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Nota de pesar – Adonias do Carmo Jabuti
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) manifesta profundo pesar pelo falecimento de Adonias do Carmo Jabuti, aos 59 anos, ocorrido no dia 10 de janeiro de 2026, em Alta Floresta d'Oeste, Rondônia. Agente de Proteção Etnoambiental da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé (FPEG) e pertencente ao povo Djeoromitxi, Adonias Jabuti dedicou sua vida à proteção dos povos indígenas isolados e de recente contato no estado de Rondônia, notadamente na região do rio Branco e do rio Guaporé.
Como indigenista, iniciou sua atuação ainda em 1995, quando mobilizou seus conhecimentos tradicionais nos trabalhos de confirmação da presença de grupos indígenas na Terra Indígena Massaco. Em 1996, teve atuação decisiva na localização dos sobreviventes indígenas na Terra Indígena Tanaru, cujo último ficou conhecido como “Índio do Buraco”.
Desde então, sua participação nas atividades de campo foi fundamental, por meio da incorporação de conhecimentos tradicionais às ações operacionais de proteção etnoambiental e territorial dos povos indígenas isolados. As práticas tradicionais associadas aos modos de vida indígenas na floresta contribuíram para o aperfeiçoamento das metodologias de campo da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé e para a produção contínua de conhecimentos sobre a situação dos grupos indígenas isolados e seus territórios de ocupação tradicional.
Com o acúmulo de experiências ao longo dos anos, os trabalhos de Adonias Jabuti junto à FPEG, tornaram-se decisivos para a criação de uma interface qualificada entre os conhecimentos tradicionais e a política de proteção dos direitos dos povos indígenas isolados e de recente contato (PIIRC). Isso proporcionou abordagens cada vez mais refinadas para a proteção etnoambiental e para a interlocução intercultural.
Nesse percurso, Adonias consolidou-se como mestre-formador tradicional de agentes de proteção etnoambiental e de servidores da Frente Guaporé, atuando também como agente de fortalecimento das culturas e dos conhecimentos tradicionais de diversos povos indígenas do médio e baixo rio Guaporé, especialmente entre os jovens. Tornou-se, ainda, um elo vivo da memória e da identidade de povos indígenas da região que foram vítimas das violências históricas ocorridas ao longo das décadas de 1970 a 1990.
É nesse contexto — marcado por empenho, sensibilidade intercultural e profundo compromisso ético com os povos indígenas — que Adonias Jabuti contribuiu de forma singular para a proteção da vida, dos territórios e das culturas dos povos Akuntsu, Kanoê, Makurap, Djeoromitxi, Tupari, Aikanã, entre outros, gravando seu nome na história do indigenismo brasileiro e das práticas de campo da proteção etnoambiental, como referência fundamental na proteção dos direitos dos povos indígenas isolados e de recente contato em Rondônia.
Em 2022, ao falar sobre sua atuação na Funai, Adonias expressou com simplicidade e profundidade o sentido de sua trajetória no trabalho de proteção etnoambiental e no diálogo entre distintos saberes:
“Eu me sinto feliz por estar dentro de um órgão como a Funai, no Governo Federal. Eu, junto com os brancos, estamos dando continuidade. Quero sempre estar protegendo, como indígena, porque o sangue que corre na veia deles é o mesmo que corre no nosso. Pretendo continuar trabalhando, faço por amor e me sinto orgulhoso de estar junto. Porque, só assim, os brancos vão saber que existem formas da cultura indígena que seguem sobrevivendo, sem derrubada, sem roça”, relatou.
A Funai se solidariza com os familiares, parentes, amigos e colegas da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé e reconhece a inestimável contribuição de Adonias Jabuti para a proteção dos direitos dos povos indígenas isolados e de recente contato no Brasil. Seu legado seguirá como referência para a política indigenista e para as novas gerações de servidores e colaboradores que atuam nas Frentes de Proteção Etnoambiental da Funai.
Coordenação de Comunicação Social/Funai