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Alta qualificação e mudanças culturais impulsionam mulheres na Geologia
Conhecimento sobre o solo e os recursos minerais nele contidos é algo fundamental para o planejamento de qualquer país. No caso brasileiro, parte desse trabalho é realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), e as informações levantadas contribuem para formular estratégias, estabelecer negociações e subsidiar políticas públicas.

Uma das mulheres que contribuem com esses estudos é Lúcia Travassos, pesquisadora em Geociências e assessora da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais da entidade. Ela explica que o mapeamento geológico é importante para a descoberta de novos depósitos minerais, mas seu papel vai muito além disso, sendo base para a pesquisa e o gerenciamento de recursos hídricos, facilitar o entendimento dos processos de evolução da paisagem e da gênese dos solos, subsidiar estudos da geodiversidade, identificar áreas de risco e propor ações voltadas para o gerenciamento e ordenamento territorial.
“Os benefícios do mapeamento geológico são cumulativos ao longo do tempo, por isso ele deveria ser compreendido como um bem público. O conhecimento gerado possui uma vasta aplicabilidade e é essencial para subsidiar a formulação de políticas públicas, o desenvolvimento de atividades econômicas e a gestão sustentável do ambiente em que vivemos”, resume.
Com mais de 30 anos de formação e atuação na região da Amazônia, Lúcia acompanha de perto a evolução da participação feminina na Geologia nacional. “Há um número crescente de geólogas liderando projetos, coordenando equipes multidisciplinares e produzindo conhecimento técnico de alta qualidade. Esse protagonismo reflete não apenas a elevada qualificação dessas profissionais, mas também mudanças culturais importantes ocorridas ao longo do tempo”, avalia.
Apesar dos avanços, ela considera que ainda existem desafios significativos a serem superados, como a dificuldade em conciliar trabalhos de campo de longa duração e em regiões remotas com as responsabilidades da maternidade ou o cuidado com familiares idosos, que geralmente recai sobre as mulheres.
“O fortalecimento da participação da mulher passa pelo reconhecimento institucional, pela valorização da diversidade nas equipes técnicas, pela criação de condições adequadas de trabalho e pela ampliação de oportunidades de liderança. Esses avanços são fundamentais para o fortalecimento das Geociências no Brasil, uma vez que a diversidade de perspectivas contribui para uma ciência mais robusta, inovadora e socialmente relevante”, encerra.
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Bruno Meirelles — ASCOM da Agência Nacional de Mineração |