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AGRICULTURA
No Bahia Farm Show, Governo do Brasil anuncia início das operações da linha de R$ 14 bilhões para modernizar o campo
Na mesma agenda, o Governo do Brasil anunciou uma nova portaria para flexibilizar os horários de desconto na conta de luz para produtores que usam energia elétrica na irrigação. Foto: Cadu Gomes/VPR
O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou, nesta segunda-feira (8), o início das operações do Move Brasil para máquinas e implementos agrícolas, com uma linha de crédito de R$ 14 bilhões para modernização do agronegócio, durante a abertura da 20ª edição do Bahia Farm Show, no município de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia.
A linha de R$ 14 bilhões é composta por recursos do superávit do FNDCT, gerenciada pela Finep, com foco em conteúdo nacional, inovação e pesquisa e desenvolvimento (P&D).
A linha será operada pela Finep e, também, pelas instituições financeiras a ela credenciadas. São exemplos de máquinas e implementos: cultivadores motorizados, tratores, pulverizadores, colheitadeiras, adubadeiras, sementadeiras, entre outros.
A medida busca ampliar o acesso a máquinas mais modernas e eficientes, capazes de reduzir custos de manutenção, elevar a produtividade no campo e tornar a produção mais sustentável.
Ao discursar, o vice-presidente ressaltou que as operações terão juros de até 9,2% ao ano, até 12 meses de carência e prazo de até 60 meses para pagamento. “São R$ 14 bilhões sendo lançados. Já pode procurar o sistema bancário”, afirmou Alckmin.
O Move Brasil para máquinas e implementos agrícolas se soma ao Move Brasil – Caminhões e Ônibus, linha de até R$ 21,2 bilhões já disponível para financiar a renovação da frota de veículos pesados.
IRRIGAÇÃO COM DESCONTO - Na mesma agenda, o Governo do Brasil anunciou uma nova portaria para flexibilizar os horários de desconto na conta de luz para produtores que usam energia elétrica na irrigação. A medida também vale para aquicultores e quer reduzir custos no campo sem retirar o benefício tarifário.
Antes, o desconto era aplicado em uma faixa mais restrita, concentrada principalmente no período da noite e da madrugada (22h às 6h). Com a nova regra, o benefício poderá ser usado por 8 horas e 30 minutos por dia, de forma contínua ou fracionada, dentro de uma janela maior: das 21h30 às 17h do dia seguinte.
Com isso, quem irriga pode organizar melhor o funcionamento dos equipamentos conforme a necessidade da lavoura, em horários como o início da manhã ou à noite. A mudança também ajuda o sistema elétrico a aproveitar melhor a energia disponível ao longo do dia.
Alckmin destacou que a medida é especialmente importante para regiões irrigadas, como o oeste da Bahia, diante dos efeitos das mudanças climáticas. “Se há 35 anos a irrigação era importante, imagine hoje, com as mudanças climáticas. Quando chove, chove demais; quando faz seca, faz seca demais. E a irrigação é o instrumento mais importante para isso”, ressaltou o vice-presidente.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também presente ao evento, disse que a portaria moderniza uma política importante para o setor produtivo. “Estamos garantindo mais liberdade para que irrigantes e aquicultores utilizem a energia elétrica nos horários mais adequados à sua produção, sem perder o benefício tarifário”, ressaltou.
AVANÇO DA AGRICULTURA - Na abertura da feira, Alckmin destacou o papel do oeste da Bahia como “epicentro” da tecnologia agrícola nacional. “Essa é a nova fronteira agrícola brasileira, na vanguarda da tecnologia e da produtividade, uma região campeã, com a maior área irrigada do Brasil”, afirmou.
O vice-presidente também ressaltou o peso do agronegócio nas exportações brasileiras. No ano passado, o setor exportou US$ 169 bilhões e registrou saldo de US$ 149 bilhões na balança comercial. “Isso é fundamental para estabilizar a moeda da nossa economia. Devemos muito isso à abertura de mercado”, disse. Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou a marca de 525 novos mercados abertos desde 2023.
Alckmin disse ainda que o governo federal fará “um grande empenho” para reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco. Ele destacou o reconhecimento da China ao Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação e afirmou que, nos Estados Unidos, “a carne está totalmente fora de qualquer tarifa”.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reforçou o peso do setor para a economia brasileira. Segundo ele, o agro responde por 49,5% da pauta de exportações do país, reúne 38 milhões de empregos e foi determinante para o crescimento nacional. “O oeste baiano é uma das maiores histórias de transformação produtiva no Brasil”, afirmou.