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TRANSFORMAÇÃO ECOLÓGICA
Brasil aprova plano junto ao CIF para descarbonização da indústria, com potencial de mobilizar mais de US$ 3 bilhões para a transformação produtiva
Em um marco decisivo para a transformação ecológica do país, o Brasil recebeu nesta quarta-feira (17), a aprovação do seu Plano de Investimento para o Programa de Descarbonização da Indústria (IDP) pelo Comitê do Fundo de Tecnologia Limpa (Clean Technology Fund – CTF), órgão decisório dos Fundos de Investimento Climático (Climate Investment Funds – CIF).
A iniciativa prevê o acesso a até US$ 240 milhões em recursos concessionais do CIF, além de US$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis para assistência técnica. Considerando o potencial catalisador desse montante, é projetada a mobilização de mais de US$ 3 bilhões em investimentos públicos e privados.
O ministro Dario Durigan destacou a importância estratégica desta aprovação para a política econômica e ambiental do país.
“Estamos construindo uma estratégia sólida para transformar a indústria brasileira com tecnologia de ponta, inovação e compromisso climático. A aprovação do plano pelo CIF reforça, no plano internacional, a consistência desse caminho e a confiança na capacidade do Brasil de liderar a transformação ecológica global. Este fundo dará o impulso necessário para acelerar uma mudança estrutural na indústria pesada, com geração de empregos de qualidade, aumento de competitividade e avanço rumo a uma economia de baixo carbono.”, sustentou.
A CEO do Climate Investment Funds, Tariye Gbadegesin, celebrou a aprovação da iniciativa brasileira: “A indústria limpa é um investimento econômico inteligente. À medida que os mercados globais priorizam cada vez mais a produção de baixo carbono, o Brasil está bem posicionado para fortalecer sua competitividade industrial, criar empregos de qualidade e construir cadeias de suprimentos mais resilientes. Por meio do programa pioneiro de Descarbonização da Indústria do CIF, temos orgulho de apoiar os esforços do Brasil para modernizar setores industriais estratégicos e aproveitar as oportunidades de uma economia global que se descarboniza rapidamente”.
Coordenado pelo Ministério da Fazenda, em colaboração com o Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o BID Invest, o Banco Mundial e a Corporação Financeira Internacional (IFC), o plano adota uma abordagem programática baseada na Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação e Ecológica (BIP), mecanismo de identificação de projetos alinhados às estratégias nacionais de desenvolvimento sustentável e descarbonização, permitindo conectar oportunidades de investimento a diferentes fontes de financiamento.
Com a decisão, o Brasil torna-se, ao lado do México, um dos primeiros países a ter seu plano de investimento endossado pelo programa global do CIF voltado à transformação industrial de baixo carbono, programa no qual a proposta brasileira obteve a melhor avaliação entre os países selecionados.
O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Mathias Alencastro, sublinhou a arquitetura financeira inovadora do projeto.
"O que alcançamos aqui vai muito além dos US$ 250 milhões endossados. Desenhamos um mecanismo financeiro de excelência, ancorado na BIP, capaz de utilizar recursos concessionais para reduzir riscos e mobilizar investimentos em escala. Trata-se de um modelo que fortalece o protagonismo dos países na definição de suas prioridades e amplia a capacidade de mobilização de capital para a transformação ecológica. É uma proporção de alavancagem extraordinária que redefine o modelo de financiamento climático no hemisfério sul", disse.
Funcionamento e impacto
O plano foca em três subsetores que são centrais para a base industrial do Brasil e que possuem grandes oportunidades para a implantação de tecnologias limpas: siderurgia (ferro e aço), cimento, e petroquímica e fertilizantes. O plano também prevê assistência técnica para apoiar a estruturação de projetos, fortalecer sua bancabilidade e aprimorar o ambiente habilitador para investimentos em descarbonização industrial.
A secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cortez da Cunha Cruz, sustentou a importância da aprovação do plano em termos de impactos diretos para a economia e o desenvolvimento brasileiros: “A aprovação do Plano de Investimento pelo CIF é um reconhecimento da estratégia brasileira de unir desenvolvimento e ação climática. Os recursos contribuirão para acelerar a descarbonização da indústria e gerar emprego e renda”.
Entre os resultados esperados estão a redução de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano, a economia anual de 3.357 GWh de energia e a instalação de 229 MW de capacidade renovável associada à descarbonização industrial.
Além dos impactos diretos sobre emissões, a iniciativa busca impulsionar novas cadeias produtivas de baixo carbono, estimular a inovação tecnológica e ampliar a participação do setor privado na transição ecológica.Plataforma de país como eixo da implementação
Um dos principais diferenciais da proposta brasileira é sua estruturação em torno da BIP, iniciativa do Governo Federal, que conta com o BNDES como líder de seu secretariado e o apoio de parceiros internacionais com a Glasgow Financial Alliance for Net Zero (GFANZ), Green Climate Fund (GCF), e United Nations Development Program (UNDP), concebida para ampliar, coordenar e acelerar investimentos voltados à transformação ecológica da economia.
No âmbito do programa, a BIP atuará como mecanismo de identificação, enquadramento estratégico e triagem de projetos elegíveis, contribuindo para que os recursos concessionais sejam direcionados a iniciativas alinhadas às prioridades nacionais de desenvolvimento sustentável, descarbonização industrial, inovação tecnológica e fortalecimento da competitividade.
Ao utilizar a BIP como base, o plano aprovado assegura que as entregas financeiras e operacionais dos bancos multilaterais estejam alinhadas aos objetivos determinados pelo próprio país, como a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), a Nova Indústria Brasil (NIB) e a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI).
A aprovação do plano representa também um reconhecimento internacional da estratégia brasileira de utilizar uma plataforma de país como instrumento de coordenação entre políticas públicas, instituições financeiras, setor produtivo e investidores. Ao integrar recursos concessionais internacionais, financiamento de bancos de desenvolvimento e capital privado em uma arquitetura única de investimentos, o Brasil consolida um modelo inovador para acelerar a transformação ecológica e ampliar a capacidade de financiamento da transição para uma economia de baixo carbono.
A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destaca a importância da aprovação do plano para a mobilização de recursos no país:
“A aprovação da proposta brasileira de acesso a recursos do Programa de Descarbonização da Indústria (IDP) do CIF fortalece o protagonismo do Brasil na vanguarda da economia de baixo carbono. Ancorados na Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), os recursos concessionais do CIF, destinados a projetos em setores de alta emissão e de difícil mitigação (cimento, ferro e aço, petroquímicos e fertilizantes), serão somados aos financiamentos do BNDES e de organismos multilaterais. Combinando capital catalítico com a atração de recursos privados, o aporte de US$ 250 milhões do CIF poderá alavancar mais de US$ 3 bilhões em investimentos para a descarbonização da indústria”.
Próximos passos
Com a aprovação do Plano de Investimento, terá início a fase de preparação e estruturação das operações específicas que serão apoiadas pelo programa. Os projetos serão selecionados a partir do pipeline da BIP e desenvolvidos em parceria com o Grupo BID, o Grupo Banco Mundial e o BNDES. A aprovação final dos recursos para cada operação ocorrerá projeto a projeto, conforme critérios estabelecidos no plano de investimento e políticas de programação dos bancos e do fundo.