Notícias
ALTA TECNOLOGIA
Primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda para tratar Parkinson é realizada em hospital da Rede Ebserh em Salvador
Técnica amplia a oferta de tecnologia médica para pacientes do SUS no estado baiano
Salvador (BA) – Jozivan de Sousa, 43 anos, morador da cidade de Entre Rios, no interior da Bahia, recebeu o diagnóstico de Parkinson aos 36 anos, durante um exame para obter a habilitação. Depois de tentar vários tratamentos, ele foi o primeiro paciente a passar pela cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS - Deep Brain Stimulation) no Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (Hupes-UFBA), vinculados à Rede Ebserh.
Pai de duas filhas, Jozivan Souza relatou que fazer a cirurgia era um sonho antigo. “Sei que a doença não tem cura, mas esse procedimento pode melhorar muito a nossa vida. O Parkinson me atrapalhou no serviço por conta dos movimentos e, até para dormir, às vezes preciso da ajuda da minha esposa para virar na cama. Pela manhã, consigo caminhar um pouco e andar de bicicleta, mas, pela tarde a dor aumenta e não consigo me movimentar. Mesmo assim, me esforço, pois cada minuto que consigo me movimentar, mesmo com tremores, é uma conquista. Meu maior desejo é voltar para casa e conseguir fazer uma boa caminhada ou andar de bicicleta sem interrupções”, afirmou.
O procedimento de alta complexidade durou cerca de seis horas e foi conduzido pelos neurocirurgiões Washington Luiz de Oliveira e Marcelo Viana Barroso, com o apoio da equipe multiprofissional da instituição. Além do impacto positivo para pacientes em atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o procedimento representa um avanço significativo para a unidade hospitalar, consolidando sua capacidade de realizar intervenções de alta tecnologia na Bahia.
Marcelo Barroso destacou que há uma grande demanda de pacientes com Parkinson na Bahia e que, por meio da nova contratualização com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), serão realizadas duas cirurgias por mês. Temos um Ambulatório de especialidade onde é realizado o acompanhamento desses pacientes. Antes, eles precisavam recorrer ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para realizar a cirurgia. Agora, podemos oferecer esse procedimento no próprio Hupes-UFBA. No entanto, nem todos os pacientes têm indicação para a cirurgia, sendo necessária uma avaliação conjunta das equipes da neurologia, neuropsicologia e neurocirurgia”, explicou.
Cuidado integral e com tecnologia de ponta
Carol Serrano, neuropsicóloga, destacou que os/as pacientes passam por uma avaliação para analisar suas funções cognitivas e identificar possíveis sinais de declínio. “Eles são acompanhados pelo ambulatório de Neuropsicologia por aproximadamente quatro semanas. Durante esse período, realizamos testes neuropsicológicos e aplicamos escalas emocionais para avaliar se suas funções cognitivas estão preservadas”, explicou.
Além dessa avaliação pré-operatória com a neuropsicóloga, o neurocirugião Washington esclareceu que, antes do procedimento, é realizada uma ressonância magnética para obter imagens detalhadas do cérebro do/a paciente. No dia da cirurgia, uma nova tomografia é feita para complementar o planejamento.
Marcelo acrescentou que um software especializado é utilizado para fundir as imagens da tomografia e da ressonância magnética. “Esse processo funciona como um GPS cerebral, permitindo a localização precisa dos núcleos cerebrais que serão estimulados. Estamos utilizando o eletrodo mais moderno disponível, o multidirecional, que já proporciona melhorias ao paciente logo após a cirurgia. Normalmente, eles saem do pós-operatório já com algum grau de melhora”, explicou. No dia seguinte, uma nova tomografia é realizada e, estando tudo bem, o paciente pode receber alta, retornando ao Ambulatório de Especialidades em aproximadamente três a quatro semanas.
Avanço nos tratamentos neurológicos
“Após todo esse acompanhamento, realizamos a implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro. Eles são conectados a um gerador de impulsos, similar a um marca-passo, que é implantado sob a pele do peito. O dispositivo envia estímulo elétrico ao cérebro, ajudando a regular os sinais nervosos anormais que causam os sintomas motores da doença de Parkinson, como tremores, rigidez, movimentos lentos e movimentos involuntários”, ressaltou Washington.
A doença de Parkinson é uma condição neurológica caracterizada, principalmente, pela limitação motora. Esse distúrbio afeta os movimentos devido à degeneração das células responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle da mobilidade.
Para o superintendente do Hupes-UFBA, José Valber Meneses, é uma grande alegria para a instituição oferecer mais um procedimento de alta complexidade à população baiana. “Isso reafirma o compromisso do Hupes-UFBA como um hospital de média e alta complexidade, além de sua atuação no ensino, pesquisa e extensão. Há anos contamos com um ambulatório especializado no atendimento a pacientes com distúrbios de movimento, e agora, graças ao contrato com o Governo do Estado, temos a felicidade de de realizar esse procedimento. Essa conquista proporciona mais conforto aos pacientes que necessitam de um serviço de saúde de qualidade”, frisou.
A prima de Jozivan, Edmea Oliveira da Silva, expressa sua gratidão. “Agradeço todo o acolhimento que esse hospital teve conosco. Estávamos há mais de cinco anos esperando por uma solução. Temos esperança de que ele ficará bem e que voltará a fazer as atividades, como ele sempre gostou de fazer”.
Sobre a Ebserh
O Hupes-UFBA/Ebserh faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Danielle Morais
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh