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No XXI Sapis, ICMBio lança publicações e documentário que destacam conservação, ciência e saberes tradicionais
Publicações e documentário lançados no evento destacam desafios e avanços da conservação ambiental no país - Foto: João Stangherlin/ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou, durante a programação do XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis), quatro publicações voltadas à valorização dos territórios protegidos, da participação social e da conservação da biodiversidade no país. O evento ocorreu na Universidade de Brasília (UnB) e teve a participação de servidores, estudantes, comunitários e público engajado na causa ambiental.
A programação reuniu o documentário Da Luta ao Direito: A Trajetória das Reservas Extrativistas no Brasil, a revista Caminhos da Gestão Socioambiental no ICMBio, o livro Encontro dos Saberes: boas práticas para fortalecer diálogos, do Programa Monitora, e a obra 25 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC): balanços, desafios e perspectivas.
As iniciativas destacam experiências de gestão socioambiental, a integração entre ciência e saberes tradicionais, a trajetória das reservas extrativistas e os desafios das Unidades de Conservação (UCs) brasileiras diante das mudanças ambientais e sociais contemporâneas. Confira, a seguir, mais sobre os lançamentos:
Documentário sobre Reservas Extrativistas resgata trajetória de luta e garantia de direitos no Brasil
O documentário Da Luta ao Direito: A Trajetória das Reservas Extrativistas no Brasil foi lançado na terça-feira (19), no Instituto de Letras (UnB). A produção do ICMBio, com apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e parceria da Fundação Espírito-santense de Tecnologia, apresenta a trajetória das Reservas Extrativistas (Resex) desde a década de 1980 até sua consolidação no SNUC, instituído pela Lei nº 9.985/2000.
A obra destaca a atuação do Instituto junto aos Povos e Comunidades Tradicionais, evidenciando o reconhecimento das famílias que vivem nesses territórios e a garantia de seus direitos fundamentais. O documentário também mostra como a gestão compartilhada das Resex contribui para a valorização dos conhecimentos tradicionais, o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e a ampliação do acesso a políticas públicas.
Ao abordar a permanência das populações tradicionais em florestas, manguezais, rios, mares, cerrados e caatingas, a produção reforça a importância desses territórios para a promoção da justiça socioambiental, da conservação da biodiversidade e da construção de soluções coletivas baseadas no diálogo e no respeito.
A sessão de lançamento contou com falas de representantes do ICMBio, movimentos sociais e participantes do evento, promovendo reflexões sobre o papel dos territórios tradicionais na promoção de equidade e justiça social.
Revista do ICMBio reúne experiências de gestão socioambiental em Unidades de Conservação
A revista Caminhos da Gestão Socioambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade também foi lançada na terça-feira (19), no auditório do Instituto de Artes (UnB). O evento reuniu gestores, autores e representantes ligados à temática. Organizada pela Coordenação-Geral de Gestão Socioambiental (CGSAM/DISAT) do ICMBio, a publicação reúne relatos de 30 experiências desenvolvidas principalmente em Unidades de Conservação federais.
Resultado de uma chamada pública de artigos, a revista compartilha conhecimentos, metodologias e estratégias construídas junto a povos e comunidades tradicionais, comunidades locais e demais atores envolvidos na gestão da sociobiodiversidade.
A publicação também pretende incentivar práticas inovadoras e contribuir para o aperfeiçoamento de iniciativas voltadas à proteção ambiental, à mediação de conflitos e à gestão participativa.
Os textos abordam temas como educação ambiental, governança territorial, compatibilização de direitos, fortalecimento da participação de jovens, mulheres e lideranças comunitárias, além da atuação da Plataforma de Territórios Tradicionais. As experiências destacam a importância da gestão socioambiental e da sociobiodiversidade para a conservação da natureza e o fortalecimento dos territórios.
De acordo com o idealizador, Sérgio Fernandes, coordenador da CGSAM, a revista é fruto de vários processos formativos e da execução de uma pluralidade de projetos. “Nossos processos formativos têm um diferencial muito grande porque eles acontecem observando a realidade dos territórios e buscando intervir sobre essa realidade. O ciclo de formação em gestão socioambiental traz isso: inovação na gestão ambiental pública, incluindo pessoas e a sociedade”, destaca.
A revista tem o apoio da cooperação técnica alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ). “Nós estamos muito gratos de poder participar dessa publicação. É muito bonito e bem elaborado, por isso parabenizo o Instituto Chico Mendes. Que esse material sirva de base para discutir, melhorar e mudar nossas atitudes, ampliando a nossa visão e tornando a vida no planeta cada dia um pouco melhor”, comentou Frida Frederique, representante da GIZ.
