Notícias
ENTREVISTA
15 de setembro: Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas
A data visa alertar e conscientizar a população em geral sobre o que é o linfoma e a relevância de identificá-lo precocemente, contribuindo para o êxito de seu tratamento. Para saber mais sobre o tema, confira a entrevista com o hematologista, professor assistente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG) e Chefe do Serviço de Hematologia do Hospital das Clínicas da UFG, hospital vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Renato Sampaio Tavares.
- O que é linfoma e comumente de que forma ele se manifesta?
O termo Linfoma é atribuído a neoplasias malignas do tecido linfoide, com predominância no tecido linfoide periférico, este distribuído no corpo todo, mas que pode acometer a medula óssea também.
Os linfomas se manifestam, de maneira geral, por meio do crescimento de gânglios linfáticos, popularmente conhecidos como “ínguas”, que se dão de maneira progressiva e que geralmente se mantêm aumentados por bastante tempo. Outros sintomas como perda de peso excessiva sem causa aparente, febres de origem desconhecida e persistentes, sudorese profusa noturna, podem ser um sinal da doença. Outros sintomas também podem aparecer, dependendo do tecido afetado.
Estima-se que, no mundo todo, mais de 500 mil casos novos de linfoma ocorram por ano, sendo um pouco mais frequentes em homens.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer – INCA, o linfoma não-Hodgkin é o oitavo câncer mais frequente no Brasil. A estimativa de casos novos, para 2020, no Brasil, é de 5,37 para 100 mil habitantes, e de linfoma de Hodgkin é de 1,10 para 100 mil. No Estado de Goiás, nesta época, os casos novos de linfomas não-Hodgkin estão estimados em 3,57 por 100 mil habitantes e os de linfomas de Hodgkin em 1,28 por 100 mil habitantes.
2. As causas da doença são conhecidas?
A etiologia precisa dos linfomas não é completamente conhecida. Algumas infecções têm sido relacionadas com o surgimento de linfomas, como os vírus Epstein-Barr, o HTLV-1, A hepatite C, entre outros. Proliferações bacterianas também têm sido relacionadas com o aparecimento de alguns tipos de linfoma, como o Linfoma MALT, relacionado com o Helicobacter pylori. Contato com certas substâncias químicas, como o benzeno, e ter sido submetido a quimioterapias e/ou radioterapia também aumentam a chance de desenvolver a doença.
3. Quais são os principais tipos de linfomas e as diferenças mais relevantes entre eles?
Hoje existe um número grande de tipos diferentes de linfomas. Sua diferenciação se dá por aspectos clínicos, morfológicos, imunológicos e genéticos. Essa diferenciação é vital para se instituir a conduta adequada, uma vez que o comportamento clínico e o manejo são muito distintos entre eles.
Estes são classificados inicialmente entre linfomas de Hodgkin e linfomas não-Hodgkin, baseado na presença ou não de células de Reed-Sternberg e outras características imuno-histoquímicas.
Os linfomas de Hodgkin, de maneira grosseira, costumam ser mais localizados, mas o estágio pode variar entre muito localizado a bem disseminado, e isso tem um impacto importante no prognóstico e no tratamento do paciente.
Os linfomas não-Hodgkin são inicialmente divididos entre Linfomas B e linfomas T, e raramente Células Natural-Killer, dependendo da linhagem progenitora de onde se origina. Existe uma variação muito grande de características clínicas e prognósticas nestes linfomas e estas diferenças vêm sendo definidas e determinadas cada vez mais, com o passar do tempo.
4. Há grupos mais vulneráveis para adquirir esta doença? Se sim, quais são eles?
Alguns grupos estão mais suscetíveis a desenvolverem linfomas, como idosos, imunossuprimidos como doentes com SIDA ou transplantados, portadores de doenças autoimunes crônicas, entre outros. Os linfomas podem acometer qualquer faixa etária e essa incidência vai variar conforme o tipo de linfoma.
5. De que forma a doença pode ser diagnosticada?
O diagnóstico é realizado através da análise anatomopatológica e imuno-histoquímica de uma amostra de tecido linfoide acometido. Deve-se dar preferência a análise de um gânglio todo, quando disponível, ou uma amostra significativa do tecido linfoide doente se for extra nodal. É muito importante a análise imuno-histoquímica e essa avaliação deve ser realizada por um patologista treinado e experiente em patologia oncohematológica. Em vários casos é necessário também o estudo molecular do tecido doente para se confirmar o diagnóstico ou diferenciar de maneira adequada linfomas que não possuam características tão claras à anatomia patológica e à imuno-histoquímica.
É possível realizar este diagnóstico de maneira adequada no SUS, mas geralmente isso se dá em grandes centros universitários e de ensino, como no Hospital das Clínicas da UFG.
6.Como ocorrem os tratamentos da doença e de que maneira eles foram favorecidos pela evolução da tecnologia na área da Medicina?
O tratamento dos linfomas difere enormemente entre os subtipos. Pode variar desde a observação e acompanhamento sem tratamento a transplante de medula óssea. O índice de cura e a sobrevida são muito diferentes entre eles.
A maioria dos linfomas é tratado com quimioterapia combinada e, hoje, a imunoterapia, com anticorpos monoclonais é parte fundamental do tratamento em vários subtipos de linfomas, em especial os Linfomas Não-Hodgkin B e o Linfoma de Hodgkin recidivado.
O diagnóstico precoce e adequado é fundamental para se obter resultados adequados. Acesso aos medicamentos adequados, à terapia de suporte e equipe multidisciplinar também é essencial.
7.Considerações finais
A disseminação de informações e conscientização da população e profissionais de saúde é fundamental no combate das neoplasias malignas, e o Linfoma é uma delas.
O Dia Mundial de Conscientização do Linfoma é mais uma grande ferramenta para que estes esforços se juntem de maneira combinada e efetiva.