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Funai e MPI realizam oficinas do projeto “Viver Bem é Viver Sem Violência” no Maranhão
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), realizou três oficinas do projeto “Viver Bem é Viver Sem Violência” no estado do Maranhão. A iniciativa tem como objetivo central promover ações de escuta, formação e articulação para o enfrentamento das diversas formas de violência que atingem mulheres indígenas.
As oficinas ocorreram entre os meses de outubro e dezembro de 2025, com a participação de mulheres de diferentes povos indígenas. A primeira etapa foi realizada nos dias 25 e 26 de outubro, na Aldeia Monalisa, Terra Indígena Canabrava, no município de Jenipapo dos Vieiras. Em seguida, nos dias 25 e 26 de novembro, o projeto seguiu para a Aldeia Areão, na Terra Indígena Rio Pindaré, localizada no município de Bom Jardim. A terceira oficina aconteceu na Terra Indígena Krikati, na região sul do estado, nos dias 18 e 19 de dezembro.
Ao longo das três escutas, participaram mulheres dos povos Tenetehara/Guajajara, Kanela, Krenyê, Krepunkatejê, Potiguara, Krikati, Kapo’ór, Gavião e Awá.
Combate à violência
As atividades envolveram formações voltadas à identificação de diferentes tipos de violência, como a física, psicológica, patrimonial e sexual. A proposta das oficinas é fortalecer o reconhecimento dessas violações no cotidiano das comunidades e promover a multiplicação do conhecimento entre as mulheres dos territórios. Um dos principais lemas verbalizados pelas participantes durante as escutas foi “Violência não é cultural”. A frase reforça o posicionamento coletivo das mulheres indígenas contra a normalização das violências que afetam seus corpos, territórios e formas de vida.
Entre as principais preocupações levantadas pelas participantes estão a violência doméstica e sexual, o uso abusivo de álcool e drogas, as barreiras linguísticas no acesso à justiça, os impactos na saúde mental e a importância de fomentar a autonomia econômica e as redes comunitárias de apoio às mulheres indígenas.
Promoção do bem-viver das mulheres indígenas
As oficinas contaram com o apoio direto da Coordenação-Geral de Acesso à Justiça e Participação Social (CGAJ) vinculada à Diretoria de Direitos Humanos e Políticas Sociais (DHPS) da Funai, que contribuiu com suporte logístico para alimentação e transporte das participantes, além da mediação dos grupos de trabalho, da condução metodológica e do mapeamento das instituições da rede de atendimento nos territórios.
A CGAJ também colaborou na identificação de espaços públicos que oferecem suporte às mulheres, como Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), delegacias, polos da saúde indígena e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Como resultado das escutas e atividades formativas, está prevista a elaboração de um relatório final que será apresentado em um seminário estadual previsto para março de 2026. O documento reunirá diagnósticos, propostas e recomendações a serem encaminhadas às autoridades e instituições que compõem a rede de proteção às mulheres no estado do Maranhão.
A iniciativa marca um passo importante na construção coletiva de ações que promovam o bem-viver das mulheres indígenas no Maranhão.
Coordenação de Comunicação Social/Funai