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Dia Mundial do Rim
HC-UFG realiza ação de sensibilização e conscientização de pacientes e colaboradores sobre a importância da saúde dos rins
Nesta quinta-feira, 09 de março, é celebrado o Dia Mundial do Rim. A data foi criada com o intuito de sensibilizar e conscientizar a população sobre a importância dos rins para nossa saúde geral e, assim, reduzir a frequência e o impacto da doença renal e seus problemas associados em todo o mundo. No Brasil, a campanha é promovida pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e conta com o apoio de diversas empresas e instituições de saúde.
A campanha deste ano, que tem como tema “Saúde dos rins e creatinina para todos. Cuidar dos vulneráveis e estar preparado para os desafios inesperados”, visa alertar a população para o risco maior de desenvolvimento de Doença Renal Crônica (DRC) em pessoas que possuem algum fator de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, doenças cardíacas, além de algumas patologias de origem primária, como doenças congênitas, que levem a alterações nos rins.
O Hospital das Clínicas da UFG, vinculado à Rede Ebserh, participa da campanha promovendo, das 08 horas às 17 horas, no Hall de entrada do Edifício de Internação, uma ação de conscientização de usuários e colaboradores do hospital para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. No local, a equipe médica e de residentes do serviço de Nefrologia está dando orientações e distribuindo material informativo, elaborado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, sobre os sinais e sintomas que podem ser indícios de ocorrência das doenças renais.
Segundo o coordenador da campanha no HC-UFG, médico nefrologista Marcelo Garcia Tavares, a campanha visa alertar os grupos de vulneráveis, que são os grupos de risco, como idosos, hipertensos, diabéticos, portadores de doenças cardíacas, oncológicos, portadores de infecções crônicas como HIV e hepatites virais; pessoas que, infelizmente, se automedicam recorrentemente com anti-inflamatórios, etilistas, tabagistas e aqueles que, apesar de não sentirem nada, tem história na família de doenças renais.
Também estão sendo realizados a triagem e exames de dosagem de creatinina para aqueles que se enquadrarem dentro de algum grupo de risco. Será ofertada uma quantidade de 100 exames de creatinina para a identificação de possíveis portadores da doença. A creatinina é o exame inicial para a triagem de doenças renais. Segundo Tavares, a DRC é detectada com a alteração da creatinina que perdure por mais de 90 dias, detecção de alterações urinárias como sangramento, chamado de hematúria, presença de microalbuminuria e morfologia renal alterada aos exames de imagem (malformações congênitas, cistos renais, nefrolítiase - pedra nos rins, dentre outras).
Tavares ressalta ainda que a campanha visa também chamar a atenção das autoridades públicas para a necessidade de investimentos em ações de prevenção e tratamento das doenças renais, uma vez que elas fazem parte de um grupo maior de doenças, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). "As doenças renais têm alta morbimortalidade, o que deixa os pacientes muito debilitados, além de exigir tratamentos complexos e diários, como a hemodiálise e o transplante renal. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, uma vez que muitos investimentos foram direcionados para o tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus, além do surgimento de outros pacientes que desenvolveram doença renal em decorrência de complicações da Covid-19”.
Sintomas
A doença renal crônica é uma doença silenciosa, ou seja, nem sempre levanta suspeitas. Segundo Marcelo Tavares, o paciente pode ser assintomático ou pode apresentar um quadro mais rico de queixas como inchaço nas pernas e nos olhos ou até generalizado, pressão alta de difícil controle, alterações urinárias, como redução do volume em 24 horas, escurecimento e espuma na urina. "Além disso, conforme o comprometimento da função renal avança, anemia, dores ósseas, musculares, falta de apetite e perda de peso, coceira, alterações do nível de consciência ou até sangramentos podem ser manifestações da doença renal crônica”.
Prevenção
Tavares enfatiza que portadores de doenças que representam fatores de risco em potencial para doenças renais necessitam de acompanhamento regular com médico e devem buscar controle efetivo destas doenças a fim de reduzir o risco de comprometimento renal. Além disso, evitar a automedicação com anti-inflamatórios, anabolizantes e ter supervisão qualificada para suplementações alimentares é fundamental.
A ingestão de água é fundamental para a prevenção de doenças renais. “A gente brinca que o remédio mais barato para evitar a doença renal é a água. Pode parecer inacreditável, mas é muito comum encontrarmos pessoas que não tomam quase nada de água em 24 horas. Então, a água é o grande primeiro remédio”, destaca Tavares.
