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SEGURANÇA HÍDRICA

Programa Cisternas entrega 4.323 unidades no Rio Grande do Norte entre 2023 e 2025

Em todo o país, são mais de 100 mil equipamentos concluídos, 88% no Nordeste. Iniciativa do Governo do Brasil garante captação e armazenamento de água para períodos de estiagem, estimula a agricultura familiar e prioriza mão de obra local nas construções
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Publicado em 10/02/2026 12h04 Atualizado em 10/02/2026 12h06
Programa Cisternas.jpg

O Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias simples e de baixo custo: 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão em investimento - Foto: Marcelo Curia/MDS

Iniciativa voltada para captação e armazenamento de água em áreas de escassez hídrica, o Programa Cisternas teve uma retomada expressiva no Rio Grande do Norte na atual gestão do Governo do Brasil. O estado recebeu 4.323 unidades em três anos: 123 em 2023, 1.900 em 2024 e 2.300 em 2025. Numa comparação entre 2025 e 2022 (quando foram concluídas 218 unidades no estado), o crescimento é de 955%. Os sistemas de armazenamento garantem consumo familiar e o uso em escolas, lavouras e criação de animais.

A tecnologia social incentivada pelo Governo do Brasil desde 2003 voltou a ser prioridade em 2023 e mudou cenários, criou oportunidades e significou melhoria de renda a dezenas de milhares de famílias. O programa fechou 2025 com 104.300 unidades de captação e armazenamento de água entregues desde o início deste mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na comparação entre 2025 (48.900) e 2022 (quando foram entregues 6,7 mil cisternas em todo o país), o crescimento é de 630%.

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Números do Programa Cisternas

ESTADOS – Do total de estruturas finalizadas desde o início do mandato, 88,6% estão no Nordeste (confira infográfico). Só em 2025, foram 48.900 entregas, 43 mil na região. Em alguns estados, a evolução é acentuada. Em Pernambuco, o salto foi de 15 finalizadas em 2022 para 4.400 em 2025, crescimento de 29.200%. Outros avanços expressivos ocorreram no Maranhão, de 19 para 701 (3.500%), e no Rio Grande do Norte, de 218 para 2.300 (955%). Na Bahia, a quantidade de entregas desde 2023 (21.200) é a segunda maior da região Nordeste, atrás apenas do Ceará (28.900). Praticamente uma em cada cinco cisternas do país beneficiaram municípios baianos.

O QUE É – O Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias simples e de baixo custo. O público-alvo é composto por famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo, e equipamentos públicos rurais atingidos pela seca ou falta regular de água. As famílias devem estar no Cadastro Único do Governo do Brasil. Pelo Novo PAC, são mais de 189 mil unidades contratadas na atual gestão, em uma meta de 219 mil. Há 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão em investimento. Desde 2003, são 1,34 milhão de unidades entregues.

PRIORIDADE – O semiárido brasileiro é a região prioritária de atendimento. Nela, a principal tecnologia são as cisternas de placas, que captam e armazenam água de chuva para uso nos meses mais críticos de estiagem. O programa, contudo, tem um conjunto extenso de tecnologias sociais. As cisternas de 16 mil litros são voltadas ao consumo humano, para beber, cozinhar e escovar os dentes. Tecnologias como as cisternas de 52 mil litros têm o objetivo de viabilizar a produção de alimentos e suprir a necessidade de animais. Há ainda vertentes específicas para escolas públicas rurais e sistemas multiuso, em modelos individuais e comunitários, implementadas principalmente na região Norte.

A colaboração com a sociedade civil é essencial para alcançar áreas onde o poder público sozinho não conseguiria chegar. O Programa Cisternas é exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e na convivência com o semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de vida, cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma. Nós, como Governo Federal, seguimos juntos para continuar produzindo esse processo participativo e que nos levou a chegar a mais de um milhão de cisternas no Semiárido e a expandir para a Amazônia”

Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS

AMBIENTE ESCOLAR – Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas mudaram a realidade do ambiente de ensino no município de Salvaterra. Abastecidas por poços artesianos, as escolas da região ficavam muitas vezes sem água quando faltava energia para as bombas d'água, o que dificultava a limpeza das salas, o preparo de alimentos e a higiene. Crianças e professores eram obrigados a voltar para casa. Com as cisternas, a captação no período chuvoso assegura o fornecimento na seca. "Essa água garante higiene pessoal, limpeza, irrigação da horta e serve para o nosso consumo e da comunidade", explica Siane Cristina Lopes, merendeira que recebeu capacitação para o uso das cisternas. “Aprendemos a limpar a cisterna, usar os equipamentos e garantir água segura”.

