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Entre o voo e o acolhimento: como as salas multissensoriais estão transformando a experiência de famílias neurodivergentes

Iniciativa comandada pelo Ministério de Portos e Aeroportos busca tornar a aviação brasileira mais acessível, inclusiva e acolhedora

Publicado em 05/06/2026 11:00
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Mãe e filho sentados em poltronas de avião folheiam um livro
Mariana Lima e Diogo, de seis anos. Foto: MPor

Luzes intensas, avisos sonoros constantes, filas, movimentação acelerada e mudanças na rotina fazem parte da dinâmica dos aeroportos. Para quem convive com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse percurso pode representar um desafio tão significativo quanto o próprio destino. pois o conjunto de estímulos pode desencadear sobrecarga sensorial, ansiedade e situações de grande estresse em passageiros neurodivergentes, transformando um momento que deveria ser de alegria em uma experiência difícil para toda a família. 

Pensando nesses passageiros, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) desenvolveu o Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista. A iniciativa busca tornar a aviação brasileira mais acessível, inclusiva e humana, colocando as necessidades das pessoas no centro da experiência de viagem. 

Uma das principais ações do programa é a implantação de salas multissensoriais nos aeroportos do país. A meta inicial de instalar 20 unidades até 2026 já foi superada. Atualmente, o Brasil conta com 22 espaços em funcionamento e 11 locais de acomodação, além de outras oito unidades previstas até 2027.

Acesse a lista de aeroportos com salas sessoriais disponíveis.

Para Mariana Lima, mãe de Diogo Lima, de 6 anos, os resultados dessa política pública podem ser percebidos em algo simples, mas extremamente valioso: a tranquilidade de viajar. "Viajar com o Diogo sem ter essa sala para facilitar, para ele se regular, é de fato uma loucura", relata. Segundo ela, situações comuns em um aeroporto podem ser gatilhos para o filho. "Quando tem muita gente, muito barulho, muita correria, quando ele sente que a gente está nervoso porque atrasou ou porque vai chegar atrasado, ele fica muito nervoso". 

Hoje, a realidade é diferente. Antes de embarcar, a família encontra um ambiente preparado para acolher suas necessidades. Um espaço pensado para reduzir estímulos, oferecer previsibilidade e permitir que Diogo se organize emocionalmente antes da viagem. 

A história dos dois se mistura à de milhares de famílias brasileiras que convivem diariamente com os desafios do espectro autista. Mais do que uma estrutura física, a sala multissensorial representa um ponto de apoio em meio à intensidade do ambiente aeroportuário. "E o bom dessa sala multissensorial é que os pais também descansam", conta Mariana. "Os pais acabam se regulando junto com a criança. A gente consegue acompanhar o horário do voo e não perde o embarque." 

O impacto dessas iniciativas também é percebido por quem trabalha diretamente no atendimento aos passageiros. No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, os profissionais enxergam a sala como um instrumento de inclusão, acolhimento e pertencimento. 

"Eu vejo a Sala Multissensorial com uma importância muito grande, não só aqui no Santos Dumont, mas em todos os aeroportos", afirma a estagiária de pedagogia, Caroline Martins. 

Para Daniel Correia da Silva, que atua no atendimento aos usuários do espaço, os benefícios vão muito além do conforto. "Não é só a questão de passar um tempo até o horário do voo. É acolher aquela pessoa, fazer com que ela se sinta pertencente àquele ambiente." 

Esse acolhimento não se limita à infraestrutura. O programa prevê a capacitação das equipes aeroportuárias para oferecer um atendimento atento, empático e personalizado aos passageiros neurodivergentes. Guias, cartilhas e treinamentos foram desenvolvidos para orientar os profissionais da aviação e contribuir para uma experiência mais inclusiva em todas as etapas da jornada. 

Segundo Eunice Cerqueira, coordenadora de Facilitação da Infraero, o objetivo é garantir que os passageiros encontrem um ambiente verdadeiramente acessível. "Queremos proporcionar aos passageiros um ambiente mais acolhedor, garantindo um espaço onde eles possam se autorregular enquanto aguardam o horário do voo." 

Duas pessoas sentadas em poltronas de aviação, testam os equipamentos em uma sala multicolorida.
Caroline Martins e Daniel Correia equipe da sala multissensorial do Aeroporto Santos Dumont (RJ) Foto:Mpor

Entre os usuários do espaço está a estudante Melissa de Souza, que conhece bem os desafios causados pelo excesso de estímulos em ambientes movimentados. Para ela, a existência de um local preparado para oferecer conforto e segurança faz toda a diferença. "Ter um lugar para deitar-se, buscar uma posição confortável, realmente é muito bom." 

Mais do que adaptar aeroportos, a iniciativa busca promover uma mudança de cultura. Transformação que reconhece a inclusão não como um serviço complementar, mas como parte essencial da experiência de viajar. São avanços que podem parecer simples à primeira vista, mas que carregam um significado profundo para milhares de famílias. Afinal, quando uma pessoa consegue embarcar com mais autonomia, segurança e tranquilidade, o que está sendo garantido vai muito além do acesso ao transporte. 

Assessoria Especial de Comunicação Social 
Ministério de Portos e Aeroportos 

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Infraestrutura, Trânsito e Transportes > Transporte Aéreo
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