AVIAÇÃO CIVIL

Nova gestão do Galeão mira ampliação da conectividade aérea e atração de novos empreendimentos comerciais

Mecanismo regulatório pode viabilizar cerca de R$ 1 bilhão em investimentos privados no aeroporto, incluindo hotel, centro de testes automotivo e hangar de manutenção aeronáutica

Publicado em 13/10/2026 15:15
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Ministro Tomé e outras autoridades em coletiva de imprensa
Aeroporto do Galeão inicia nova etapa de gestão, com previsão de empreendimentos comerciais e ampliação da conectividade aérea. Foto: Eduardo Oliveira/MPor

A nova etapa da concessão do Aeroporto Internacional do Galeão combina planos para ampliar as conexões aéreas com a previsão de cerca de R$ 1 bilhão em investimentos privados em empreendimentos comerciais nos próximos três anos. As informações foram apresentadas pela Aena Brasil nesta terça-feira (13), no Rio de Janeiro, durante coletiva de imprensa com a participação do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. O encontro ocorre após a concessionária ter assumido o controle do Aeroporto Internacional do Galeão, em 6 de outubro.

Os números de 2026 mostram a dimensão do mercado atendido pelo aeroporto e o espaço para fortalecer as ligações entre o Rio de Janeiro, outras cidades brasileiras e destinos no exterior. De janeiro a agosto, o Galeão movimentou 12,67 milhões de passageiros, alta de 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O fluxo internacional chegou a 4,32 milhões de passageiros, crescimento de 13,8%.

Tomé Franca destacou a importância de aproveitar a infraestrutura existente para ampliar a conectividade do terminal e gerar oportunidades para o turismo e a economia. “O Brasil precisa de mais aeroportos vocacionados ao turismo internacional e, sem dúvida alguma, essa é a vocação do Aeroporto do Galeão. Por sua infraestrutura e capacidade já existentes e também pela vocação natural do Rio de Janeiro, com suas belezas naturais e culturais, o aeroporto pode ser um importante motor do desenvolvimento do estado e do turismo no Brasil”, afirmou.

Rede pode ampliar conexões

Com a incorporação do Galeão, a Aena passou a administrar 18 aeroportos brasileiros, que movimentam juntos cerca de 63 milhões de passageiros por ano. A presença do terminal nessa rede pode favorecer a articulação de rotas e a negociação com companhias aéreas, especialmente para ampliar a oferta de voos internacionais.

Uma das possibilidades em discussão é coordenar a malha doméstica do Galeão com a de Congonhas (SP), também administrado pela Aena. A proposta é ampliar as alternativas de conexão para passageiros que partem de outras regiões do país, ajudando a compor a demanda necessária à operação de voos internacionais.

O ministro também ressaltou a importância de dar continuidade às políticas públicas voltadas à concorrência e à conectividade aérea. “Precisamos estruturar o crescimento da aviação com uma política de Estado, que tenha continuidade nos próximos anos. Hoje, já contamos com grandes aeroportos e capacidade instalada para ampliar a oferta de voos. O desafio agora é aumentar o número de rotas e frequências, conectar mais cidades e levar mais passageiros a voar pelo Brasil”, afirmou.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, destacou a importância do Galeão para a conectividade aérea internacional e para o desenvolvimento do Rio de Janeiro e do país. “Precisamos entender o Rio de Janeiro como um todo, como um hub de crescimento. Com a chegada de mais passageiros, surgem novas oportunidades. Todos nós estamos unidos no propósito de fazer o Terminal Rio de Janeiro crescer e, com ele, a cidade. O Aeroporto do Galeão é importante para a conectividade internacional não apenas do Rio, mas de todo o Brasil. Por isso, o crescimento do Galeão significa também o crescimento do país”, afirmou.

Concessões e novos empreendimentos

A nova etapa da concessão do Galeão também envolve mudanças no modelo de remuneração da União. A repactuação prevê uma contribuição variável equivalente a 20% da receita bruta anual da concessionária e de suas subsidiárias integrais, substituindo o modelo de contribuições fixas. O prazo contratual permanece até maio de 2039.

A operação de venda assistida foi concluída com um lance de R$ 2,9 bilhões para a aquisição da sociedade concessionária. Esse valor corresponde à compra da empresa, e não a investimentos em obras ou melhorias no aeroporto.

Durante a apresentação, o diretor-presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, informou que a expectativa é de cerca de R$ 1 bilhão em investimentos de terceiros no sítio aeroportuário ao longo de três anos. Entre os empreendimentos previstos estão um hotel de bandeira internacional; um centro de testes da montadora BYD; e um hangar de manutenção de aeronaves da Gol. A apresentação também prevê novos galpões logísticos e a expansão de uma estrutura já existente.

A possibilidade de viabilizar projetos desse porte está relacionada a regras do Ministério de Portos e Aeroportos, que permitem contratos comerciais com vigência superior ao prazo restante da concessão. A autorização depende de análise da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), incluindo a avaliação da viabilidade econômica do empreendimento e de sua compatibilidade com o contrato de concessão. Segundo a Aena, os empreendimentos previstos podem gerar cerca de 3.860 empregos.

Santiago Yus também destacou a possibilidade de aproveitar a rede de aeroportos administrados pela empresa no país para ampliar as conexões aéreas a partir do Galeão. “Podemos aproveitar a experiência que já estamos desenvolvendo com companhias aéreas em outras localidades do Brasil e trazê-la para o Galeão. A ideia é explorar o potencial da nossa rede de aeroportos para criar diferentes possibilidades de conexão, como voos de São Paulo ou Recife pelo Rio de Janeiro rumo a destinos internacionais”, afirmou.

Impacto para o turismo e a economia

A conectividade aérea tem reflexos sobre a chegada de visitantes, a realização de negócios e a circulação de cargas. De janeiro a agosto de 2026, os gastos turísticos na cidade do Rio de Janeiro foram estimados em R$ 22,5 bilhões, segundo informações do Banco Central.

A infraestrutura aeroportuária contribui para conectar esse mercado a outras regiões do Brasil e ao exterior. Para que esse potencial se traduza em resultados, a ampliação das rotas precisa acompanhar a demanda e vir acompanhada de qualidade operacional, segurança e boas condições de atendimento.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Categorias
Infraestrutura, Trânsito e Transportes
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