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ICMBio avança no diagnóstico dos impactos das enchentes de 2024 sobre a biodiversidade gaúcha
O evento aconteceu no auditório do Ibama, autarquia também vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - Foto: João Stangherlin/ICMBio
Em maio de 2024, Rio Grande do Sul sofreu com um volume de chuvas muito acima do esperado para o período, a maior catástrofe climática da história do estado. Estragos severos, em diversas regiões gaúchas, mais de 150 mortes, milhares de desabrigados e prejuízos materiais na casa dos bilhões de reais, que geraram comoção social nacional e um empenho total da estrutura de Governo Federal no socorro às vítimas e reconstrução das cidades.
No momento da tragédia, a prioridade sempre é o atendimento emergencial às famílias atingidas, mas passado o evento climático extremo, considerando que a mudança climática tem escala global e as consequências são cada vez mais cotidianas, outras questões importantes surgem, entre elas os impactos aos ecossistemas e espécies ameaçadas. Daí surge a ciência com papel central no enfrentamento. A conservação dos ambientes naturais para aumentar a resiliência aos eventos extremos é fundamental.
Assim, entre os dias 9 e 11 de junho, em Porto Alegre (RS), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no âmbito do Projeto Emergência RS, recebeu pesquisadores de diversas universidades, organizações da sociedade civil e servidores de órgãos ambientais estaduais e federais com objetivo de promover a integração das equipes, compartilhar resultados preliminares, discutir metodologias de monitoramento e avaliação dos impactos das enchentes de 2024 sobre a biodiversidade gaúcha, além de alinhar estratégias de gestão e resposta a futuros eventos climáticos extremos.
No auditório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em seis mesas redondas realizadas na oficina, foram apresentadas mais de 30 pesquisas em curso desde 2025.
Com duração prevista de três anos, o projeto busca diagnosticar os impactos do evento nas populações de espécies de peixes, mamíferos, aves, insetos, répteis e anfíbios no estado e em seus habitats, possibilitando a elaboração de modelagens que permitam prever efeitos, elencar áreas prioritárias para a conservação e para restauração ecológica, aumentar a resiliência das espécies ameaçadas e da própria paisagem.
Outro ponto de atenção revelado é o aumento dos riscos associados à contaminação ambiental e à ocorrência de doenças em animais silvestres, conhecidas como epizootias. Esses fenômenos podem ter reflexos que ultrapassam os limites dos ecossistemas e alcançar a saúde pública.
“É preciso compreender os impactos e pensar em protocolos. No caso das áreas naturais e das espécies ameaçadas, entender quais são as regiões prioritárias para restauração ambiental e conservação. Esse tipo de pesquisa permite priorizar estas áreas”, avalia a coordenadora-geral da CGPEQ, Cecília Cronemberger.
A programação também destacou o uso de DNA ambiental e ferramentas genômicas para monitorar espécies e avaliar os efeitos das enchentes sobre a biodiversidade. Também foram apresentados estudos de monitoramento populacional das espécies ameaçadas, além do mapeamento de áreas prioritárias para restauração ecológica. Considerou-se a questão da conservação pelo uso, pela necessidade de subsistência de famílias de populações tradicionais que dependem diretamente de ambientes equilibrados para sobreviver, como povos indígenas e pescadores artesanais.
Outro eixo importante da oficina foi a sistematização de lições aprendidas e a elaboração de protocolos para melhorar a resposta a futuras inundações e outros eventos climáticos extremos.
O projeto é desenvolvido meio da Coordenação Geral de Pesquisa e Monitoramento (CGPEQ/DIBIO) do ICMBio e operacionalizado pelos Centros de Pesquisa e Conservação do Instituto e instituições parceiras, com recursos do orçamento da autarquia executados através de convênio com a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia do Instituto Federal do Espírito Santo (Facto).
Desafios e encaminhamentos
Durante as apresentações, pesquisadores relataram uma série de desafios enfrentados na execução das atividades de campo. Entre as principais dificuldades estão questões logísticas, como a disponibilidade de veículos 4x4 adequados para as expedições, problemas de acesso às áreas de pesquisa em razão das condições das vias ou da necessidade de autorização de proprietários de terras, além da obtenção de equipamentos e materiais necessários para os estudos. Também foram mencionados entraves relacionados à remarcação de expedições, que dependem de condições climáticas favoráveis, bem como questões de abastecimento e manutenção de veículos.
Outro ponto destacado foi a necessidade de estudos de longa duração para compreender de forma mais detalhada os impactos das enchentes e possíveis processos de contaminação ao longo do tempo. As dificuldades identificadas foram debatidas em rodas de conversa realizadas ao final das mesas redondas e no encerramento da oficina.
As demandas e desafios apresentados foram registrados pela Divisão de Convênios do ICMBio e pela Facto, que orientaram os pesquisadores e buscarão alternativas para apoiar a execução das atividades previstas pelo projeto.
O levantamento desses obstáculos representa uma etapa fundamental para o aprimoramento das ações em curso, permitindo identificar gargalos, aperfeiçoar processos e direcionar soluções. Ao promover esse espaço de escuta e troca de experiências, o ICMBio reforça seu compromisso com o fortalecimento da pesquisa e do monitoramento da biodiversidade, reconhecendo que compreender os desafios é o primeiro passo para superá-los e ampliar a efetividade das ações de conservação.
Comunicação ICMBio
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