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Síndrome de Transfusão Feto-fetal (STFF) afeta de 10 a 15% das gestações de gêmeos de placenta única
Na STFF, a placenta distribui de forma desigual o fluxo sanguíneo, ocasionando a transfusão de sangue de um dos fetos para o outro. Desequilíbrio faz com que um dos fetos se torne doador e o outro receptor, e os dois estão em risco.
Rio de Janeiro (RJ) – A gestação gemelar (de gêmeos) requer cuidados especiais para que tudo corra bem para a mãe e os bebês. Um caso que atinge de 10 a 15% dessas gestações é a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF), uma complicação grave, que ocorre no caso de gêmeos que compartilham a mesma placenta, chamada de gestação monocoriônica. Referência em Medicina Fetal e integrante da rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ME-UFRJ) realiza a fetoscopia para identificar e corrigir, ainda durante a gestação, os vasos sanguíneos comunicantes que causam a síndrome, as anastomoses vasculares.
A STFF é uma situação em que a placenta distribui de forma desigual o fluxo sanguíneo, ocasionando a transfusão de sangue de um dos fetos para o outro. Esse desequilíbrio faz com que um dos fetos se torne doador e o outro receptor, e os dois estão em risco. “O gêmeo doador recebe menos sangue, o que faz com que receba menos oxigênio e produza menos urina, levando à diminuição do líquido amniótico. Já o gêmeo receptor, produz líquido amniótico em excesso e pode ter distúrbios cardíacos pelo maior volume de sangue recebido”, explica o chefe da unidade de Medicina Fetal da Maternidade Escola, Cristos Pritsivelis.
A fetoscopia
O procedimento busca cauterizar com laser as anastomoses (vasos comunicantes) para interromper a ligação e equilibrar a circulação de ambos os fetos. A fetoscopia é considerada a melhor forma de tratar a síndrome e deve ser feita entre 18 e 26 semanas de gestação. Nesse procedimento, introduz-se no útero da mãe uma pequena câmera, o fetoscópio, que acoplado com uma fibra de laser irá cauterizar os vasos conectados, cessando o fluxo de sangue de um gêmeo para o outro.
Cirurgia aumenta chance de vida dos bebês
O diretor da Divisão Médica da Maternidade, Jair Braga, afirma que a cirurgia pode melhorar ou mesmo acabar com a transfusão entre os gêmeos. Por outro lado, se nada for feito, em 90% dos casos, a gestação pode ser perdida porque os bebês não resistem.
“A cirurgia é recomendável porque os resultados são bem melhores do que uma possível perda total. Realizando a intervenção, há 50% de chance de levar os dois bebês para casa, e 70% de levar um bebê. Então, os números são muito bons, mas não são 100%. Na medicina e no amor, nem sempre nem nunca”, pondera.
Sobre a Ebserh
A Maternidade Escola faz parte do Complexo Hospitalar da UFRJ, administrado pela Ebserh desde junho de 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Claudia Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh