Iphan entrega certificados de Patrimônio Cultural Brasileiro a bois-bumbás de Manacapuru (AM)
As agremiações integram o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou nesta quinta-feira, 11 de junho, os certificados de Patrimônio Cultural Brasileiro aos bois-bumbás Mura, Estrela do Norte e Kamayurá, do município de Manacapuru, localizado a 101 quilômetros de Manaus (AM). As três agremiações integram o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2018.

O reconhecimento reforça a política de salvaguarda do Iphan e amplia a visibilidade de uma tradição que é parte central da identidade cultural amazônica e brasileira. O Iphan fez o mapeamento dessas manifestações e registra, até o momento, mais de 20 bois-bumbás ativos, atualmente em 11 municípios.
“Provavelmente, esse número é maior. A salvaguarda tem como objetivo continuar mapeando e entregando o certificado para cada boi, articulando esse coletivo e valorizando tanto os grandes festivais quanto às expressões locais e comunitárias que mantêm viva essa tradição”, afirmou a superintendente da autarquia no Amazonas, Beatriz Calheiro.
Para o presidente do boi-bumbá Kamayurá, Rosemauro de Oliveira Franco, a certificação é uma esperança de dias melhores para a cultura. “Acredito que o certificado vai trazer oportunidades melhores para engrandecer o nosso festival e engrandecer a nossa cultura manacapuruense. É a emoção mais forte que bate no nosso coração”, disse.

“Essa certificação representa um reconhecimento depois de 20 anos lutando com o nosso festival e eu só tenho a agradecer”, enfatizou Carlos Eduardo Souza de Andrade, presidente do Boi-bumbá Mura.
“Agora, o nosso boi-bumbá vai ter uma relevância maior e ser bem mais reconhecido em Manacapuru. É o que a gente estava precisando. Era ser reconhecido no nosso município. Agora a gente já tem nome”, declarou o presidente da Agremiação Recreativa e Folclórica Boi-bumbá Estrela do Norte, Antônio Bezerra de Sena.
O Complexo Cultural do Boi-Bumbá
O folguedo do Boi chegou à Amazônia ainda no século XVII, por meio das missões jesuíticas, e foi incorporando influências indígenas, afro-brasileiras e, mais tarde, de migrantes nordestinos atraídos pela economia da borracha. Dessa mistura surgiram expressões diversas do Boi no Médio Amazonas e em Parintins, divididas em três formas: o boi de terreiro, em que o auto do boi apresenta o enredo clássico da morte e ressurreição do animal; o boi de rua, realizado em espaços públicos urbanos em interação direta com a comunidade; e o boi de arena, que se consolidou especialmente em Parintins com o Festival Folclórico, realizado anualmente no Bumbódromo, reunindo milhares de pessoas em torno da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido.
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