ENXURRADA - No município cearense de Morada Nova, Francisco Regivaldo Assunção viu o cotidiano mudar diante das tecnologias sociais do Programa Cisternas. Antes, nos períodos secos, ele disputava espaço no açude com animais. Atualmente, não só tem a cisterna que armazena água para o consumo cotidiano, como conta com uma cisterna de enxurrada para captar água de um córrego e acumular em outro reservatório para garantir a produção de frutas e hortaliças.

“Antes acontecia de eu chegar para pegar água e ter gado dentro. Eu tangia para pegar a água para o consumo da casa. Aí, graças a Deus, a gente ganhou a cisterna do consumo para beber. Passou um tempo, e agora a gente ganhou essa outra, de produção. A água do córrego vem para cá, tipo filtrando. Depois passa por canos e cai dentro da cisterna. Como é uma água que vem do solo, é mais fertilizada e já ajuda a produzir. E assim as coisas vão melhorando, né?”, explicou.

TECNOLOGIA – O conceito de tecnologia social é central. Ele pressupõe participação dos beneficiários nas diversas etapas. A mão de obra para construir as estruturas é escolhida na comunidade, para gerar oportunidades de trabalho e movimentar a economia. Geralmente, as famílias e os pedreiros passam por formação do próprio programa.

“A colaboração com a sociedade civil é essencial para alcançar áreas onde o poder público sozinho não conseguiria chegar. O Programa Cisternas é exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e na convivência com o semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de vida, cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma. Nós, como Governo Federal, seguimos juntos para continuar produzindo esse processo participativo e que nos levou a chegar a mais de um milhão de cisternas no Semiárido e a expandir para a Amazônia”, disse Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS.

PRODUÇÃO AMPLIADA – A agricultora Iolanda Santos vive na comunidade Paiol, em Parnarama, no leste maranhense, e sente os resultados do programa de forma direta no cotidiano. “Antes, a gente plantava uma quantidade só para consumo. Hoje, a gente planta uma quantidade maior, para consumir e vender. Isso gera renda”, relatou, lembrando que era comum a comunidade passar até 30 dias diretos sem água por ano. Hoje, há 238 cisternas em Parnarama, 124 entregues entre 2024 e 2025.

ENGRENAGEM PRODUTIVA – O produtor Erasmo da Silva atua na zona rural de Boqueirão, município do sertão do Cariri, na Paraíba, e avalia que o Programa Cisternas, articulado com outros programas sociais do Governo do Brasil, melhorou a segurança hídrica e abriu oportunidades. “O Programa Cisternas foi uma bênção e ajudou nos quintais produtivos, que permitem que os agricultores plantem em quantidade e com garantia de compra governamental via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)”, ressaltou o morador do município de 18 mil habitantes, que já teve 130 cisternas entregues entre 2024 e 2025. O PAA destina os produtos comprados da agricultura familiar a escolas, restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos.

COEXISTÊNCIA – Francisco Linhares cultiva ovos, mel, leite, feijão, abóbora, acerola e pitanga em Senador Pompeu, município de 25 mil habitantes no centro do Ceará. A tecnologia de acesso à água transformou a relação do agricultor com o ambiente de chuvas escassas. Garantiu água potável à família e se tornou base para o desenvolvimento produtivo. Conectado ao programa desde 2006, hoje a propriedade dele tem um sistema hídrico completo, com cisternas, água de reúso, fossa ecológica e sistema agroflorestal. “A seca sempre existiu. A pessoa tem que aprender a conviver com ela”. No município cearense, 423 cisternas foram entregues desde janeiro de 2023.

DIVERSIFICADO – Para Vitor Santana, coordenador do programa no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate, ao longo dos anos a iniciativa tem se mostrado efetiva não apenas por garantir acesso à água, mas por outros diversos benefícios correlatos. “O programa tem impactos significativos e diversos, como a redução na incidência de doenças de veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o aumento e diversificação da produção agroalimentar, por dinamizar a economia local e gerar renda às famílias beneficiárias”, resumiu.

Assistência Social
Tags: Programa CisternasCisternasSegurança HídricaAcesso à águaBaixo custoRio Grande do Norte
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