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ICMBio fortalece cooperação para expansão da Rede Brasileira de Trilhas em unidades de conservação federais
9º Encontro do Fórum Nacional de Dirigentes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, em Brasília (DF), quando foi feita a assinatura - Foto: Rogério Cassimiro/MMA
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) firmaram, no último dia 19 de maio, um acordo de cooperação técnica com a Associação Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso. A iniciativa reforça a atuação conjunta para implementação e expansão da Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (Rede Trilhas) em unidades de conservação (UCs) federais.
A parceria busca fortalecer as trilhas como instrumentos de conservação da biodiversidade, conectividade entre ecossistemas, promoção do uso público e desenvolvimento sustentável em diferentes territórios do país. A cooperação também prevê ações voltadas à padronização e sinalização de trilhas, capacitação, intercâmbio técnico e fortalecimento da governança da Rede Trilhas.
A Associação Rede Brasileira de Trilhas, criada em 2019, reúne iniciativas nacionais, regionais e locais voltadas à consolidação de um sistema integrado de trilhas de longo curso no Brasil. A entidade atua na articulação entre sociedade civil, poder público, voluntariado e iniciativa privada para promover conservação ambiental, recreação em contato com a natureza e geração de oportunidades econômicas em comunidades locais.
Para o diretor de Áreas Protegidas do MMA, Bernardo Issa, a cooperação representa um avanço na consolidação das trilhas como infraestrutura verde nacional. “Fortalecemos a Rede Brasileira de Trilhas como uma verdadeira infraestrutura verde nacional, capaz de integrar territórios, ampliar o acesso da população à natureza e gerar desenvolvimento local”, destacou.
O acordo tem caráter técnico e não envolve transferência direta de recursos financeiros. As ações serão desenvolvidas por meio do compartilhamento de conhecimentos, cooperação institucional e apoio à implementação de trilhas em áreas protegidas.
Entre os resultados esperados estão o fortalecimento da conectividade ecológica entre UCs federais, a ampliação da visitação qualificada e do turismo de natureza, além da valorização das trilhas como instrumentos de conservação da biodiversidade, desenvolvimento territorial e geração de oportunidades para comunidades locais por meio do turismo de base comunitária e do uso público sustentável.
A iniciativa está alinhada às diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e à estratégia do ICMBio de ampliar o acesso responsável à natureza, promovendo experiências de visitação associadas à conservação da biodiversidade e à valorização das comunidades envolvidas nos territórios.
No último período, algumas trilhas de longo curso foram inauguradas cruzando unidades geridas pelo Instituto Chico Mendes, destacando a importância do acordo. Confira:
Caminhos da Ibiapaba
Primeira trilha de longo curso a atravessar a Caatinga, a Caminhos da Ibiapaba foi inaugurada em fevereiro, conectando os parques nacionais de Sete Cidades (PI) e de Ubajara (CE), além da Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba (CE), integrando paisagens de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica entre os estados do Piauí e Ceará. Integrando paisagens de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica entre os estados do Piauí e Ceará. Implantada sobre rota histórica ainda utilizada por comboieiros no comércio regional, a trilha articula conservação, memória e desenvolvimento ao longo de seus 180 quilômetros de extensão.
"Com a iniciativa, o ICMBio avança na sua missão de conservar a natureza com as pessoas, oferecendo aos visitantes a oportunidade de conhecerem e se apaixonarem pelas paisagens, monumentos geológicos, fauna e flora conservadas da Serra de Ibiapaba, além de conhecerem a cultura e hospitalidade das comunidades locais, que oferecem diversos pontos de apoio ao longo da travessia", afirmou a coordenadora-geral de Uso Público e Serviços Ambientais (CGEUP/DIMAN) do Instituto, Carla Guaitanele.
Caminhos do Pampa
Inaugurada em abril na Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã (RS), considerada a maior unidade gerida pelo ICMBio no bioma Pampa, a Caminhos do Pampa aproxima visitantes de um território onde natureza, cultura e vida comunitária caminham juntas. Com cerca de 360 quilômetros, a trilha conecta percursos de caminhada, cicloturismo, travessias aquáticas e experiências ligadas ao modo de vida local. O trajeto atravessa quatro municípios do Rio Grande do Sul: Sant’Ana do Livramento, Alegrete, Quaraí e Rosário do Sul, no coração do bioma.
Na UC, vivem aves campestres ameaçadas, felinos raros, anfíbios endêmicos, peixes restritos à região e centenas de espécies vegetais adaptadas ao campo sulino. Cada metro quadrado guarda formas de vida moldadas por milhares de anos de evolução, em uma dinâmica ecológica tão sofisticada quanto pouco percebida por quem associa natureza exuberante apenas à floresta densa.
Volta ao Rio
Lançada em maio, a Volta ao Rio conecta unidades de conservação federais, estaduais e municipais em um grande corredor de conectividade ambiental, cultural e humana no estado do Rio de Janeiro. Considerada a maior trilha de longo curso do país, a iniciativa reúne caminhos de caminhada, cicloturismo e travessias aquáticas ao longo de aproximadamente 3,5 mil quilômetros, integrando paisagens que vão das montanhas às áreas protegidas costeiras do litoral fluminense.
Entre os territórios conectados pela trilha estão unidades emblemáticas administradas pelo ICMBio, como os parques nacionais da Serra dos Órgãos (RJ) e do Itatiaia (RJ). Embora a expedição inaugural dure cerca de 90 dias, a proposta da Volta ao Rio é justamente permitir múltiplas formas de experiência. A trilha pode ser percorrida integralmente ou em pequenos trechos, em diferentes oportunidades.
Comunicação ICMBio
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