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CHC-UFPR
Após quase oito meses de internação no Hospital da Ebserh em Curitiba (PR), bebê com menos de 10 meses recebe alta
Curitiba (PR) – No último dia 28 de maio, o pequeno Matheo Andrés Gonzalez, com nove meses e 25 dias de vida, teve alta do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), parte da rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Ao todo, ele passou 7 meses e 27 dias internado no CHC, enfrentando diversas complicações e procedimentos cirúrgicos que incluíram uma traqueostomia (para respiração) e uma gastrostomia (para alimentação).
Matheo, que nasceu no próprio CHC, foi internado em outubro do ano passado junto com seu irmão gêmeo Milan, ambos com problemas respiratórios. Mas, enquanto Milan melhorou e foi para casa, Matheo teve problemas graves que o levaram a uma longa internação na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do CHC, que felizmente se encerrou nesta data, com sua alta.
A ida de Matheo para casa, porém, foi possível não só por sua boa recuperação, mas também pela preparação de sua família para recebê-lo e continuar com os cuidados de saúde que ele ainda necessita. Tudo isso como parte do processo de desospitalização, que trata da transição dos pacientes do ambiente hospitalar para outros, seja o domicílio, seja outra instituição de saúde. O CHC-UFPR é pioneiro na gestão de altas hospitalares, desenvolvendo uma área que prepara a família e o paciente para sua saída segura da UTI Pediátrica.
Etapas para a desospitalização
“O processo de desospitalização precisa ser iniciado desde a admissão, visando identificar demandas de cuidados que possam perdurar até o momento da alta”, explica a enfermeira de ligação da Gestão de Altas (GA), Tatiana Braga. Ela afirma que é necessário que a equipe multiprofissional enxergue acima do motivo do internamento, e considere o paciente e sua família como um todo.
Os passos dados para a desospitalização começam quando a demanda de continuidade de cuidado é identificada. Em seguida, a família é orientada sobre esse processo e a equipe começa a orientação sobre os cuidados ao paciente e família, bem como os encaminhamentos necessários junto à Rede de Atenção à Saúde (RAS). Ao mesmo tempo, inicia-se um processo de negociação com essa Rede sobre recursos disponíveis, prazos e previsão de alta. “Se o paciente está estável clinicamente, recursos da RAS disponíveis, e família treinada, o paciente estará apto para a alta”, acrescenta Tatiana.
No caso de Matheo, sua mãe, Maria Elena Gonzalez, foi capacitada pela equipe de enfermagem, fisioterapia e nutrição em vários procedimentos para cuidar de seu filho, agora em casa. Ela está preparada para fazer aspiração da traqueostomia, usar o suporte de oxigênio, alimentação pela sonda, higienização e troca das bolsas de ostomia. Ainda no hospital, Maria passou a conduzir estes procedimentos em seu filho, com acompanhamento da equipe multiprofissional.
Preparação da família
Segundo a assistente social da UTIP, Solange Coning, a equipe de saúde entende que a desospitalização de crianças e adolescentes é um processo complexo e multifatorial, que exige uma preparação cuidadosa da família para garantir um retorno domiciliar seguro. Ela completa que esse preparo tem início já na admissão da criança na UTIP, por meio do acolhimento e da escuta qualificada da família, permitindo a identificação do perfil sociofamiliar, do principal cuidador e das condições de moradia. No caso, a família de Matheo é venezuelana, mora no Brasil há menos de dois anos. Além do irmão gêmeo e dos pais, Matheo ainda tem um irmão mais velho, Mathias, que já tem 11 anos.
“O acompanhamento da evolução clínica da criança é essencial para que a desospitalização seja intensificada quando o seu quadro clínico estiver estável”, diz Solange. Segundo ela, cada criança demanda um plano individualizado, e elaborado em conjunto com a equipe multiprofissional de saúde. “Para que a desospitalização seja segura e efetiva, é fundamental que a preparação da família ocorra de forma compartilhada, prática e orientada, sempre articulada com a RAS, e assim, garantindo os seus direitos”, conclui.
Em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS), Matheo já recebeu da Secretaria da Saúde um kit de oxigênio suplementar, será atendido em casa pelo Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) e será acompanhado tanto pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) quanto pela Associação Paranaense de Ostomizados (APO), bem como nos ambulatórios especializados do CHC.
Equipe envolvida no CHC
A responsável técnica pela UTIP é a médica intensivista Adriana Koliski. O Grupo de Trabalho de Desospitalização é coordenado pelo fisioterapeuta Bruno Miranda e pela enfermeira Tatiana Braga. A equipe é integrada por duas médicas intensivistas pediátricas, duas enfermeiras, uma assistente social, quatro fisioterapeutas; uma farmacêutica; duas nutricionistas e uma enfermeira de ligação.
Sobre a Ebserh
O CHC-UFPR faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh