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ALEGRIA
Crianças com câncer comemoram festa junina no Hospital de Clínicas de Curitiba
Curitiba (PR) - Quem viu a pequena Luana se divertindo, nem poderia imaginar que a menina luta contra um tumor desmoplásico, um tipo de câncer no pulmão, há três anos e meio. Durante toda a semana, ela conciliou a quimioterapia com as brincadeiras de argolas, pescaria e jogar a bola na boca do palhaço. Do seu leito, todos esses jogos estavam a apenas uma escada de distância, instalados no térreo do ambulatório, onde foi realizada a tradicional Festa Junina do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR).
“Ela se sentia motivada a acordar cedo e realizar o tratamento, pois sabia que poderia vir aqui e se divertir, não apenas tomar a medicação. Como ela não está na escola, aqui ela tem contato com outras crianças. Só de ver o sorriso dela, eu já me alegro”, relata a mãe, Sabrina Sustinoni.
Assim como os pacientes, as famílias também ficam aliviadas em momentos festivos. O projeto CriArte organiza as comemorações no Ambulatório de Hemato-Oncologia, local que atende crianças com os diversos tipos de cânceres e doenças sanguíneas. Algumas das atividades oferecidas são balé, oficinas de instrumentos musicais, desenho, pintura e teatro, entre outras.
Solange de Fátima é a mãe da alegre Scarlett, que há um ano se trata contra uma leucemia linfóide aguda – câncer nos glóbulos brancos do sangue. Ela aprova o trabalho do grupo. “Quando tem essas festas, as crianças ficam mais animadas. Hoje foi o único dia que a Scarlett pôde vir. Ela subiu a escada para coletar sangue e, quando fui ver, cadê ela? Estava lá embaixo dançando”, conta aos risos Solange.
Mas quais são os sentimentos dos familiares e de quem está no dia a dia hospitalar? “Nós mães ficamos mais relaxadas. Se elas [as crianças] ficam pra baixo, imagine a gente que os acompanha direto?”, finaliza a mãe de Scarlett.
Zulmira Alves é a professora responsável por dar aulas às crianças que, infelizmente, têm de parar de frequentar a escola para se dedicar aos tratamentos. Para a docente, é um grande momento de diversão. “Algumas chegam aqui aborrecidas e tristes por causa dos procedimentos médicos, como tomar os vários remédios. Quando veem que tem festa, elas já mudam de humor, participam mais das consultas, voltam para a festa e ficam mais animadas”, afirma.
Diversão e sorrisos
Além dos jogos, havia também a quadrilha com músicas de festa junina e quitutes tradicionais. Todos que consultaram no período da festa puderam participar, o que totaliza 100 a 120 pacientes – de bebês a adolescentes - segundo a assistente social Ielsa Tramujas, coordenadora do projeto CriArte.
“O sentimento é que conseguimos fazer com que o foco para eles seja alegria e diversão. Também queremos mostrar que os profissionais se importam realmente em realizar um atendimento integral e não somente ‘olham’ à questão clínica”, declara.
A realização da festa junina foi possível graças à ajuda de voluntários da Associação Paranaense de Apoio à Crianças com Neoplasia (APACN), do Projeto "Criarte" do Complexo Hospital de Clínicas (HC e Maternidade Victor Ferreira do Amaral) e do Clube Curitibano que, juntos, contribuíram com brindes, pipocas e doces.
Com informações do CHC-UFPR