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NOVEMBRO AZUL
Médicos do Humap falam sobre os cuidados da saúde dos homens
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, causando cerca de 14 mil mortes por ano. As principais vítimas são homens a partir dos 50 anos. Este número poderia ser reduzido se os homens realizassem exames preventivos anualmente. No entanto, o preconceito ainda é uma grande barreira. Para conscientizar a população sobre a necessidade de se cuidar foi criado o Novembro Azul, que é um movimento mundial durante o mês de novembro para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata.
Para esclarecer mais sobre o mês de conscientização e a saúde do homem, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS) entrevistou o médico João Juveniz, especialista em Urologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), professor-doutor e Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Secção MS, e profissional do Humap.
“O novembro azul iniciou há muito tempo, mais relacionado a doenças da próstata. No entanto, conseguimos ampliar essa campanha e hoje em dia ela está relacionada à saúde do homem no geral. É importante ter hábitos de vida saudáveis, prevenir a obesidade, reduzir o consumo de álcool e tabaco, realizar atividades físicas, evitar o sedentarismo. Isso tudo está relacionado a uma melhor qualidade de vida e também a um aumento da expectativa de vida”, explica.
O médico afirma que as mudanças no mundo e no padrão de vida da população afetam diretamente a saúde. “O aquecimento global e o cotidiano muito mais corrido afetam a saúde. As pessoas têm menos tempo para atividades físicas, menos tempo para uma alimentação saudável, trabalha-se bastante, chega-se em casa cansado, não se consegue fazer uma atividade regular, ocasionando o aumento de peso, sedentarismo, aumento do consumo de bebida alcoólica e dietas não-regradas, como aumento de consumo de gordura animal. A causa mais comum de morte são doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Isso está relacionado diretamente a hábitos de vida não-regrados. Aumentando a chance de hipertensão, problemas cardíacos. Há 40 anos a expectativa de vida era de 50 anos, hoje a expectativa é de 77 anos, ou seja, temos vivido mais e isso traz algumas mudanças no padrão de doenças que afetam essa idade”.
O aumento da expectativa de vida está relacionado com maiores chances de desenvolver câncer de próstata ou problemas benignos de próstata porque esse órgão faz parte do sistema geniturinário (que produz a secreção que ajuda na fecundação). A próstata é sensível a esse hormônio masculino, que é produzido todos os dias. Ou seja, quanto mais idade, mais tempo produzindo esse hormônio, aumentando assim as chances de ter problemas de próstata.
Dr. João esclarece que a próstata pode causar três problemas: infecção (prostatite), aumento da próstata (hiperplasia) e câncer. Essas três doenças alteram o PSA (exame de sangue). “Por isso é tão importante realizar os exames preventivos: o PSA e o exame físico, que é o toque retal, realizado pelo próprio médico em ambiente de consultório. A partir de uma anamnese, com uma consulta médica, com o PSA e com o toque, o médico consegue fazer o preventivo da próstata. Ele consegue verificar se tem alguma alteração desta próstata, que será investigada se houver alguma alteração".
Quem deve fazer o exame?
Todos os homens a partir dos 45 a 50 anos devem fazer. Os homens que têm fatores de pré-disposição (negros, obesos, sedentários, com histórico familiar da doença) devem começar os exames preventivos a partir dos 40 anos.
Quais são os sintomas?
O mais comum é o aumento da porção interna da próstata (hiperplasia prostática benigna), que pode obstruir o canal da uretra, causando dificuldade para urinar, jato urinário entrecortado, gotejamento, jato fino, acordar várias vezes durante a noite para urinar e urgência em urinar. Estes são alguns dos sintomas do aumento do órgão. “O câncer de próstata aparece na cápsula da próstata, portanto, não tem sintomas em sua fase inicial, ou seja, 95% dos pacientes com câncer de próstata que têm sintomas é porque a doença já está avançada”, esclarece o Dr João.
Como proceder se o exame apontar câncer?
Primeiramente é avaliado em que local está o câncer: se está só na próstata, se está ao redor dela, se está distante da próstata ou se existe metástase (outros locais afetados). "Quando a doença está restrita à próstata e é realizado o tratamento cerca de 90% tem cura. Esse tratamento é através de cirurgia ou radioterapia. Em casos mais avançados, são utilizados outros medicamentos associados”, diz o especialista.
Onde procurar ajuda?
Basta procurar uma unidade básica ou posto de saúde para realizar os exames de PSA gratuitamente e, se houver alteração, o médico irá encaminhar para um urologista, que geralmente fica em uma unidade secundária ou terciária para realizar os exames mais específicos.
Consequências da retirada da próstata
A retirada é feita através de procedimento cirúrgico ou, em alguns casos, com radioterapia. As principais consequências são a incontinência urinária e a impotência sexual.
Procedimentos e recuperação
Hoje em dia as técnicas avançaram bastante. O paciente consegue operar, fazer tratamento, reabilitação e se recuperar com facilidade. Quando se realiza uma cirurgia com boa preservação da parte nervosa e o paciente faz um bom controle pós-operatório, com exames e fisioterapia, as funções da próstata são recuperadas. “Existem técnicas mais atuais que tratam apenas a parte do nódulo, mas depende muito da agressividade do tumor. Normalmente são tumores menos agressivos, bem localizados, onde são feitas terapias focais, que realizam uma espécie de queima desse tumor (ablação local)”, esclarece o Dr, João.
A cirurgia é feita através de um corte umbilical (corte de 8 cm), retira-se a próstata e coloca-se a bexiga em contato total com a uretra. O paciente fica internado no máximo até três dias e usa uma sonda durante 10 dias.
Números
São realizadas no Humap-UFMS, em média, quatro cirurgias de próstata semanalmente, ou seja, cerca de 200 por ano. Este número poderia ser bem menor caso os homens realizassem os exames preventivos.
Humap-UFMS promove palestra sobre o tema para seus colaboradores
Em comemoração ao Novembro Azul, o Humap-UFMS promoveu no dia 21/11 a palestra "Vergonha é ter preconceito. Cuide-se!", ministrada pelo oncologista Eric Rulli Meneses para os colaboradores do hospital. Dr Eric é membro titular da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), associado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva (Sobracil) e integrante do quadro de profissionais do Humap.
Durante o evento, ele abordou a importância dos cuidados, realização de exames periódicos e as consequências do câncer de próstata. “O Novembro Azul é a oportunidade de alertar os homens sobre os cuidados com sua saúde. É essencial o diagnóstico precoce. O câncer de próstata tem cura e está relacionado ao diagnóstico precoce. O que justamente não queremos é receber um paciente acometido pelo câncer por falta de prevenção ou por preconceito de realizar um exame tão simples”, salienta.
Após a exposição, o profissional respondeu ao questionamento dos participantes, que também receberam material informativo sobre o tema.
“Não podemos banalizar esses cuidados com nossa saúde. Muitas vezes as consequências são muito graves para a vida por negligenciarmos os hábitos de vida saudável ou vergonha de realizar os exames”, afirma o superintendente do Humap-UFMS, Cláudio César da Silva, que estava presente na palestra.
Sobre a Rede Hospitalar Ebserh
O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.