Notícias
TELESSAÚDE
Teleoftalmologia avança no DF com treinamento de profissionais do SUS no HUB
Brasília (DF) – O Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh) recebeu, no dia quatro de fevereiro, o primeiro treinamento em telediagnóstico em que foram abordadas o manejo do retinógrafo portátil para a realização do exame de retinografia digital. A iniciativa, que dialoga com os objetivos do Programa SUS Digital, do Ministério da Saúde (MS), faz parte de projetos da Universidade de Brasília (UnB) e do HUB aprovados pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde: Informação e Saúde Digital (PET-Saúde/I&SD).
A capacitação de profissionais e estudantes para o uso de tecnologias digitais é um dos principais objetivos do PET-Saúde/I&SD que se alinha aos critérios do SUS Digital no que diz respeito à modernização e ampliação dos serviços oferecidos aos usuários e usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). É nesse contexto que foi estabelecido o Grupo Tutorial (GT) Telediagnóstico que ofereceu a formação sobre retinografia digital, que aconteceu no Ambulatório 1 do HUB.
“Nesse arranjo, a chegada dos retinógrafos representa uma resposta concreta a uma demanda construída e pactuada entre as iniciativas do Ministério da Saúde, a atuação do HUB/UnB e a organização assistencial da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), consolidando um eixo de expansão do telediagnóstico com capacidade real de impactar o acesso e a qualidade do cuidado no DF.”, explica Thiago Castro, coordenador do GT e professor adjunto na Faculdade de Ciências da Saúde da UnB.
Capacitação
A capacitação ocorreu em formato on-line e ao vivo, conectando a equipe local aos profissionais do Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal de Goiás (UFG), que explicaram as funcionalidades do equipamento. Durante a atividade, o retinógrafo foi operado presencialmente no hospital, enquanto as imagens captadas e a visualização do profissional eram transmitidas em tempo real, possibilitando acompanhamento e orientações imediatas da equipe responsável pela teleoftalmologia.
O retinógrafo portátil é um dispositivo oftalmológico compacto e de alta tecnologia, frequentemente integrado a smartphones. Por meio de uma lente, o aparelho realiza captura de imagens de áreas do globo ocular, especialmente do fundo do olho de forma não invasiva dispensando a dilatação de pupila, exceto nos casos em que for necessário. Permitindo, dessa forma, o diagnóstico remoto de doenças, como retinopatia diabética, Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), pterígio (crescimento fibrovascular que pode prejudicar a visão e, em alguns casos, requer tratamento cirúrgico), entre outros.
“A proposta é que as equipes realizem treinamento prático, tirem dúvidas e se apropriem da rotina do exame, com segurança de que se trata de um procedimento simples e executável por profissional treinado.”, comenta o coordenador do GT. “Espera-se, com isso, ampliar a oferta de diagnóstico precoce de doenças da retina, fortalecer a confiança das equipes no seguimento de seus pacientes e qualificar o cuidado com práticas baseadas nas melhores evidências disponíveis.”, completa.
Como próxima etapa, em março está prevista uma formação presencial em modelo de imersão, com duração de até quatro horas, destinada às equipes que atuam nos 15 pontos de telessaúde apoiados no Distrito Federal, entre eles nove Unidades Básicas de Saúde, incluindo duas em unidades prisionais, além de seis policlínicas distribuídas em diferentes regiões de saúde. Em março, o HUB também entregará oficialmente à SES-DF retinógrafos portáteis para que sejam distribuídos nos pontos de telessaúde.
Telediagnóstico
O telediagnóstico surge como estratégia para descentralizar o acesso a exames especializados, alcançando desde Unidades Básicas de Saúde e policlínicas até o sistema prisional, onde o transporte de pessoas privadas de liberdade costuma ser um entrave. Com o uso da retinografia digital portátil, o exame pode ser realizado em diferentes territórios, enquanto a análise é feita remotamente pelo Núcleo de Telessaúde da UFG, dentro da Oferta Nacional de Telediagnóstico. “A iniciativa não gera custos adicionais para a população nem para o Distrito Federal, sendo viabilizada com recursos repassados pelo Ministério da Saúde.”, destaca Thiago Castro.
Fazendo acontecer
Em consonância com as diretrizes do SUS Digital, o HUB tornou-se um núcleo de telessaúde no Distrito Federal (DF), ou seja, uma estrutura central responsável por coordenar, organizar e executar os serviços de telessaúde, de acordo com as regras da Portaria GM/MS Nº 3.691. Já o PET-Saúde/I&SD, também conduzido pelo MS em parceria com o Ministério da Educação, é um programa que busca aprimorar a qualificação dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecendo formações práticas que também beneficiam docentes e estudantes universitários de áreas como saúde e tecnologia.
Em 2025, a UnB e o HUB tiveram projetos aprovados no PET-Saúde (2025-2027). Dentro do Programa há Grupos Tutoriais (GTs) e um deles é o GT Telediagnóstico. “[Esse grupo] tem como objetivo ampliar o acesso da população do SUS a exames especializados por meio do uso de tecnologias digitais, reduzindo barreiras, qualificando fluxos e contribuindo para enfrentar filas de espera na atenção especializada.”, incrementa Thiago.
Sobre a Ebserh
O HUB-UnB faz parte da Rede Ebserh desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação e revisão: Elizabeth Souza
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh