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CONTAS PÚBLICAS
Tesouro registra maior volume de emissões da história e eleva reserva de liquidez para quase nove meses
O Tesouro Nacional divulgou nesta quarta-feira (27/5) o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal de abril de 2026. Foi um mês positivo para a gestão da dívida do país: as emissões bateram recorde histórico, a reserva de liquidez cresceu com força e o Brasil captou recursos no mercado europeu com boa demanda dos investidores.
As informações foram apresentadas em coletiva virtual pelo coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, pelo coordenador-geral substituto de Controle e Pagamento da Dívida Pública, Daniel Mario de Paula, pelo coordenador-geral substituto de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Fausto Vieira, e pelo coordenador-geral do Tesouro Direto, Maurício Leister.
Acesse o Relatório Mensal da Dívida de abril de 2026, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional
A conjuntura do mês foi favorável. As perspectivas de um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã reduziram o nervosismo nos mercados globais e beneficiaram os países emergentes, incluindo o Brasil. A percepção de risco recuou e os juros caíram na parte intermediária e longa da curva. "A LTN de 48 meses, por exemplo, começou o mês a 13,88% ao ano, recuou para 13,45% e encerrou o último leilão a 13,80% ao ano", explicou Helano Borges.
Esse ambiente mais tranquilo abriu espaço para um mês de emissões expressivas. O Tesouro emitiu R$ 229,96 bilhões em títulos, o maior volume da série histórica, com resgates de R$ 146,01 bilhões e emissão líquida de R$ 83,95 bilhões. A maior parte das emissões foi em títulos de taxa flutuante (56,14%), seguida de prefixados (32,68%) e indexados à inflação (11,16%). "Em momentos de maior volatilidade e incerteza nos mercados, os investidores tendem a preferir as LFTs. Do lado dos resgates, o principal componente foram os vencimentos de prefixados, da ordem de R$ 129,25 bilhões, respondendo por mais de 97% do total resgatado", explicou Helano Borges.
Captação em Euro
Um dos destaques do mês, segundo o coordenador, foi a captação no mercado europeu. O Brasil emitiu títulos em euros, com prazos de 4, 7 e 10 anos, totalizando R$ 28,87 bilhões. A demanda dos investidores superou três vezes o valor ofertado. "Há mais de uma década o Brasil não emitia nesse mercado. Os spreads foram bastante baixos, o que mostra a credibilidade do país e a percepção de saúde financeira no ambiente internacional", afirmou Helano Borges. O estoque da dívida externa encerrou o mês em R$ 335,88 bilhões (US$ 67,33 bilhões).
O volume de emissões, somado à apropriação de juros de R$ 80,86 bilhões, elevou o estoque total da dívida pública federal para R$ 8,798 trilhões em abril, alta de 1,91% em relação a março. A dívida interna ficou em R$ 8,462 trilhões. Na composição, os títulos de taxa flutuante respondem por 48,59% do estoque, os indexados à inflação por 26,76%, os prefixados por 20,85% e os cambiais por 3,80%. No acumulado de 2026, os juros incorporados à dívida totalizaram R$ 327,60 bilhões.
Nove meses de liquidez
A reserva de liquidez — como é conhecido o colchão financeiro que o Tesouro mantém para honrar seus compromissos sem depender de novas emissões — também avançou com força. Cresceu 23,28% no mês, passando de R$ 885,42 bilhões para R$ 1,091 trilhão. O índice subiu de 5,69 para 8,91 meses de cobertura. "Esse aumento tem um caráter sazonal. Ao superar a torre de setembro, o último trimestre tem baixo volume de vencimentos, o que nos permite chegar à torre de janeiro com praticamente 91% dela já coberta. Mas o movimento também reforça que a gestão da dívida procura manter níveis elevados de liquidez para ter maior grau de liberdade de atuação, principalmente em momentos de maior aversão ao risco", disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública.
