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MÊS DO ORGULHO LGBTQIAP+
Hospital da Rede Ebserh tem o único ambulatório transexualizador do SUS em Mato Grosso do Sul
Dia 28 de junho é celebrado o Dia do Orgulho LGBTQIAP+, um movimento que luta, pelo reconhecimento, direito e pelo fim do preconceito, mas também pela liberdade de amar
“Uma vez por mês, eu saio da minha casa, em Corumbá, por volta das 23h, chego em Campo Grande perto das 5h da manhã seguinte e fico esperando o horário da consulta na casa de apoio disponibilizada pelo município. Já tem mais ou menos um ano que iniciei o acompanhamento no Ambulatório. Eu estava bem ansiosa no dia da primeira consulta, que foi com o dr. Ricardo, para poder dar um passo a mais na minha transição de gênero. Eu tive que esperar bastante tempo para ser atendida, porque era menor de idade e o atendimento é só a partir dos 18 anos. O atendimento de ótima qualidade e muita responsabilidade com cada pessoa que é atendida lá. A gente percebe que os profissionais buscam sempre o melhor para o paciente. Aproveito para fazer um agradecimento especial à Dra. Danuza e sua equipe, por toda a ajuda.”
O relato é da paciente Kauêt Migueis Borges, de 19 anos, em acompanhamento no Ambulatório Transexualizador do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS). O Ambulatório Trans do Humap é o único serviço no Estado a oferecer hormonioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, portanto, recebe pacientes de todo o Mato Grosso do Sul.
Kauêt Migueis Borges faz acompanhamento há mais de um ano no Ambulatório Trans do Humap
O serviço teve início em janeiro de 2017, com uma equipe multiprofissional, atualmente composta pelo Médico Ginecologista, e responsável pelo Ambulatório, Ricardo dos Santos Gomes, Assistente Social Patrícia Ferreira da Silva, Médica Psiquiatra Danusa Céspedes Guizzo, e pelo Médico Urologista Peterson de Assis.
O Ambulatório atende a população transgênero (mulheres trans e homens trans) no acompanhamento da hormonização. O acesso ao serviço se dá por meio do Sistema de Regulação (Sisreg), encaminhado pela Atenção Primária tanto da capital quanto do interior.
São atendidos dois pacientes (casos novos) por semana, totalizando oito no período de um mês, e 44 pacientes novos/ano para início do acompanhamento. “Em média anual estamos atendendo, entre pacientes novos e retornos, um montante de 528 atendimentos com o dr. Ricardo, 220 atendimentos com o dr. Peterson, e 176 com a dra. Danusa”, revela a assistente social Patrícia Ferreira da Silva, ressaltando ainda que “o atendimento é realizado dentro dos princípios da Política de Humanização, respeitados os direitos dos usuários quanto a sua identidade de gênero”.
“Hoje me sinto bem melhor no meu processo de transição, por fazer terapia hormonal corretamente, por ter acompanhamento médico. Sempre desejei fazer cirurgia de prótese mamária e redesignação sexual, mas hoje estou muito feliz com as mudanças no meu corpo, com meus traços mais femininos.”, conta Evelin Lara de Souza, 46 anos, que se mudou de Rio Verde de Mato Grosso para Campo Grande e é paciente do Ambulatório Trans do Humap há um ano e sete meses.
Evelin Lara de Souza é paciente do Ambulatório Trans do Humap
Quanto a procedimentos cirúrgicos, a assistente social Patrícia esclarece que os pacientes são encaminhados para o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde.
“A maior virtude de um profissional é acolher os seus usuários com dignidade, afetividade, objetividade e acima de tudo respeito. Todo nós temos importância, e essa população não é diferente, ao contrário, diante de tantos desafios necessitam de serem vistos dentro de suas especificidades, mas sem esquecer de outro princípio do SUS, a integralidade. É dessa forma que buscamos realizar nosso trabalho no Ambulatório Trans”, afirma Patrícia.
Orgulhe-se
“No mês de junho celebramos o mês do orgulho LGBTQIAP+, e é quando temos o momento para debater sobre tudo que abrange a temática, inclusive a questão da comunidade LGBTQIAP+ dentro do contexto da saúde, seja como profissional quanto como paciente”, aponta o psicólogo organizacional Iury Viana Santana, do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD).
Para promover esse debate dentro do hospital, será realizada a palestra “Orgulhe-se: um mês para lembrarmos de uma luta constante”, na próxima quarta-feira (28), às 8h30, no auditório do HU-UFGD, numa iniciativa da Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho (USOST).
“O tema ‘Orgulhe-se: um mês para lembrarmos de uma luta constante’ visa mostrar como a comunidade vem constantemente buscando seu espaço dentro da sociedade, o que já estamos conseguindo, tanto na questão artística, como na questão política, e vem lutando por políticas públicas que possam contemplar essa população. Nós, enquanto USOST do HU-UFGD, percebemos a necessidade de discutir essa temática dentro da instituição, então viemos na proposta de explicar como um paciente deve ser acolhido, como o colaborador deve ser respeitado, e entender as especificidades da comunidade, aliado à política de saúde”, explica Iury.
De acordo com o psicólogo, o intuito não é falar sobre a homofobia em si, mas mostrar formas de evitar que isso aconteça dentro da instituição, “seja por falta de conhecimento ou pelo fato de as pessoas não conseguirem compreender que a sexualidade humana está em constante modificação e em transformação a todo instante”.
“A ideia é capacitar os profissionais do HU-UFGD para fornecer um atendimento de qualidade a pessoas LGBTQIAP+. Queremos tornar o HU-UFGD um espaço onde você se sinta acolhido, bem recebido, e não seja vítima de nenhuma discriminação ou desrespeito”, completa Iury.
Sobre a Rede Ebserh
O Humap-UFMS e o HU-UFGD fazem parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.