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Hepatite viral em crianças: saiba o que é e como preveni-la!
A gastropediatra do Hospital das Clínicas da Universidasde Federal de Goiás (UFG) e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFG, Naflésia Bezerra Oliveira Corrêa, fala sobre a hepatite viral aguda de origem desconhecida que está acometendo crianças em ao menos 20 países e que já exigiu o transplante de fígado em 10% dos casos.
Hepatite Viral Aguda
A hepatite é uma inflamação do fígado que é classificada como aguda quando os sintomas são rápidos e abruptos.
A maior parte das vezes ocorre quando os sintomas são manifestações inespecíficas no trato gastrointestinal, como diarreia e vômito, além de quadros respiratórios e a icterícia (coloração amarelada da pele e das conjuntivas - “branco dos olhos”), como principal característica.
Essas crianças tiveram com menos frequência febre e sintomas respiratórios e os mais frequentes foram icterícias, seguidas de diarreia e fezes claras, de coloração branca.
Surto incomum
O surto é incomum porque a maior parte das hepatites agudas virais não evoluem de forma grave, como a que ocorreu nas crianças do Reino Unido ou crianças sem doença de base. Pacientes imunocompetentes apresentam quadros autolimitados, na maior parte das vezes.
Nesse surto, o quadro foi grave porque houve falência hepática, a chamada ‘hepatite fulminante’, com necessidade de transplante.
O fígado é um órgão muito importante que tem várias funções como metabolismo de várias substâncias, responsável pelos fatores de coagulação e pela eliminação da amônia.
A amônia é produzida pelo nosso intestino (bactérias intestinais) e não consegue ser excretada. Logo, ela é transformada em ureia no fígado e excretada pelo rim.
Por isso, esse surto foi atípico e ainda não há etiologia (causa) definida, por isso é chamada de “hepatite aguda grave de etiologia não definida”.
Quando o paciente tem uma hepatite com destruição maciça de hepatócitos, o fígado não é capaz de desempenhar suas funções e o paciente pode evoluir com hepatite fulminante.
Há estudos sendo feitos para isolar o agente responsável, o adenovírus. Foi feita uma genotipagem e encontraram o adenovírus F-41 em algumas crianças, mas nem todas as crianças fizeram a genotipagem. Houve casos de associação com o coronavirus e há estudos associando os casos anteriores de coronavirus com adenovírus, concomitantemente.
Casos no Brasil
Nós sempre tivemos hepatite aguda, no entanto, antes do surto, no Brasil, não éramos obrigados a notificar os casos, mas, a partir deste surto, devemos fazer as notificações dos casos para sabermos da incidência dos mais graves no nosso meio.
Temos os casos suspeitos, os prováveis, os pendentes e os descartáveis e não foi identificado caso de hepatite aguda grave de etiologia desconhecida no Brasil.
Relação com a Vacina
A Organização Mundial de Saúde (OMS) descartou a hipótese de relação do surto com a vacinação contra a Covid-19.
Com evitar a propagação da doença?
Os pais devem adotar as medidas gerais de higiene, como lavar as mãos e os alimentos, cobrir o nariz e a boca quando for tossir. O vírus é transmitido por gotículas eliminadas pela tosse, espirros e também transmissão fecal-oral.
Logo, a higiene é fundamental, com a lavagem das mãos e o uso da máscara, que também ajuda. Importante evitar levar crianças para locais com aglomeração e procurar atendimento médico para notificação, caso haja sintomas.
Dados do Ministério da Saúde
O Informe da Sala de Situação, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde (MS), apresenta a definição de caso, processo de notificação e fluxo laboratorial para a investigação de casos prováveis de hepatite aguda de etiologia a esclarecer em crianças e adolescentes menores de 17 anos no país.
Segundo ele, até 17 de maio deste ano, o CIEVS Nacional recebeu 53 notificações (com classificação pendente ou descartado). Desses, 45 seguem em classificação pendente, ou seja, em investigação. Após avaliação das informações enviadas e das definições de caso propostas, oito casos foram descartados.

Dra. Naflésia Bezerra Oliveira Corrêa
Gastropediatra do Hospital das Clínicas da Universidasde Federal de Goiás (UFG) e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFG.