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BEM-ESTAR E SAÚDE
HUB tem grupo de apoio para pacientes com doença inflamatória intestinal
Uma vez por mês, cerca de 40 pacientes se reúnem para assistir a palestras e trocar experiências.
Brasília (DF) - A empresária Míria Antunes começou a sofrer com diarreias e sangramentos frequentes em 1997. Os médicos desconfiaram de várias doenças, até mesmo de câncer e HIV. Dois anos depois, aos 25 anos de idade, ela recebeu o diagnóstico: doença infamatória intestinal.
“Foi um sofrimento até chegar ao diagnóstico correto. Após descobrir, o preconceito foi grande, porque as pessoas desconhecem a doença”, conta Míria.
Para suportar o medo e o preconceito, Míria começou a frequentar um grupo de apoio, que funciona há mais de vinte anos no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB). Uma vez por mês, cerca de 40 pacientes se reúnem para assistir a palestras e trocar experiências. Durante o tratamento, Míria precisou se mudar de Brasília. Morou oito anos em Goiânia, mas vinha à capital federal todo mês para os encontros. “O grupo contribui para que eu conheça melhor a doença e para a troca de conhecimento entre os amigos”, completa.
O grupo foi idealizado pelo gastroenterologista José Augusto de Araújo Pires, que trabalhou no HUB por 35 anos. Aposentado desde 2007, o médico ainda atua no hospital como voluntário. “Se o paciente conhecer a doença, é mais fácil lidar com ela, e esse é o objetivo do grupo. Observamos que até o índice de internação desses pacientes diminuiu, porque eles já sabem como agir em algumas situações”, explica José Augusto.
O trabalho é feito por uma equipe multiprofissional, formada por nutricionista, psicólogo, proctologista e gastroenterologista. “Instruir o paciente é condição primordial para que ele passe a ter uma posição ativa em relação a promover a saúde e tratar enfermidades. Essa reunião que funciona há mais de 20 anos no HUB é um dos exemplos das atividades exercidas dentro do hospital”, diz o superintendente da instituição, Hervaldo Sampaio Carvalho.
A paciente Márcia Bezerra, que trabalha com apoio administrativo, descobriu a doença aos 23 anos e está no grupo desde que foi criado. “É muito importante esse carinho, esse entrosamento, essa convivência. O grupo ajuda a saber o que pode e o que não pode nos momentos da crise. As pessoas se comunicam e dão apoio umas às outras”, garante Márcia.
A doença
A doença inflamatória intestinal é autoimune e causa hipersensibilidade no trato digestivo e provoca sintomas que podem comprometer a qualidade de vida do paciente, que vão desde diarreia a lesões na boca até o ânus.
Antigamente, o diagnóstico era difícil e levava até três anos para ser confirmado. Na última década, o conhecimento e o acesso a exames como endoscopia, ressonância e tomografia facilitaram a identificação da doença. “Ela está sendo cada dia mais diagnosticada graças aos avanços na investigação e também pela melhora sanitária que o país passou nos últimos anos”, explica o médico gastroenterologista do HUB, Ricardo Jacarandá.
Os pacientes podem apresentar complicações nutricionais, articulares, oculares e dermatológicas, hemorragias, infecções e possuem risco maior de desenvolver câncer de intestino. O tratamento é baseado em medicações. A causa ainda não é conhecida, mas estudos mostram que pode estar ligada à genética. Fatores ambientais e emocionais podem favorecer a manifestação da doença.
Assessoria de Comunicação do HUB