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Novas espécies descobertas e mais de 200 amostras da biodiversidade são coletadas em áreas protegidas oceânicas do ICMBio e montes submarinos
Esses são os saldos de valor incalculável para a Ciência do Mar frutos da 2ª Expedição Científica à Cadeia de Montanhas Submarinas Vitória-Trindade/ES
Pesquisadores retornaram após 20 dias, afastados 1200 Km da costa capixaba, com resultados de valor incalculável para a Ciência do Mar e consolidação de uma cultura oceânica na sociedade. Durante a expedição científica, foram coletadas 155 amostras de corais, de 12 espécies diferentes, e 67 amostras de peixes, de 29 espécies diferentes. As amostras foram coletadas em ambientes recifais rasos e profundos, de até 200 metros de profundidade.
“Entre os resultados mais notáveis, destacam-se o registro inédito de ambientes recifais de alta diversidade no Monte Columbia, registro da biodiversidade de recifes até 200m de profundidade em Martim Vaz e Monte Columbia, e o registro de três possíveis novas espécies de peixes para a ciência, além de coleta de censos visuais até 60 m de profundidade em Martim Vaz”, frisa Hudson T. Pinheiro, cientista do CEBIMar/USP e coordenador científico da Expedição.
As Grandes Unidades Oceânicas que vêm estudadas são geridas pelo ICMBio e são: APA do Arquipélago de Trindade e Martin Vaz e MONA das Ilhas de Trindade e Martin Vaz e do Monte Columbia – celeiros de rica biodiversidade marinha e cujo conhecimento acerca dessas áreas começa a ser conhecido e divulgado para a sociedade a partir dessas expedições.Essa 2ª edição é uma continuidade da 1ª Expedição à Cadeia Vitória-Trindade, realizada em julho de 2025. “A expedição visa dar sequência aos esforços para se conhecer e conservar ecossistemas marinhos profundos e remotos que compõem os Monumentos Naturais ao redor da Ilha da Trindade”, diz Geraldo Ottoni Neto, oceanógrafo e analista da ESEC Tupinambás representando o ICMBio na expedição.
Esta é uma iniciativa conjunta do ICMBio, por meio do Centro TAMAR, do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP), da Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST) e da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES (LabNecton, IctioLab, e LabOGeo), além da Associação Ambiental Voz da Natureza.
A equipe de pesquisadores, utilizando equipamentos de mergulho de circuito fechado de alta tecnologia, conhecidos como rebreathers, realizaram mergulhos a profundidades que variaram de 5 a 60 metros, efetuando 79 transectos de censos visuais de peixes e comunidade bentônica.
Ao todo foram executados, ainda, 19 mergulhos de ROV - Remotely Operated Vehicle (Veículo Operado Remotamente) em localidades ainda desconhecidas pela Ciência, como recifes profundos da Ilha da Trindade, do Arquipélago de Martim Vaz, do Monte Columbia e do Monte Davis.

- Navio DeepSea (ponto à esquerda) em meio à magnitude da Cadeia de Montanhas Vitória-Trindade-ES nessa 2a Expedição (Crédito: Carmina Rañones).
Segundo Hudson Pinheiro, os organismos coletados serão tombados em coleções como o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e Coleção Ictiológica da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). “Nessa próxima etapa, pesquisadores especialistas de cada grupo taxonômico farão a identificação dessas espécies em laboratórios, a partir das imagens captadas desses organismos durante a amostragem de ROV ou dos mergulhos”, explica Hudson.
Os dados referentes aos censos visuais subaquáticos e imagens de ROV são fundamentais para o monitoramento contínuo das Unidades de Conservação e para estudos futuros sobre biodiversidade, biogeografia e processos ecológicos da região.
A presença da cinegrafista Carmina Reñones a bordo proporcionou a captação de imagens que alimentaram redes sociais e matérias jornalísticas em tempo real. Um dos desdobramentos será a produção de um vídeo-documentário sobre o Arquipélago Martim Vaz e Monte Columbia, dirigido pela jornalista ambiental Paulina Chamorro.