Livro do Programa Monitora fortalece diálogo entre ciência e saberes tradicionais na conservação da biodiversidade
O livro Encontro dos Saberes: boas práticas para fortalecer diálogos, do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), foi lançado na quarta-feira (20), durante uma roda de conversa realizada no auditório do Memorial Darcy Ribeiro (UnB). A publicação reúne metodologias e ferramentas voltadas à promoção de espaços participativos, de troca de conhecimentos sobre o monitoramento da biodiversidade em UCs federais.
A obra apresenta orientações práticas para apoiar o planejamento, a realização e a avaliação de encontros participativos, com foco no fortalecimento da gestão compartilhada e da participação social nos territórios protegidos.
A iniciativa busca aproximar conhecimentos tradicionais e técnico-científicos, contribuindo para a coleta, análise e interpretação coletiva de dados. A coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade (CGPEQ/DIBIO) do ICMBio, Cecília Cronemberger, destacou a importância da participação social no Programa.
“Eu sempre digo, com muito orgulho, que o que diferencia o Programa Monitora de um programa de pesquisa ou de um monitoramento científico é a participação social qualificada em todas as fases, e o Encontro de Saberes é o ápice disso. Espero que o livro seja muito útil para apoiar as unidades de conservação participantes”, afirmou.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, também ressaltou o papel da iniciativa na integração entre diferentes formas de conhecimento voltadas à conservação ambiental. “O Encontro de Saberes é um ótimo exemplo de uma tecnologia que mistura conhecimento tradicional e conhecimento científico com finalidade de conservação. Nós sabemos que não tem como fazer conservação sozinho. A gente cuida da natureza, mas a gente cuida com as pessoas”, disse.
O Encontro dos Saberes (ESaber) é uma estratégia social e educativa que integra comunidades tradicionais, povos indígenas, gestores e especialistas em ações de monitoramento ambiental. Uma iniciativa que fortalece a democratização da ciência ao valorizar saberes tradicionais na conservação da biodiversidade. Durante o evento, os participantes também compartilharam experiências e boas práticas relacionadas ao Encontro.
Livro celebra os 25 anos do SNUC e debate desafios das áreas protegidas no Brasil
Encerrando a agenda da quarta-feira (20), também no Auditório do Memorial Darcy Ribeiro (UnB), aconteceu o lançamento do livro 25 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza: balanços, desafios e perspectivas. A obra reúne análises de especialistas sobre a trajetória, os avanços e os desafios do SNUC.
Segundo Frederico Rios, organizador do livro, a obra nasceu da necessidade de ampliar a produção bibliográfica especializada sobre o Sistema. “Ele surgiu da ideia de preencher uma lacuna no direito. A gente não tem no direito ambiental um livro específico, robusto, que trate do SNUC. E nada mais significativo que os seus 25 anos para reunir grandes autores, especialistas que conhecem o tema e têm experiência prática para escrever essa obra”, destacou.
A publicação destaca o papel das Unidades de Conservação como instrumentos estratégicos para a proteção da biodiversidade, o enfrentamento da mudança do clima, a promoção do desenvolvimento regional e o fortalecimento da participação social na gestão ambiental.
O livro também propõe reflexões sobre os desafios ambientais contemporâneos e reforça a importância das áreas protegidas para a construção de um futuro mais sustentável e equilibrado para as próximas gerações. Entre os temas abordados estão governança ambiental, sustentabilidade, políticas públicas e perspectivas para o futuro das UCs.
De autoria coletiva, a obra foi organizada pelo procurador federal Frederico Rios e reúne mil páginas, 65 artigos e contribuições de 98 autores.
Povos tradicionais e corregulação na pauta
Na quinta-feira (21), foi lançado, no Auditório do Centro de Excelência em Turismo (UnB), o livro Povos tradicionais e corregulação: internormatividade e coprodução normativa em planos de manejo, da autora Larissa Suassuna, ex-subprocuradora-Chefe Nacional do ICMBio. A obra investiga a participação dessas comunidades na construção de normas ambientais, especialmente em áreas protegidas federais, analisando como atuam na corregulação e na coprodução de planos de manejo. O estudo aprofunda a capacidade desses grupos de se consolidarem como agentes ativos no ordenamento jurídico e na gestão do território.
A diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (DIMAN) do ICMBio, Iara Vasco, fez-se presente. Sendo a redatora do prefácio da obra, fruto da tese de doutorado da autora.
Comunicação ICMBio
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