a fim de proporcionar um melhor posicionamento e acomodação dos pacientes nesse decúbito, porém a crise na produção e fornecimento de matéria-prima provocada pela pandemia têm dificultado a aquisição. Diante disso, no início do mês de março deste ano, as duas enfermeiras e mais duas profissionais da hotelaria da Maternidade Maria Lindomar Mendes e Randiele Lopes de Almeida, desenvolveram os protótipos das peças e iniciaram os testes de uso.
O kit de coxins atendeu às expectativas. Por ser higienizável, pode ser reutilizado muitas vezes e substitui de 10 a 12 lençois utilizados no procedimento tradicional. Agora, a equipe está desenvolvendo moldes e um manual de confecção para disponibilizar a outros hospitais, começando pelo Hospital Universitário Walter Cantídio, que também compõe o CH-UFC.
Capacete Elmo
Recentemente, o Complexo Hospitalar foi contemplando com algumas unidades do capacete Elmo, fornecidos pela reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), para auxiliar no tratamento dos pacientes diagnosticados com Covid-19, já que tal dispositivo é capaz de melhorar o índice de oxigenação no sangue desses pacientes e evitar possíveis intubações nos casos mais graves da doença. Para seu perfeito funcionamento, o capacete precisa estar bem ajustado ao pescoço do paciente por meio de alças que devem passar pela região axilar.
Contudo, com o uso prolongado e a pressão exercida pelo dispositivo, essa área corporal fica sujeita ao desenvolvimento de lesões cutâneas, que podem ser muito incômodas e levar a complicações nesses pacientes. Pensando em proporcionar uma assistência mais segura, minimizando esses danos aos pacientes, a mesma equipe que desenvolveu os coxins para prona pensou também em coxins acolchoados e reutilizáveis para serem usados nesses pacientes, proporcionando maior conforto durante o tempo necessário à terapêutica. Os coxins ainda estão em fase de teste, mas as colaboradoras acreditam que poderão ser úteis na prevenção dessas lesões.