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ONCOLOGIA
Governo do Brasil anuncia novo exame no SUS para rastreamento do câncer colorretal antes de sintomas
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda em Lyon, na França. Foto: Rafael Nascimento/MS
O Governo do Brasil anunciou nesta quinta-feira, 21 de maio, um protocolo inédito para o rastreamento e a detecção precoce do câncer colorretal. A partir do segundo semestre deste ano, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.
A previsão é que o novo protocolo amplie o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e ao diagnóstico oportuno. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda em Lyon, na França, em meio ao Maio Roxo — período dedicado à conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, como Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.
A medida reforça a estratégia do Governo do Brasil de criar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, por meio do programa Agora Tem Especialistas.
“Estamos anunciando a primeira política de rastreamento do câncer colorretal no nosso sistema. Baseados na pesquisa e na evidência, começaremos uma estratégia de detecção baseada na atenção primária, com exame fecal e apoio de centros especializados em imagem e colonoscopia, se necessário”, destacou o ministro Alexandre Padilha.
O câncer de intestino é o segundo tipo mais incidente no Brasil, desconsiderando os casos de pele não melanoma. A estimativa é de 53,8 mil novos casos por ano no país a cada ano do triênio 2026-2028, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
MÉTODO — O FIT geralmente é feito com fitas rápidas, semelhante a um teste de gravidez. O método detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. O exame vai ser usado como triagem para definir quais pacientes vão precisar de colonoscopia, que confirma o diagnóstico com precisão.
VANTAGENS — A testagem dispensa restrições alimentares prévias e pode ser feita a partir de uma única amostra, detectando até 92% de câncer colorretal. Entre as vantagens estão resultado rápido, custo mais barato, praticidade e simplicidade em realizar, pois não exige equipamentos automatizados complexos, além de maior desempenho no rastreamento.
PACOTE DE AÇÕES — Na última sexta-feira (15), o Governo do Brasil anunciou a maior entrega já realizada pelo SUS para aumentar o acesso aos tratamentos contra o câncer. Com um investimento de R$ 2,2 bilhões, entre as principais inovações estão a criação da nova tabela de financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo e a criação, pela primeira vez, do financiamento de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública, além de ampliar o acesso à cirurgia de reconstrução mamária.
RECORDE DE PROCEDIMENTOS — Em 2025, o país bateu recorde de procedimentos oncológicos no SUS com o programa Agora Tem Especialistas. Foram realizados 189.949 procedimentos de radioterapia, um aumento de 22% em comparação com 2022, quando foram registrados 155.355 atendimentos. O recorde se repetiu na quimioterapia, que registrou crescimento de 20% na comparação entre os 4,7 milhões de atendimentos realizados em 2025 e os 3,9 milhões registrados em 2022.
PESQUISA — Na França, o ministro Alexandre Padilha também participou da assinatura de um memorando de entendimento para o cuidado oncológico, entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS). O acordo envolve as áreas de pesquisa, ensino, desenvolvimento tecnológico, comunicação e formulação de políticas. Também participaram a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, e a diretora-geral da IARC, Elisabete Weiderpass.