Começa restauro do campo de futebol histórico da Vila de Paranapiacaba (SP)
Antiga vila ferroviária preserva arquitetura inglesa implementada no Brasil no século XIX

Casas de madeira com jardim, ruas planejadas e paisagens montanhosas cobertas de vegetação compõem o cenário da Vila de Paranapiacaba, localizada no município de Santo André (SP). A vila histórica apresenta traços do estilo inglês vitoriano, vestígios de quando o trem trazia consigo o crescimento econômico para os locais por onde passava. A região abrigou a ocupação inglesa na Serra do Mar para construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí, no final do século XIX. Entre os vestígios dessa época, destaca-se um dos primeiros campos de futebol do país.
Para valorizar este monumento, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada ao Ministério do Turismo e à Secretaria Especial da Cultura, vai investir aproximadamente R$ 3,9 milhões em obras de restauração. A verba é proveniente do Programa de preservação de Cidades Históricas. O escopo das intervenções contempla a recuperação do campo e da arquibancada; também serão construídos novos vestiários, sanitários públicos, mirante e muros de contenção. Os trabalhos estão previstos para se estender até o final de março de 2022.
Ponto de socialização para os ferroviários que habitavam a Vila, o campo sediou algumas das primeiras partidas de futebol realizadas no Brasil. Acredita-se, inclusive, que o ex-ferroviário Charles Miller, considerado o precursor do esporte no país, tenha participado dos jogos inaugurais.

Este bem cultural integra o conjunto urbano tombado da Vila Ferroviária de Paranapiacaba, inscrita em 2008 no Livro do Tombo Histórico do Iphan. Berço do Serrano Atlético Clube, o campo de futebol recebe o nome desse time. Ocorreram ali vários jogos considerados antológicos entre times paulistas, como Corinthians e Santos. Criado em 1903, o Serrano era formado por ferroviários e pioneiro em toda a região do ABC paulista. Quando o clube abandonou o profissional, em 1935, o campo passou a sediar apenas partidas amadoras.
Apesar das mudanças, uma característica permanece constante: a vocação para ser um dos principais espaços de lazer dos moradores da região. Após o restauro, o campo será destinado a sua função original, voltada às atividades esportivas. Deste modo, o monumento tanto vai atender os cerca de 700 habitantes da Vila, quanto receberá os 200 mil turistas que visitam Paranapiacaba por ano, aproximadamente.
“Com o investimento do Iphan o campo se consolida como um ponto turístico incontornável em uma região que já cativa os visitantes. Restaurado, o campo tende a atrair ainda mais turistas, de modo a fortalecer a economia da Vila de Paranapiacaba, gerando emprego e renda para a população local”, analisa a presidente do Iphan, Larissa Peixoto.
A Vila de Paranapiacaba
A origem da Vila remonta a antigos povos indígenas. Na língua tupi-guarani “Paranapiacaba” significa “de onde se vê o mar”, pois era essa visão que se tinha ao atravessar a região rumo ao planalto. Posteriormente, a empresa inglesa São Paulo Railway foi contratada pela União para desenvolver o transporte ferroviário do café no local. Iniciada no Rio de Janeiro, a produção de café se espalhou pelo Vale do Rio Paraíba e, depois, fincou-se no oeste paulista.
Em 1856, a então recém-criada São Paulo Railway Co. recebeu, por decreto imperial, a concessão para construir e explorar a ferrovia por 90 anos. No mesmo caminho íngreme utilizado pelos indígenas, foi inaugurada a atual Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em 1867. Inicialmente um acampamento de operários, transformou-se na Estação Alto da Serra para realizar a manutenção do sistema. A localização estratégica viabilizou que se tornasse o principal meio de escoamento rápido via porto de Santos, em direção aos mercados da Europa.

Paranapiacaba é tombada pelos órgãos de preservação do Patrimônio Cultural das instâncias federal, estadual e municipal. Constitui um dos únicos exemplares brasileiros de núcleo urbano planejado com uso especializado, no caso, como Vila Ferroviária.
O vai e vem do trem, a neblina frequente, as casas de madeira hierarquicamente distribuídas por ruas planejadas, o colorido das construções da parte alta, bem como o relógio que orientava o ritmo das atividades consistem em vestígios que deslocam quem caminha pela Vila para outros tempos. Investimentos na memória do local podem abrir caminho para conciliar passado e presente, de modo a adotar a herança histórica como via para pavimentar o caminho para o futuro.
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan
comunicacao@iphan.gov.br
Daniela Reis - daniela.reis@iphan.gov.br
www.iphan.gov.br
www.facebook.com/IphanGovBr | www.twitter.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr