PATRIMÔNIO IMATERIAL

Feirantes do Ver-o-Peso apresentam pedido de Registro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Solicitação busca reconhecer os saberes, práticas, tradições e relações culturais construídas por gerações de trabalhadores da feira de Belém (PA)

Publicado em 26/10/2026 13:46
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Pessoas em pé.

Os feirantes do Complexo do Ver-o-Peso, em Belém (PA), realizaram no dia 11 de agosto, uma cerimônia simbólica de entrega ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do pedido de Registro do Ver-o-Peso como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A solicitação propõe a inscrição do bem no Livro de Registro dos Lugares.

A iniciativa é conduzida pelo Instituto Ver-o-Peso, organização que reúne entidades representativas dos trabalhadores da feira, e busca reconhecer os conhecimentos, práticas comerciais, modos de fazer, costumes e relações sociais e culturais construídos e transmitidos por diferentes gerações de feirantes.

Feirantes são protagonistas no processo - A entrega pública marca mais uma etapa da mobilização dos detentores do Ver-o-Peso. Antes da formalização do pedido, representantes dos feirantes participaram de reuniões e diálogos com equipes do Iphan, que apresentaram as etapas e os procedimentos necessários para a instrução de um processo de Registro do Patrimônio Cultural Imaterial.

No caso do Ver-o-Peso, a proposta de inscrição no Livro de Registro dos Lugares está relacionada ao reconhecimento do complexo como espaço onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas de referência para a comunidade.

O pedido amplia o olhar sobre um espaço que já conta com proteção federal enquanto patrimônio material. Em 1977, o Iphan aprovou o tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso e áreas adjacentes, incluindo o Mercado de Carne e o Mercado de Peixe. O novo processo volta-se especialmente para as pessoas e para as práticas culturais que dão vida cotidiana à feira.

Saberes e práticas culturais estão no centro do reconhecimento - Entre os elementos destacados pelos proponentes estão os conhecimentos dos feirantes, as formas tradicionais de comercialização, os saberes relacionados aos produtos encontrados no complexo, as relações estabelecidas entre trabalhadores e frequentadores e as manifestações culturais desenvolvidas ao longo da história do Ver-o-Peso.

A mobilização pelo Registro também está relacionada à preocupação dos trabalhadores com transformações no espaço e seus possíveis impactos sobre a dinâmica tradicional da feira. Para os proponentes, o reconhecimento como patrimônio imaterial pode contribuir para fortalecer a participação dos detentores nas discussões relacionadas ao Ver-o-Peso e para valorizar a continuidade das práticas culturais associadas ao local.

Mais informações

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