“A expedição, assim, consolida uma rede de cooperação interinstitucional que promete avançar ainda mais nas próximas investigações, provando que há verdadeiros tesouros biológicos e geológicos a serem revelados nesse ponto mais distante da costa brasileira”, frisa o coordenador do Centro TAMAR/ICMBio, Joca Thomé.A expedição foi possível graças a disponibilização do navio DRS DeepSea por parte da FEST e recursos do projeto “Biodiversidade e conservação do Monumento Natural das Ilhas de Trindade, Arquipélago de Martim Vaz e do Monte Columbia”, aprovado na Chamada CNPq nº 17/2024 – Programa Arquipélago e Ilhas Oceânicas.
O projeto conta com autorização do ICMBio, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Marinha do Brasil e tem como objetivo principal nessas expedições de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e o estado de conservação das comunidades marinhas da Unidade de Conservação de Proteção Integral Monumento Natural das Ilhas de Trindade, Martim Vaz e Monte Columbia.
O foco está em priorizar áreas de difícil acesso e escassamente estudadas, utilizando métodos diretos e indiretos, nos ambientes recifais mesofóticos - ecossistemas de recifes que ocorrem em profundidades intermediárias do oceano, onde ainda há luz, mas em quantidade reduzida (entre 30 e 150 metros de profundidade).

- Em pé da esquerda para direita: Nelson Barcelos Pereira - UFES, João Batista Teixeira - UFES / VOZ DA NATUREZA, Luiz Antônio de Sant'anna - médico, Chancey Macdonald - Newcastle University , Hudson Tercio Pinheiro - CEBIMar / USP , Marcelo Visentini Kitahara - CEBIMar / USP - Sentados, da esquerda para direita: Geraldo de França Ottoni Neto - ICMBio, Kátia Cristina Cruz Capel - UFSCar, Dilson Silvestre Cajueiro Filho - Scuba Turismo (Crédito: Carmina Rañones).
As expedições até aqui revelam a descoberta de três possíveis novas espécies e mais de 30 novos registros de peixes para o Arquipélago Martim Vaz e Monte Submarino Columbia. O acesso a tecnologias de pesquisa como ROVs e equipamentos de mergulho como rebreathers permitem aos cientistas chegarem a locais antes inacessíveis, garantindo a realização de expedições dessa magnitude.
A experiência de mergulhar em águas com mais de 35 metros de visibilidade muda a percepção sobre o ambiente marinho, pois é possível observar grande parte da comunidade interagindo, o que é raro numa pesquisa marinha. Os pesquisadores ressaltaram, ainda, a presença de uma grande quantidade de tubarões na área de estudo.
"Em alguns mergulhos pudemos observar grupos de até 12 tubarões recifais (Carcharhinus perezi), e nos mergulhos de ROV vimos três tubarões tigres (Galeocerdo cuvieri) em recifes mais profundos”, diz Geraldo, do ICMBio.
O fato de serem UCs que foram alvo de pesca até pouco tempo indica que são ambientes em recuperação, e a continuidade da pesquisa e do monitoramento nessas áreas protegidas é essencial para acompanhamento desse processo.
Confira a rica biodiversidade encontrada!

- Beleza cênica das Grandes Unidades Oceânicas e rica biodiversidade que ela preserva (Crédito Carmina Rañones).
155 Amostras de Corais
12 espécies diferentes: Siderastrea sp., Favia gravida, Montastraea cavernosa, Mussismillia leptophylla, Mussismillia hispida, Mussismillia sp., Madracis decactis, Agaricia sp., Meandrina brasiliensis, Scolymia wellsii, Millepora sp., Stylaster roseous.
67 Amostras de Peixes
29 espécies diferentes: Serranus aff. annularis, Heteropriacanthus cruentatus, Myctophidae, Belonidae, Hemiramphus brasiliensis, Harengula aff. clupeola, Sparisoma aff. axillare, Cantherhines pullus, Decodon puellaris, Phaeoptyx pigmentaria, Chromis multilineata, Apogon pseudomaculatus, Stegastes trindadensis, Acyrtus simon, Scartella poiti, Elacatinus pridisi, Cryptotomus aff. roseus, Sparisoma aff. tuiupiranga, Choranthias sp.n., Pontinus cf. coralinus, Hemiramphus sp., Coryphaena sp., Prognathodes brasiliensis, Xanthychthys ringens, Platybelone argalus, Thunnus obesus, Scarus zelindae, Clepticus brasiliensis.