Outras medidas para a prevenção é restringir a quantidade de sal na alimentação e de produtos muito ricos em proteína, realizar atividade física e manter o controle do peso. Nos casos de pessoas que realizam atividade física e fazem uso de alimentos ricos em proteína, o especialista aconselha que sejam acompanhados por um profissional nutricionista especializado na área.
O que é a doença renal crônica (DRC)?
Doença Renal Crônica (DRC) é uma perda da capacidade funcional renal permanente, que se apresenta em graus diferentes de intensidade e que, ao progredir para fases avançadas de perda das funções renais críticas, culmina na necessidade de terapia renal substitutiva (TRS) devido ao acúmulo de toxinas no organismo (como a ureia), eletrólitos (como o potássio), líquido (refletindo em inchaço, aumento refratário da pressão, falta de ar), dentre outras alterações que podem ameaçar a vida.
Para o tratamento da doença renal crônica, são formas de TRS a hemodiálise, diálise peritoneal e o transplante renal.
Serviço oferecido pelo HC-UFG/Ebserh
O Hospital das Clínicas da UFG é um hospital referência na saúde pública em Goiás para o tratamento da doença renal crônica. O serviço de Nefrologia, que está ligado à Unidade do Sistema Urinário, recebe pacientes adultos e crianças, com doenças e síndromes raras, para tratamentos de hemodiálise e diálise peritoneal. O serviço de Nefrologia também oferece atendimento ambulatorial, clínico (para pacientes internados), pacientes críticos (UTI) e pacientes atendidos no serviço de urgência e emergência do HC. O serviço também começou a realizar transplantes renais em 2022 e, até o momento, já foram realizados três transplantes.
Um diferencial do HC-UFG na saúde pública no Estado de Goiás, segundo Marcelo Tavares, é o serviço de nefropediatria.
Um diferencial do HC-UFG na saúde pública no Estado de Goiás, segundo Marcelo Tavares, é o serviço de nefropediatria. “O HC-UFG conta com uma equipe especializada de médicos nefropediatras e oferece o serviço de hemodiálise pediátrico”.
Bruno Monteiro Rodrigues é uma garoto de dez anos de idade que realiza hemodiálise no HC-UFG desde 2018. Ele nasceu com uma síndrome congênita chamada Síndrome de Prune-Belly, uma malformação que fez com que ele nascesse somente com um dos rins funcionando e com menos de 50% da capacidade de funcionamento. Segundo o pai, Wairon Souza Rodrigues, desde a gestação, Bruno é acompanhado pelo HC-UFG. "Ele nasceu no HC e, desde então, realiza acompanhamento aqui, pois o HC-UFG era o único hospital com especialistas capacitados para o tratamento da síndrome que ele nasceu”, afirmou.
Bruno Rodrigues sonha com o transplante e em poder brincar, assim como toda criança. “Primeiramente eu quero conseguir o transplante. Depois eu sonho em poder tomar banho de piscina, poder tomar banho normalmente, chupar melancia e tomar sorvete”, disse. Ele quis participar da campanha do Dia Mundial do Rim deixando o seu recado: “Hoje é o Dia Mundial do Rim. Por isso, cuide dos seus rins e dose a sua creatinina”.
Segundo o pai, Bruno precisa ainda fazer algumas cirurgias corretivas para poder entrar na fila de transplantes. Ele se mostrou confiante com a recuperação do filho. “Estamos torcendo e logo ele irá para a fila do transplante. Eu já fiz o exame de compatibilidade e posso ser um doador”, afirmou.
Ocorrência das doenças renais no Brasil
Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia mostra que, no ano de 2022, havia quase 154 mil pacientes em tratamento de diálise no Brasil. Destes, 80% realizam diálise pelo SUS e 20% por outros convênios. Já pacientes de hemodiálise somam quase 39 mil, sendo que 32.901 realizaram hemodiálise pelo SUS.
O número estimado de óbitos de pacientes em diálise também é alto. Em 2022, esse número era de 26.292, com taxa de mortalidade anual de 17,1.
Em Goiás, foram 5.197 pacientes em tratamento de diálise e a estimativa, em 2022, era de 1.152 novos pacientes.