Festival da Cajuína 2026 em Teresina (PI) terá participação do Iphan
A produção da bebida é reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan desde 2014

Entre os dias 18 e 20 de junho, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participa do Festival da Cajuína 2026, realizado no Riverside Shopping, em Teresina (PI). O evento é promovido pela Associação dos Produtores de Cajuína do Piauí (CAJUESPI) e celebra a produção tradicional da bebida, registrada como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan em 2014.

A participação do instituto no Festival ocorrerá por meio de um estande institucional durante os três dias do evento e de uma programação voltada à salvaguarda da Cajuína do Piauí.
Estão previstas duas palestras de representantes do instituto: “Cajuína do Piauí: do reconhecimento à revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil", ministrada pela historiadora do Iphan no Piauí, Patrícia Alcântara. E o segundo tema: "Salvaguarda da Cajuína do Piauí: caminhos, desafios e oportunidades para o futuro", ministrada pela coordenadora-geral de Promoção e Sustentabilidade do Iphan, Aline Beatriz Miranda da Silva. Além disso, o momento será dedicado à mobilização dos produtores em torno da elaboração do Plano de Salvaguarda da Produção Tradicional e das Práticas Socioculturais associadas à Cajuína do Piauí, nomenclatura oficial do bem registrado pelo Iphan em 2014.
Cultura e memória

No Piauí, oferecer uma garrafa de cajuína a uma visita é um gesto que expressa acolhimento, respeito e identidade. Produzida a partir do suco do caju, a bebida é preparada com técnicas tradicionais que envolvem a clarificação do líquido, a cocção em banho-maria e o cuidado em cada etapa do processo. Esse saber se desenvolveu dentro das casas, sendo transmitido entre gerações como parte dos modos de fazer e de viver no Nordeste.
A preparação começa com a extração do suco da fruta, seguido da clarificação — processo que remove o tanino responsável pela adstringência do caju. Ao longo do tempo, diferentes substâncias foram utilizadas nessa etapa, como a resina do cajueiro, cola de madeira ou de sapateiro e, mais recentemente, a gelatina em pó. Após essa separação, o suco é coado em redes de pano e colocado em garrafas de vidro, que são levadas ao fogo em banho-maria. Com o calor, os açúcares naturais se caramelizam, conferindo à bebida sua cor âmbar, sabor adocicado e capacidade de conservação por longos períodos.
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