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DENGUE
Tipo 4 da doença é responsável pelo aumento de quase 700% dos casos no DF
O número de casos de dengue confirmados nas primeiras 18 semanas de 2013 no Distrito Federal aumentou em quase 700%, de acordo com a Secretaria de Saúde (SESDF). Para Pedro Luiz Tauil, infectologista e professor da Universidade de Brasília, a chegada do sorotipo 4 do vírus foi o responsável pelo aumento.
Tauil explica que quando o indivíduo adquire um sorotipo do vírus da dengue, fica imune a ele, podendo ser infectado apenas pelos outros. “A dengue tipo 4 chegou ao DF e predominou no número de infecções deste ano, atingindo a população sem proteção”, diz. Além disso, ainda segundo o professor, apesar de os dados nesse sentido ainda não estarem suficientemente claros, o excesso de chuvas no início do ano também contribuiu para o aumento dos casos.
De acordo com os dados da SESDF, nas primeiras 18 semanas de 2012, 428 casos da doença foram confirmados. Neste mesmo período, em 2013, 3.369 pessoas infectadas pelo vírus foram atendidas por alguma unidade de saúde. Quatro mortes foram registradas neste ano. Boa parte dos pacientes são moradores do entorno da capital. Os cados entre residentes do entorno subiu de 47 para 1307. Um aumento de mais de 2.680%.
A partir desta constatação, o Governo do Distrito Federal montou no início do mês um hospital de campanha em Brazlândia, região administrativa do DF. Nos primeiros oito dias a unidade atendeu 719 pessoas com suspeita de dengue. Destes, 409 casos foram confirmados.
Do número de pacientes diagnosticados com a doença, 44 são moradores de Brazlândia, 59 de outras regiões do DF e 306 são habitantes do entorno. O hospital de campanha ainda deve funcionar até o final deste mês.
Combate
Desde o início do ano, principalmente de março até hoje, mutirões de combate à doença vem sendo feitos em todo o DF. Além disso, o GDF tem dado suporte aos municípios do entorno no enfrentamento da epidemia. Para Tauil, as armas que o mundo tem hoje para lutar contra a dengue não são suficientemente efetivas. “Mesmo países que eram modelos de controle do mosquito transmissor não conseguiram manter esta condição”, diz.
O professor indica como único elo vulnerável da cadeia de transmissão o combate ao mosquito Aedes Aegypti, o que, para ele, é muito difícil, pois depende de diversos outros setores da sociedade, como educação, habitação, saneamento básico. “Até que existam inovações, devemos continuar combatendo o mosquito nos ambientes domésticos e nos pontos estratégicos, como terrenos baldios, cemitérios, borracharias e etc.”, afirma Tauil.
Prevenção
O professor destaca a existência de uma pesquisa avançada que estuda a criação de uma vacina contra os quatro tipos do vírus da dengue. Porém, diz Tauil, mesmo sendo uma das possíveis armas contra a doença, a vacina deve demorar no mínimo três anos para chegar à população.