ROV – Remotely Operated Vehicle (Veículo Operado Remotamente)
62 espécies de peixes registradas em imagens, por ordem de ocorrência: Pseudopeneus maculatus, Melichthys niger, Prognathodes brasiliensis, Holocentrus adcensionis, Heteropriacanthus cruentatus, Sargocentrodon bullisi, Sphyraena barracuda, Diodon holacanthus, Holacanthus tricolor, Chromis jubauna, Caranx lugubris, Chromis flavicauda, Aluterus scripta, Paranthias furcifer, Cephalopholis fulva, Gymnothorax moringa, Cantherhines macrocerus, Myripristis jacobus, Apogon pseudomaculatus, Apogon aff. affinis, Carcharhinus perezi, Chaetodon sedentarius, Seriola rivoliana, Caranx latus, Bodianus pulchelus, Halichoeres rubrovirens, Stegastes pictus, Amblicirrhithus pinus, Chromis multilineata, Sparisoma rocha, Mycteroperca intertitialis, Decodon puellaris, Centropyge aurantonota, Liopropoma aff. rubra, Liopropoma aberrans, Choranthias sp., Aulostomus strigosus,Pronotogrammus martinicensis, Rypticus saponaceus, Chromis vanbeberae, Plectropopis retrospinnis, Synodonthidae, Serranus phoebe, Clepticus brasiliensis, Xanthichthys ringens, Prognathodes guyanensis, Gobiidae, Pontinus corallinus, Canthigaster figueiredoi, Sparisoma tuiupiranga, Acantostracyon polygonius, Dermatolepis inermis, Balistes vetula, Malacanthus plumieri, Galeocerdo cuvier, Pristigeys alba, Serranus sp., Acanthurus coeruleus, Apogon americanus, Acanthurus bahianus, Phaeoptyx pigmentaria, Lutjanus aff. analis.
EXPEDIENTE
2ª Expedição à Cadeia de Montanhas Vitória-Trindade/ES
Duração: 20 dias (de 17/03 a 04/04/2026)
Itinerário: Vila-Velha, Ilha da Trindade, Arquipélago de Martim Vaz, Ilha da Trindade, Monte Columbia, Monte Davis, Vila-Velha.
Coordenação Científica: Hudson Tercio Pinheiro (CEBIMar/USP) & João Batista Teixeira (Voz da Natureza-LabNecton/Fest/UFES)
Coordenação ICMBio: Geraldo de França Ottoni Neto
Instituições participantes: CEBIMar/USP, UFES, Voz da Natureza, ICMBio, FEST, UFSCar, University of Newcastle
Equipe a bordo: Hudson Tercio Pinheiro (CEBIMar/USP), João Batista Teixeira (UFES e Voz da Natureza), Marcelo V. Kitahara (CEBIMar/USP), Katia Capel (UFSCar), Chancey MacDonald (University of Newcastle), Nelson Barcelos (FEST), Dilson Cajueiro (Scuba Turismo), Carmina Reñones (Cinegrafista), Luiz Antônio de Sant Anna (Médico), Geraldo de França Ottoni Neto (ICMBio).
Cobertura jornalística/cinematográfica: Sandra Tavares (Centro TAMAR/ICMBio - @centrotamaricmbio e @icmbio), Paulina Chamurro (Vozes do Planeta Podcast - @vozesdoplaneta.podcast e @paulichamurro); Clarissa Souza - @icmbio.grandesoceanicas); Vanessa Pianca (@fundacaofest e @ufes) e Camina Rañones (Cinegrafista @carminarenones).
Equipamentos: Equipamentos de mergulho SCUBA, Equipamento de mergulho circuito fechado rebreathers, ROV, drone, câmeras subaquáticas, ecosonda e haste, Compressor elétrico, 15 cilindros, kits de coleta e armazenagem de material biológico.
Embarcação: DRS Deep Sea
Objetivos
Levantar a biodiversidade e estrutura da comunidade de peixes e comunidade bentônica de ambientes recifais do Monte Columbia e do Arquipélago Martim Vaz
Realizar um checklist da biodiversidade de peixes dos locais estudados, incluindo espécies inéditas, raras e ameaçadas para a região.
Analisar padrões de estrutura de comunidades dos locais estudados
Gerar dados genéticos para múltiplas espécies de peixes recifais
Metodologia
1. ROV – Remotely Operated Vehicle:
2. Censos visuais subaquáticos e coleta de organismos
3. DNA Ambiental
Sandra Tavares
Comunicação Centro TAMAR/ICMBio, em colaboração com todas as fontes citadas







