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HUB reúne cem pessoas em evento sobre surdez
A estudante Josiele Silva do Nascimento perdeu a audição aos dez anos. Hoje, aos 19, celebra o resultado da cirurgia de implante coclear, realizada em fevereiro deste ano no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB). O procedimento devolveu a ela o sentido da audição. “Comecei a ouvir música e a falar. Estou muito feliz”, conta. Josiele é um dos exemplos do que a tecnologia em saúde pode fazer pelos deficientes auditivos.
Esse foi um dos temas abordados durante o 2º Encontro do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, realizado na última quinta-feira (10), no auditório 1 do HUB, pelo serviço de Saúde Auditiva e Implante Coclear. O evento reuniu cem pessoas, entre alunos, pacientes, residentes e profissionais, para debater o tema “Avanços e desafios da deficiência auditiva: como a tecnologia tem modificado a perspectiva do tratamento da surdez”.
“O encontro visa sensibilizar profissionais sobre os cuidados com a saúde auditiva, além de divulgar os trabalhos e pesquisas realizadas no HUB sobre o tema”, explica o coordenador do Programa de Implante Coclear do hospital, André Lopes Sampaio. A maquete “Ouvido Pensante”, do Circo Teatro Udi Grudi, chamou a atenção do público na entrada do evento. O objeto permitiu interação para entender o processo de emissão e recepção do som.
De acordo com a fonoaudióloga do hospital, Lucieny Martins, a triagem auditiva neonatal é o primeiro passo para a identificação precoce de problemas. No HUB, 100% das crianças nascidas na instituição passam pelos testes necessários até os 30 dias de vida. “Esse dado representa uma tranquilidade de que o serviço de triagem funciona e de forma adequada, como almejamos”, afirma.
Segundo o último censo demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, dos 45 milhões de brasileiros que declararam ter alguma deficiência, 5% são pela surdez. “Os adolescentes e adultos estão sujeitos à exposição do som por fones de ouvido, festas e shows. Essa é uma questão tão importante que há uma pesquisa nos Estados Unidos que mostra que em torno de 15% desse público têm alguma lesão auditiva em decorrência disso”, declara a otorrinolaringologista do HUB, Alessandra Ramos Venosa.
Outros temas abordados nas palestras foram a atuação da fonoaudiologia, o processo de reabilitação auditiva, o trabalho realizado pelo Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (CEAL-LP) e os novos paradigmas no implante coclear. A estudante do 5º semestre graduação em fonoaudiologia da Universidade de Brasília (UnB), Andreza Soares Maia, foi ao encontro atraída pelos assuntos tratados. “Me interesso por triagem neonatal e implante coclear. Essa atividade é muito importante para nossa formação profissional”.
Já a aluna do 2º semestre, Thaís Gabriele Pereira, recebeu o convite de uma professora para participar do evento. “Gosto muito dessa parte de audiologia que está sendo falada aqui. No próximo semestre faremos uma disciplina no HUB e poderemos ficar mais perto desse assunto”, diz.
A superintendente em exercício, Elizabeth Queiroz, parabenizou a equipe pela realização do encontro. “O serviço conta com profissionais habilitados em diferentes áreas. É uma equipe bastante empenhada em intensificar a relação de ensino e assistência e que traz resultados muito positivos para a instituição”, avalia.