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ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA
Ministério das Mulheres e Secom/PR promovem diálogo com influenciadoras sobre violência digital e aprimoramento do Ligue 180
iniciativa integra a campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar”, que busca ampliar a conscientização sobre os direitos das mulheres nas plataformas digitais e fortalecer os mecanismos de proteção e enfrentamento às violências praticadas na internet- Foto: Luíza Saab/Ministério das Mulheres
O Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR) reuniram influenciadoras e comunicadoras digitais para debater estratégias de enfrentamento à violência contra meninas e mulheres no ambiente digital e apresentar as novas medidas de qualificação do Ligue 180 para atendimento de casos de violência online. O encontro aconteceu nessa quinta-feira, 18 de junho, em São Paulo.
A iniciativa integra a campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar”, que busca ampliar a conscientização sobre os direitos das mulheres nas plataformas digitais e fortalecer os mecanismos de proteção e enfrentamento às violências praticadas na internet.
O encontro contou com influenciadoras e comunicadoras com atuação em áreas como saúde, direitos das mulheres, cultura e comportamento. O espaço possibilitou uma troca direta entre o Governo do Brasil e profissionais que exercem papel estratégico na disseminação de informações e na conscientização sobre os direitos das mulheres no ambiente digital.
“Não tem sido fácil enfrentar de perto essa violência contra as mulheres em todos os níveis, em todos os segmentos, em todos os setores e em todo o território nacional, seja na área urbana ou rural”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante o encontro.
Segundo ela, a comunicação ocupa um papel central na sociedade contemporânea. “De um lado, queremos usá-la para o bem-viver, para o aprendizado e para a troca. De outro, enfrentamos a lógica do mercado e do lucro, que muitas vezes não enxerga o impacto do que é produzido na vida das mulheres”, completou.
O diretor do Departamento de Proteção de Direitos na Rede e Educação Midiática da Secretaria de Políticas Digitais da Secom-PR, David Almansa, destacou a importância do fortalecimento da responsabilização, da regulação e da adoção de boas práticas no ambiente digital.
“Trabalhamos para garantir que todos os direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988 também tenham validade no ambiente digital. Durante muito tempo se ouviu que a internet era um território sem lei. À medida que nossa vida acontece cada vez mais nessa esfera, precisamos de um ambiente seguro. Assim como é crime no mundo offline, precisa ser crime no mundo digital. O Governo do Brasil tem avançado em iniciativas normativas e legais que tornam o país pioneiro na garantia de um ambiente digital seguro, democrático e plural”, ressaltou.
ALCANCE – A influenciadora e advogada Jacy Lima destacou a importância de ampliar o debate sobre a violência contra as mulheres no ambiente digital, especialmente diante da vulnerabilidade enfrentada por muitas usuárias das plataformas.
“O diálogo entre influenciadoras, representantes do poder público e outros profissionais presentes neste encontro é fundamental para a construção de estratégias de prevenção, acolhimento e enfrentamento das múltiplas formas de violência digital. A diversidade de experiências e atuações fortalece a criação de mecanismos mais eficazes de proteção, contribuindo para que o ambiente digital se torne um espaço mais seguro para todas as mulheres”, afirmou.
Também presente no encontro, a influenciadora e criadora de conteúdo Carlucia Alves ressaltou a responsabilidade de quem atua nas redes sociais na disseminação de informações confiáveis e na promoção de ambientes digitais mais seguros para as mulheres.
“Quem produz conteúdo e se comunica diariamente com milhares de pessoas tem também a responsabilidade de contribuir para a construção de ambientes digitais mais seguros. Conhecer as iniciativas do Governo Federal e os canais de acolhimento disponíveis é fundamental para que possamos ampliar o acesso à informação e incentivar mulheres a denunciarem situações de violência”, destacou.
LIGUE 180 – A chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Mulheres, Janara Sousa, explicou às influenciadoras que as melhorias implementadas na Central de Atendimento representam a consolidação e o fortalecimento de procedimentos que já vinham sendo adotados pelo Ligue 180.
Segundo Janara, o Ligue 180 já acolhia relatos e denúncias relacionados a crimes virtuais. A sistematização dos tipos de violência digital, das previsões legais e das orientações de atendimento fortaleceu a capacidade de acolhimento e encaminhamento desses casos.
“Produzimos materiais e capacitamos as atendentes do Ligue 180 para receber os casos de violência digital. O 180 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e confidencial. A mulher pode ligar para fazer uma denúncia, mas também para pedir orientação, pois muitas se perguntam se o que estão vivendo é, de fato, violência e o que podem fazer”, informou.
“O que está acontecendo não é um mal-entendido, é violência digital”, explicou Janara, referindo-se aos resultados de uma ampla pesquisa realizada pela pasta sobre crimes cibernéticos.
ACOLHIMENTO – Desde 9 de junho, o Ligue 180 iniciou uma nova etapa de qualificação de suas atendentes, voltada especificamente ao reconhecimento, registro e encaminhamento de denúncias de violência digital.
Durante a formação, as atendentes discutem conteúdos relacionados às formas mais recorrentes de violência digital, como ameaças, perseguição virtual, invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, chantagem, exposição vexatória, ataques coordenados e uso de inteligência artificial para manipulação de imagens.
O objetivo é garantir uma escuta mais qualificada, humanizada e orientada à proteção das mulheres em todo o território nacional.
As atendentes também passam a orientar as vítimas sobre como preservar provas — como guardar capturas de tela com data, horário e endereço eletrônico —, acionar as plataformas e registrar denúncias, quando desejarem.
Paralelamente, o formulário de atendimento do Ligue 180 está sendo atualizado para permitir registros mais detalhados sobre situações de violência digital, contribuindo para a produção de dados qualificados, o aprimoramento das políticas públicas e o fortalecimento da rede de proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres.