Relatos e Historias
HISTÓRIAS DE QUEM CUIDA
“Aqui é possível misturar a arte, deixar carinho, criar sorrisos e auxiliar no tratamento”
Rio Grande (RS) - “Eu trabalho realmente com o que amo. Aqui é possível misturar a arte, deixar carinho, criar sorrisos e auxiliar no tratamento, mesmo de maneira indireta. É visível o impacto de agir com gentileza, arte e ludicidade no ambiente hospitalar e, quando se percebe o bem que tudo isso faz, a gente sente o quanto viver vale a pena.
Eu sou formada em artes, gosto de todas elas e sentia falta de um ambiente maior para acomodar os brinquedos. Consegui um armário aéreo, mas, com a pintura antiga, iria ficar uma ambientação sem harmonia para as crianças e seus familiares. Então, comecei a fazer o oceano, já que nossa cidade é conhecida por ter a praia gigante, pelo nosso museu oceanográfico e já surtiu um efeito muito legal entre as crianças e os próprios trabalhadores.
Quis ser correta nas pinturas, coloquei uma homenagem ao leão marinho – símbolo da cidade – que morava no museu e veio filhote para cá, o Ipirello. Fui perguntando e pesquisando sobre algas, poríferos, estrelas do mar, tudo nos mínimos detalhes. Foi uma pesquisa minuciosa: para cada animal, eu olhava umas cem imagens e coletava dez de referência. Pesquisei os com maiores índices nas áreas, as algas, as conchas. Nossa cidade tem projetos sobre botos e tartarugas, então, é importante eles estarem lá, inclusive tenho parceria com o professor do Laboratório de Estatística Ambiental, Instituto de Matemática, Estatística e Física - IMEF / , Gustavo Baila Martinez Souza que trará o projeto Ritmo do Mar, voltado à apresentar cultura, arte e educação ambiental, todo relacionado ao ecossistema marinho. Este professor também auxiliou em dúvidas na pesquisa de animais para a pintura.
Quando terminei e apresentei a pintura, falei com minha chefe, Ana Paula Bigliardi de Freitas Olmedo. que tinha que pintar um convite na porta, algo como: “Mergulhe na Brinquedoteca!”, e aí pensei em fazer a Praia do Cassino na porta. Falei com minha chefe sobre colocar capivaras, que também são símbolos da nossa cidade, e ela concordou, a propósito, agradeço muito a ela por apoiar minhas ideias malucas pelo hospital e embarcar comigo nelas. Então pedi autorização, coloquei a estação ecológica do Taim de um lado, a praia do lado da brinquedoteca e uni os dois pelo céu.
Enquanto fui pesquisando, arranjei parcerias. Consegui, através de Lauro Barcellos , Diretor do Complexo de Museus da Universidade Federal de Rio Grande, um acervo de 20 conchas para produzir um museuzinho, sua equipe também me encaminhou materiais sobre nosso ecossistema costeiro, agradeço Dóris Pinto Ayres Wonghon, Coordenadora Operacional do CCMar e Guy Barcellos, Coordenador Pedagógico CCMar – Museu também. Com o professor Adjunto no curso de Arqueologia, ICHI – FURG, Alex da Silva Martire, Coordenador do Laboratório Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas (ARISE), a brinquedoteca ganhou brinquedos personalizados do nosso ecossistema, eu sugiro os personagens, ele imprime e já temos agora, graças a ele, capivara, leão marinho, jubarte, boto, tartaruga, para as crianças internadas poderem brincar e aprender,
A parte de fora foi financiada com a renda adquirida com o evento do Dia do Brincar. Um evento cheio de ludicidade no hospital, onde vieram profissionais fantasiados, teve show de rock, malabaristas, mágico, músicos nas UTIs, pintura facial em trabalhadores e pacientes, cursos de palhaçaria e teatro.
Estou criando ainda historinhas com os personagens, farei os bichinhos para as crianças pintarem, darem nomes. Várias delas querem pintar também, aprender sobre os animais e visitá-los. Um paciente adulto que vai ficar internado dias me pediu para ajudá-lo a aprender a desenhar. Os profissionais me alegram todos os dias ao demonstrar alegria no corredor que eu trabalho. Pintei direto na parede... sem lápis, sem planejamento prévio no papel, eu precisava sentir o ambiente para colocar o que eu sentia faltar. Acho que por isso que ele transmite exatamente as coisas que eu gostaria de passar para as pessoas que estão ali. Fiz essas artes para os outros e isso retorna todos os dias para mim em forma de coisas boas”.
Mariana Almeida Lucas,
assistente administrativa “brinquedista” do HU – FURG
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh