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CARNAVAL
Especialistas compartilham dicas para curtir a folia com saúde e segurança
Prevenção de ISTs, cuidados com a pele e hidratação são essenciais durante a folia
Nesta reportagem, você vai ver:
Alerta sobre o uso de drogas e outras substâncias
Cuidados com o Sol
Hidratação e saúde dos rins: match necessário
Brasília (DF) - Carnaval é sinônimo de diversão e descontração. No entanto, é importante não esquecer de cuidar da saúde. Para que a festa seja segura, especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) compartilham dicas práticas e indispensáveis para manter o corpo e a mente em equilíbrio.
Durante a folia, o aumento das interações sociais pode elevar o risco de exposição às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). De acordo com o infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), Julius Monteiro, o uso de preservativos (internos ou externos) e lubrificantes, a PrEP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição) são importantes estratégias de prevenção. “A abordagem combinada protege contra diversas ISTs, como HIV, sífilis, gonorreia, HPV e herpes genital”, informa.
Alerta sobre o uso de drogas e outras substâncias
Uma prática que tem se tornado comum entre os jovens é o chamado “chemsex” (ou “sexo químico”), que consiste no uso de substâncias psicoativas durante o ato sexual com a intenção de provocar desinibição ou aumentar a percepção do prazer. Apesar de ser um termo antigo (foi cunhado pelo militante David Stuart, em Londres, nos anos 2000), o “sexo químico” tem crescido no Brasil, especialmente após a pandemia de Covid-19.
O uso combinado de drogas, antes ou durante o sexo, é um problema de saúde pública, tanto pela questão do abuso de substâncias psicoativas como pelo aumento no risco de infecção por HIV e outras ISTs. Segundo o chefe da Assistência em Infectologia do Hospital das Clínicas da UFPE, Paulo Sérgio Ramos, “em Pernambuco, podemos inferir que, de longe, as substâncias psicoativas mais frequentemente implicadas nestas práticas sexuais sejam as bebidas alcoólicas e a canabis (maconha), em virtude do menor custo e maior aceitação social". Quando o foco dessa análise se concentra no grupo de homens que fazem sexo com homens (HSH), percebe-se o uso crescente de cocaína, Ecstasy (metanfetamina) e LSD.
Os riscos imediatos do “sexo químico” estão no descuido com o uso de preservativos e profilaxia pré-exposição ao HIV, além dos riscos inerentes às substâncias e dose empregada, que podem ser tóxicos para coração, fígado e rins, inclusive com risco de morte súbita por overdose. Nos médio e longo prazos, aparecem os riscos de danos à saúde física e mental, como a dependência química às substâncias empregadas.
Cuidados com o sol
Outro risco que costuma aumentar durante o feriado é a exposição excessiva ao sol. O uso de protetor solar é essencial para proteger a pele dos danos causados pela exposição direta aos raios UV, que podem provocar queimaduras, envelhecimento precoce e aumentar o risco de câncer de pele no futuro, conforme afirma a dermatologista da Unidade de Clínica Médica do HUGV-Ufam, Patrícia Amaral Couto.
Ela explica que o protetor deve ser passado sempre antes de sair de casa e reaplicado a cada duas horas, com FPS maior que 50 para garantir maior proteção. Sempre que possível, é importante buscar sombra e evitar a exposição ao sol durante os horários mais intensos, entre 9h e 16h.
Maquiagens, glitters e fantasias, bastante utilizados nessa época, também podem causar alergias ou irritações. Para evitar, segundo Couto, deve-se usar produtos de boa qualidade, dermatologicamente testados e hipoalergênicos, lembrando sempre de higienizar os pincéis e esponjas antes do uso. “Também é importante usar roupas e calçados fechados, leves e respiráveis e não compartilhar objetos pessoais. Após o uso de roupas molhadas ou suadas, indica-se tomar banho e trocar rapidamente de roupa para manter a pele limpa e seca”, orienta.
Hidratação e saúde dos rins: match necessário
O especialista em saúde renal do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), Douglas Rafanelle, esclarece que “sobre bebidas alcoólicas, aqui a mais consumida é a cerveja, que geralmente tem 95% de água e 5% de álcool. Por essa composição, o indivíduo pode imaginar que já está se hidratando. Porém, é preciso saber que a cerveja tem efeito diurético”. Isso significa que a perda de líquido por meio da urina desequilibra esses percentuais e a bebida alcoólica pode ter efeito contrário: a desidratação. “Em nosso cotidiano, recomenda-se a ingestão de água entre 30 e 35 ml por quilograma de peso da pessoa”, afirmou. Ainda segundo Rafanelle, cada corpo possui diferentes necessidades e requer uma avaliação individual.
O comprometimento da função renal é silencioso e as consequências desses excessos em períodos festivos prolongados se manifestam a longo prazo. “Alguns estudos sugerem que o consumo de álcool pode promover a fibrose renal, um processo que pode levar à deterioração da função renal por meio da ativação do estresse oxidativo e da metilação do DNA. Isso pode gerar tanto lesões renais agudas como crônicas”, finalizou.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Coordenadoria de Comunicação Social
Ebserh