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HUMAP realiza primeira trombólise em paciente com AVC
Da esquerda para a direita: Dra Patrícia de Fátima Zanatta Ribeiro Alves Gonçalves, Dra Renata London (plantonistas do PAM), Dr Gabriel Braga (neurologista), Dra Lilian Yatiyo Nakagawa Dittmar e Dra Beatriz Longo Bortoletto (residentes da Clínica Médica)
Na semana passada (01/03) a equipe do Ambulatório Neurovascular do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (HUMAP-UFMS) realizou o primeiro tratamento clínico de trombólise em um paciente com Acidente Vascular Cerebral (AVC) Isquêmico.
“Consideramos este tratamento clínico muito importante porque demonstra a viabilidade dessa terapia e estabelece a possibilidade de estruturamos uma rede assistencial ao acidente vascular cerebral”, afirma o neurologista responsável pelo Ambulatório Neurovascular do HUMAP-UFMS, Gabriel Pereira Braga.
A trombólise é uma das modalidades de revascularização cerebral que se aplicam para o tratamento do AVC isquêmico. Neste tipo de AVC uma artéria é obstruída por um trombo ou coágulo, impedindo o fluxo sanguíneo e, caso nada seja feito, leva à morte de parte do cérebro e a sequelas irreversíveis.
No tratamento clínico realizado pela equipe do HUMAP-UFMS foi aplicada a trombólise endovenosa, que é a administração de um medicamento (trombolítico) na veia do paciente. Este medicamento tem a capacidade de dissolver esses trombos ou coágulos, restabelecendo assim o fluxo sanguíneo cerebral.
O Dr Gabriel Pereira Braga explica que atualmente essa intervenção é um dos tratamentos para AVC com mais alto nível de evidência científica no Brasil e no mundo. Sua principal vantagem é reduzir o grau de incapacidade residual dos pacientes, trazendo mais qualidade de vida.
“Como todo tratamento este também tem seus riscos. Como se trata da administração de uma medicação que dissolve coágulos existe o risco da ocorrência de hemorragias. Por isso os critérios de quais paciente podem e quais não podem receber essa terapia são muito rigorosos, assim como são rigorosos também os cuidados após o tratamento”, ressalta.
Multidisciplinar e multiprofissional
De acordo com o Dr Gabriel Pereira Braga, o AVC é uma doença complexa e com graves consequências para o paciente, por isso, para o seu tratamento, é necessário o envolvimento de diversos profissionais de áreas distintas.
“Os melhores resultados são sempre alcançados quando se tem o envolvimento coordenado de uma equipe multidisciplinar e multiprofissional. Assim, para o sucesso do tratamento, são indispensáveis o envolvimento da equipe médica do Pronto Atendimento Médico (PAM), clínicos, neurologistas, neurocirurgiões, cardiologistas, cirurgiões vasculares, radiologistas, toda equipe de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros”.
Etapas do tratamento
Para que o tratamento ocorra é necessário que uma cadeia de eventos aconteça, de forma precisa e no menor tempo possível. Essa cadeia de eventos começa ainda em casa, com o reconhecimento dos sinais e sintomas do AVC, acionamento do serviço pré-hospitalar (SAMU), estabilização do paciente em uma unidade de saúde, realização de tomografia, avaliação neurológica, decisão terapêutica e, por fim, cuidados pós-tratamento, preferencialmente dentro de uma unidade de saúde especializada em AVC.