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Transição justa dos sistemas alimentares é tema da 1ª reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional em 2026
Foi aberta nesta terça-feira (10) a 1ª Reunião Ordinária de 2026 do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. A secretária nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Pública, Kelli Mafort, representou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, na mesa de abertura.
A reunião ocorrida no mês de celebração do Dia Internacional da Mulher contou com uma mesa de abertura composta exclusivamente por mulheres. Em sua fala, Kelli Mafort destacou a força da mobilização do último domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, reafirmando que as mulheres não vão ficar caladas frente à violência e ao feminicídio. “A violência dói, fere e mata, mas não nos calaremos, e junto com os homens faremos esse processo de transformação”, disse Mafort.
A secretária nacional abordou ainda a luta pelo direito humano à alimentação e à soberania alimentar. “Ela é fundamental no nosso tempo histórico, não só por direito e necessidade, mas também para fazer frente à financeirização de todas as formas de vida e da alimentação”, afirmou. Kelli Mafort fez referência ao acúmulo de recursos baseado em fundos financeiros, causador de escândalos recentes no mercado bancário, e que têm o poder de pressionar também as cadeias de produção alimentares.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, representada no evento pela secretária-executiva e ministra interina, Eutália Barbosa, encaminhou vídeo de saudação aos participantes da reunião do Consea. A ministra ressaltou a importância da liderança do presidente Lula no combate ao feminicídio. “O presidente chama os homens para conversar e se dirige à toda a sociedade, lançando o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio entre os Três Poderes, atuando todos juntos nesse nessa luta”, disse Márcia Lopes.
Plenária especial – Ao iniciar a reunião, a presidenta do Consea, Elisabetta Recine, ressaltou os diversos significados do encontro, que além de inaugurar os trabalhos de 2026, foi planejado por três coletivos de participação do social: Consea, CNAPO (Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica) e Condraf (Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável). Contou ainda com colaboração do Conselho de Economia Solidária.
A presidenta do Consea lembrou ainda a importância de comemorar a conquista de resultados importantes, como a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU em 2025, e, ao mesmo tempo, continuar a resistência pela manutenção do ambiente democrático, essencial para retomada das políticas de segurança alimentar e nutricional.
“Não foi por um acaso ter 33 milhões de pessoas passando fome. Não foi normal, nem natural, nem culpa da pandemia, começou antes. É necessário guardar essa memória recente”, afirmou Recine.
Transição dos sistemas alimentares – A segunda parte da programação da reunião desta terça-feira (10) foi dedicada ao tema “Iniciativas atuais rumo à transição justa e popular dos sistemas alimentares” e contou com a participação do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
Presente nesta segunda parte da programação, o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República, Josué Rocha, ressaltou o papel do ministério de coordenar a participação social no governo federal, bem como a força social representada pelos conselhos e movimentos sociais, que foram capazes de resistir ao desmonte das políticas públicas de segurança alimentar promovidas pelo governo anterior.
Sobre a transição justa dos sistemas alimentares, Josué Rocha afirmou que a agenda é urgente, especialmente no contexto internacional de enfraquecimento do multilateralismo como mediador entre os países. “A agenda da soberania e da soberania alimentar entram na ordem do dia e para discutir a soberania alimentar precisamos discutir a transição justa do sistemas alimentares, que conta com esforços tanto dos movimentos sociais quanto do governo federal “, afirmou o secretário-executivo.