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TESOURO NACIONAL
2º Leilão do Eco Invest destina R$ 100 milhões à recuperação de áreas da Mata Atlântica
O primeiro repasse de recursos do 2º Leilão do Programa Eco Invest Brasil ao beneficiário final, no valor de R$ 100 milhões, foi realizado na última semana. A iniciativa, do Ministério da Fazenda, liderada pela Secretaria do Tesouro Nacional, volta-se à recuperação produtiva de terras degradadas no âmbito do Programa Caminho Verde Brasil, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
De acordo com informações do Itaú, o financiamento estruturado viabilizará a recuperação produtiva de aproximadamente 4 mil hectares de pastagens degradadas da Mata Atlântica, com adoção de práticas agrícolas sustentáveis.
Captado pela Adecoagro junto ao Itaú BBA por meio do Eco Invest, o valor será aplicado em diferentes etapas, incluindo preparo do solo, plantio, manejo sustentável e aquisição de insumos para o cultivo de cana-de-açúcar, visando ao abastecimento de uma usina localizada no Mato Grosso do Sul. O financiamento terá dois anos de carência e prazo de sete anos.
A iniciativa gera impactos positivos em três dimensões complementares para o país: ganhos ambientais, estímulo ao desenvolvimento econômico local e fortalecimento da cadeia produtiva regional.
Além dos ganhos produtivos e econômicos, a operação incorpora contrapartidas socioambientais obrigatórias, alinhadas às diretrizes do programa e às salvaguardas estabelecidas pelo Tesouro. Entre os compromissos assumidos estão a realização anual do balanço de emissões de gases de efeito estufa, a obtenção de certificação de boas práticas trabalhistas e a promoção da inclusão de gênero, assegurando participação mínima de 15% de mulheres na força de trabalho.
O projeto adotará ainda práticas técnicas que promovam sustentabilidade ambiental e adaptação climática, incluindo ações de resiliência hídrica, como captação e armazenamento de água de chuva por meio de cisternas, barraginhas e curvas de nível, além da adoção de práticas agrícolas sustentáveis, como o plantio direto e o uso de bioinsumos e inoculantes.
“Essa é a primeira operação do 2º Leilão e reforça o papel do sistema financeiro como parceiro estratégico na ampliação dos investimentos em recuperação de terras degradadas voltadas ao agronegócio. Ao direcionar capital para projetos que combinam produtividade e sustentabilidade, criamos as condições para destravar investimentos em escala, fortalecer cadeias agroprodutivas e ampliar a competitividade do Brasil de forma consistente e sustentável”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
A expectativa, a partir de agora, é que novos projetos sejam destravados e passem a ser financiados pelo programa ainda no primeiro trimestre do ano.
2º Leilão
Em 2025, o Programa Eco Invest Brasil mobilizou quase R$ 30 bilhões em investimentos totais destinados à restauração produtiva de cerca de 1,4 milhão de hectares, posicionando o programa como a maior iniciativa do mundo voltada à recuperação produtiva de áreas degradadas. Com base no relatório de pré-alocação apresentado pelas instituições financeiras, aproximadamente 57% dos recursos serão direcionados ao Cerrado, seguido pela Mata Atlântica (13%), Amazônia (12%), Caatinga (10%), e pelos biomas Pampa e Pantanal, cada um com cerca de 4% do total alocado.
De acordo com o Manual Operacional do Programa, são considerados beneficiários das operações de crédito no âmbito do leilão os produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas que atuem diretamente na produção agropecuária, as cooperativas de produtores rurais, na condição de produtor rural, e as cooperativas e empresas âncoras inseridas nas cadeias produtivas do agronegócio, desde que mantenham relação direta com produtores rurais ou cooperativas.