PESQUISA HIDROVIÁRIA

Entenda como simulações em laboratório podem contribuir para a navegação nos rios brasileiros

Com impressão 3D e modelos físicos e digitais, pesquisadores analisam como correntes e curvas afetam a passagem de embarcações

Publicado em 29/09/2026 14:07
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Tanque de laboratório que simula um trecho de rio para estudos de navegação.
Reproduzir um rio exige mais do que copiar o formato do leito e das margens. Para que os testes sejam úteis, a água também precisa se comportar no modelo de maneira semelhante à observada na natureza. Foto: Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias/Dnit

Um rio pode caber dentro de um laboratório? Em escala reduzida, a resposta é sim. É dessa forma que pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), vinculado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), estudam o movimento da água e a passagem de comboios por trechos com curvas e correntes fortes.

Com impressão 3D, inteligência artificial e simulações, a equipe busca identificar dificuldades de navegação e avaliar soluções voltadas à segurança e à eficiência das hidrovias.

Atualmente, a equipe do INPH trabalha com dois modelos de trechos que apresentam curvas e correntes fortes. Um está em fase de avaliação e ensaios; o outro, na etapa final de construção, antes da calibração. Ambos foram concebidos para estudar condições que podem dificultar a passagem de comboios formados por chatas e empurradores.

Imagine um comboio de barcaças carregadas de soja se aproximando de uma curva do rio. Se uma corrente lateral empurrar as embarcações, a manobra pode ficar mais difícil. No laboratório, os pesquisadores reproduzem essa situação em escala e observam como o comboio se comporta em diferentes condições. Os testes ajudam a identificar dificuldades de passagem e a avaliar medidas para tornar a navegação mais segura.

Um rio em escala reduzida

Modelo de embarcação com cobertura azul em um canal de água estreito, visto de cima.
Modelo de embarcação com cobertura azul em um canal de água estreito, visto de cima.

Reproduzir um rio exige mais do que copiar o formato do leito e das margens. Para que os testes sejam úteis, a água também precisa se comportar no modelo de maneira semelhante à observada na natureza.

Para isso, os pesquisadores utilizam a lei de semelhança de Froude, princípio que permite reproduzir, em escala, fenômenos hidráulicos relacionados à velocidade, à vazão e às forças exercidas pela água.

Depois da construção vem a calibração, etapa em que as medições obtidas no laboratório são comparadas com dados coletados no rio para verificar se o modelo representa adequadamente as condições reais.

Com essa correspondência estabelecida, a equipe pode realizar ensaios e observar como as correntes influenciam a trajetória das embarcações. Os resultados ajudam a reconhecer pontos que exigem maior atenção durante a passagem e a manobra dos comboios.

Do levantamento à impressão 3D

A construção de um modelo começa com um levantamento topobatimétrico, que registra as características do terreno acima e abaixo da água. A partir dessas informações, os pesquisadores criam um “gêmeo digital”, representação virtual detalhada do trecho estudado.

Essa versão digital é dividida em partes, impressa em 3D e montada no laboratório como um grande quebra-cabeça. Segundo o Instituto, a manufatura digital reduz o tempo de construção e aumenta a precisão do modelo físico, permitindo erros inferiores a um milímetro na construção.

A unidade utiliza recursos de manufatura digital desde 2022, inclusive em projetos de molhes e estruturas de proteção costeira. A impressão 3D amplia essa experiência nos estudos hidroviários, ao transformar dados coletados no rio em peças que podem ser montadas e testadas.

O rio também é estudado no computador

Montagem de três fotos mostra uma Montagem de três fotos mostra uma impressora 3D produzindo uma peç
Impressora 3D produzindo uma peça preta, da etapa inicial à peça concluída. Foto: INPH/Dnit

Antes e durante os ensaios físicos, programas de modelagem numérica permitem avaliar diferentes cenários e condições hidrológicas. As análises consideram séries históricas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Programas de desenho assistido por computador, conhecidos como CAD, também são utilizados na criação do gêmeo digital.

No laboratório, câmeras de rastreamento por infravermelho acompanham o fluxo da água e a trajetória de comboios reproduzidos em escala. Os registros ajudam os especialistas a observar dificuldades de passagem e de manobra sob diferentes condições.

As informações coletadas no rio, nos modelos físicos e nas simulações são reunidas em um simulador de manobras. A ferramenta permite avaliar, em tempo real e em ambiente virtual, as condições de navegabilidade em diferentes cenários.

Inteligência artificial auxilia os pesquisadores

Cada medição, simulação e ensaio produz dados que precisam ser organizados e analisados. De acordo com o INPH, recursos de inteligência artificial, na forma de inteligência computacional aplicada, auxiliam na análise, validação e catalogação dessas informações ao longo da pesquisa.

As ferramentas ajudam a comparar resultados, mas a interpretação dos dados e a avaliação das alternativas cabem aos especialistas. É a combinação entre tecnologia e conhecimento técnico que permite compreender melhor as dificuldades encontradas pelas embarcações e estudar possíveis soluções.

Ao reproduzir trechos de rios no computador e no laboratório, os pesquisadores podem investigar como uma corrente afeta uma manobra e testar diferentes condições de passagem. Esse conhecimento oferece suporte técnico a decisões voltadas a uma navegação mais segura e eficiente.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Categorias
Infraestrutura, Trânsito e Transportes
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