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RELATOS DE QUEM CUIDA
“Ao colocar o bebê no colo da mãe, ela chorou”
“Ao colocar o bebê no colo da mãe, ela chorou”
Sou enfermeira há 11 anos, especialista em obstetrícia e terapia intensiva. Estou na Meac há pouco mais de 2 anos, trabalhando na UTI Materna. Essa não é uma UTI como as outras...
Receber uma mãe após o parto é um desafio! Além de lidar com o cuidado da saúde física dessa mulher, temos que pensar em todo o planejamento construído ao longo da gravidez, em todo um sonho interrompido e lidar com a dor da separação da família e, principalmente do bebê. É aí que começa a melhor parte da história! É aí que entra a Amanda.
Amanda foi uma paciente admitida no dia 14 de fevereiro deste ano, após o parto cesariano, por complicações relacionadas a crises convulsivas. Esteve muito grave, tendo que usar medicações para manter uma boa pressão e sendo ainda intubada.
Toda a equipe fez além do que era possível na tentativa de salvar a vida dela, mas chegamos a acreditar que haveria melhora. A sedação foi desligada, mas Amanda não reagia. Apenas abria os olhos. Não se movimentava, não interagia com a equipe, não reagia à presença dos familiares. Nada!! Nenhuma resposta.
Porém, em um dos longos dias de internação dela, no dia 9 de março do mesmo ano, no momento da visita multiprofissional, quando se discutia o que mais a equipe poderia fazer por ela, eu fiz uma sugestão inusitada: “Que tal trazermos o bebê da Amanda para visitá-la?”
A surpresa foi geral e a preocupação também. Questionamentos surgiram: “como trazer um bebê para dentro da UTI?”, “o risco de infecção na UTI é enorme para esse bebê”, “Isso não existe!”... Consultei o infectologista responsável que afirmou não haver obstáculos, considerando-se o perfil de pacientes que se encontravam na UTI naquele momento. E, pensando nisso, como algo que pudesse vir a ajudar na recuperação da Amanda, todos abraçaram a causa. A equipe da neonatologia também se surpreendeu com o nosso pedido, porém colaborou e trouxe o bebê para a UTI materna.
Então, proporcionamos o tão esperado encontro entre mãe e filho, quase um mês depois do nascimento. Não consigo expressar em palavras a emoção que senti...
Ao colocar o bebê no colo da mãe, ela - ainda sem conseguir se mover e nem falar - reagiu da forma mais sincera e mais humana que poderíamos esperar: ela chorou! E aquele choro contagiou a toda a equipe. Foi um choro de amor!! Mais que isso... foi um choro que afirmou “eu ainda estou aqui”, “eu estou viva”, “eu quero viver”.
Milagre... Benção... Fé... Não sei qual palavra exata explicaria esse momento. Tenho plena certeza que Deus está presente em tudo e em todas as coisas! O dom da vida, o dom de gerar outra vida... Só Deus, na sua infinita sabedoria e amor, para nos proporcionar tamanha benção!
Mas não foi só isso. Quando colocamos o bebê em contato pele-a-pele com ela, saiu leite do peito, sem ninguém fazer nada, apenas o amor! Mesmo depois de vários dias de separação do seu bebê, o leite estava lá! O amor estava lá! Sempre esteve!
Desse dia em diante, a Amanda só melhorou. Evoluiu rapidamente e no dia 17 de março recebeu alta da UTI, falando, comendo e caminhando.
Essa experiência só nos motivou a proporcionar esse momento para mais mulheres que, como Amanda, precisaram se internar na UTI e ficar afastadas dos seus bebês. Viver esse momento só aumentou ainda mais minha paixão pela obstetrícia e pela vida. Agradeço a Deus pela profissão que escolhi e por me permitir agir na vida dessas mulheres! Que venham outras Amandas, porque nós, da Meac, estamos prontos para acolher, cuidar e inovar.
Fabíola Nunes de Sá – Enfermeira da UTI Materna
Maternidade-Escola Assis Chateuabriand (Meac-UFC)
Sobre a Ebserh
Desde novembro de 2013, a Meac-UFC faz parte da Rede Ebserh. Vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
Criada em dezembro de 2011, a empresa administra atualmente 40 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.