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CÂNCER
Erva medicinal pode provocar tumores nos rins e fígado
Pesquisas recentes apontam que as plantas do gênero Aristolochia, utilizadas na medicina tradicional chinesa para conter inflamações e auxiliar no emagrecimento, estão relacionadas ao câncer e podem provocar mutações mais graves que o cigarro e os raios ultravioletas. Participaram do estudo, cientistas do Instituto de Câncer de Cingapura Bin Tean Teh, da Universidade Johns Hopkinse, do Memorial Sloan-Kettering, ambos nos Estados Unidos, e do Memorial Chang Gung de Taiwan.
O chefe do Centro de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital Universitário de Brasília, Sandro Martins, esclarece que pesquisas sobre a ação da Aristolochia no organismo estão sendo realizadas há dez anos. “O estudo trouxe novas informações sobre a toxicidade em humanos de um composto chamado Ácido Aristolóquico (AA), mas essas plantas já tinham sido associadas a problemas renais em outros estudos”, esclarece.
De acordo com a pesquisa, publicada no Science Translational, o AA presente na erva medicinal é o responsável por desencadear problemas no fígado e nos rins. “A pesquisa demonstrou que o composto é um potente agente genotóxico, que causou o surgimento de câncer renal e hepático em animais”, explica o oncologista.
Os resultados foram obtidos a partir de um sequenciamento genético em pessoas com câncer e que ingeriram fitoterápicos com o composto. Os efeitos do AA foram notados nas células, que sofreram mutações que desencadearam os tumores malignos.
Os pesquisadores acreditam que comprovar que o AA tem relação direta com o câncer abre a possibilidade de alertar as pessoas que consomem ervas com o composto. A substância é proibida em vários países, mesmo assim, o consumo do AA ainda é alto. No Brasil, é proibido o uso das plantas Aristolochia em cosméticos, mas não existe proibição para os fitoterápicos.
Câncer
De acordo com Sandro, os tumores renais e de fígado são raros em humanos. “Os principais fatores de riscos para o câncer renal são tabagismo e obesidade. Já o risco de câncer de fígado é aumentado em portadores de hepatite viral crônica (tipo B ou C), cirrose hepática e consumidores habituais de bebidas alcoólicas”, diz o oncologista. Especialistas recomendam também a prática de atividades físicas regulares e controle do peso corporal na vida adulta, como forma de evitar a doença.