Entre os detentores da dívida interna, as Instituições Financeiras seguem na liderança, com 31,46% do total (R$ 2,662 trilhões). O grupo Previdência ficou com 22,32% (R$ 1,888 trilhão), seguido pelos Fundos de Investimento, que ampliaram sua fatia para 22,17% (R$ 1,876 trilhão). Os investidores estrangeiros encerraram o mês com 10,38% e estoque de R$ 878,65 bilhões. A parcela da dívida que vence nos próximos 12 meses caiu de 19,52% para 18,99%, dentro da faixa prevista no Plano Anual de Financiamento, entre 18% e 22%. O prazo médio da dívida subiu de 4,10 para 4,12 anos.
O custo médio da dívida acumulada nos últimos 12 meses passou de 12,20% para 12,22% ao ano. O da dívida interna subiu de 12,86% para 13,01% ao ano, associado ao ciclo de aperto monetário. O custo das emissões avançou de 13,92% para 14,08% ao ano. Já o custo da dívida externa caiu de -3,37% para -6,39% ao ano, reflexo da desvalorização do dólar frente ao real em abril.
Tesouro Direto
O programa de investimento em títulos públicos para pessoas físicas também teve bons resultados. As vendas somaram R$ 8,552 bilhões em abril. Os resgates foram de R$ 3,393 bilhões. O resultado líquido de R$5,159 bilhões é o segundo maior desde o início do programa, em 2005. O estoque total chegou a R$ 241,287 bilhões, alta de 3,36% em relação a março, com mais da metade (51,06%) em títulos atrelados à inflação.
O número de investidores ativos chegou a 3,47 milhões, crescimento de 16,36% em relação a abril do ano passado. "Quase 80% das aplicações foram de até R$ 5 mil, o que demonstra mais uma vez a democratização e a acessibilidade que o Tesouro Direto busca trazer para os investidores", disse o coordenador-geral do Tesouro Direto, Maurício Leister.
Em 11 de maio, o Tesouro lançou um novo produto: o Tesouro Reserva. O título não sofre variação de preço no dia a dia, rende a Taxa Selic, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e pode ser comprado a partir de R$ 1. Até 22 de maio, as vendas chegaram a R$ 1,1 bilhão. "Cerca de 72 mil clientes já investem no Tesouro Reserva e aproximadamente um terço das negociações ocorre fora do horário comercial, mostrando que há demanda real para esse tipo de título nesses momentos", destacou Maurício Leister. O título está disponível por enquanto apenas no Banco do Brasil, enquanto outras instituições se adaptam à nova plataforma.
Garantias
Em abril, a União pagou R$ 377,05 milhões em dívidas de estados e municípios que havia garantido os seguintes valores: R$ 297,64 milhões pelo Rio de Janeiro, R$ 75,56 milhões pelo Rio Grande do Sul e R$ 3,66 milhões pelo Rio Grande do Norte, além de valores menores pelos municípios de Paranã (TO) e Santanópolis (BA). No acumulado de 2026, o total chegou a R$ 1,37 bilhão.
Perspectivas para maio
As idas e vindas em torno do possível fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa parcela relevante da produção de petróleo global, e um relatório indicando que o Irã teria capacidade de sustentar o conflito por período prolongado elevaram a aversão ao risco no mês. A este cenário se somou a revisão das expectativas de política monetária em diversas economias. No Brasil, apesar de o risco seguir em níveis historicamente baixos, a curva de juros sentiu o impacto, com alta de cerca de 40 pontos-base na faixa intermediária e longa.
"O cenário internacional continua sendo o principal vetor dos mercados. Em momentos de incerteza, os investidores tendem a demandar mais títulos de taxa flutuante, e é o que temos observado nas emissões deste mês", afirmou Helano Borges. Até o fechamento do relatório, as emissões de maio somavam cerca de R$ 144 bilhões. Os números completos serão apresentados no próximo relatório mensal.