RISCO BALOEIRO

Campanha nacional alerta para riscos de balões no céu

Ministério de Portos e Aeroportos une esforços com Anac e associações para conscientizar sobre os riscos à aviação e à população

Publicado em 17/06/2026 16:02Modificado há 6 horas
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Durante as festas juninas, tradições e celebrações tomam conta do país. Mas uma prática ainda associada a esse período continua representando uma grave ameaça à segurança pública: a soltura de balões. Para alertar à população sobre os perigos dessa atividade ilegal, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Aeroportos do Brasil (ABR) e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) lançam uma campanha nacional de conscientização.

A mensagem é simples e direta: depois de lançado, ninguém controla o destino de um balão. Levado pelo vento, ele pode atingir residências, escolas, hospitais, áreas de vegetação, redes elétricas e até rotas de aeronaves, transformando uma aparente brincadeira em incêndios, acidentes e tragédias.

Funcionário do aeroporto recolhe balão colorido que caiu no pátio do Aeroporto de Guarulhos

Os registros desse tipo de ocorrência têm aumentado nos últimos anos. Em 2024, foram registrados 425 avistamentos de balões próximos a aeroportos e a rotas aéreas. Em 2025, o número saltou para 728. Apenas nos cinco primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas 206 ocorrências.

Na aviação, o risco é especialmente preocupante. Balões podem invadir áreas próximas aos aeroportos, cruzar trajetórias de pouso e decolagem e até interromper operações aeroportuárias. Também representam uma ameaça direta às aeronaves, com potencial para causar danos e exigir inspeções imediatas.

Além dos impactos para o transporte aéreo, a queda de balões pode provocar incêndios em áreas urbanas e ambientais, colocando comunidades inteiras em risco e causando prejuízos significativos.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a conscientização da população é fundamental para a segurança de todos. "A soltura de balões é uma brincadeira perigosa. É uma prática que coloca em risco passageiros, profissionais da aviação e comunidades inteiras. Queremos mobilizar a sociedade para prevenir acidentes", afirma.

O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, também destaca que a prevenção é a principal aliada da segurança. "A aviação opera com protocolos rigorosos, mas a presença de balões cria um risco externo capaz de afetar diretamente as operações. A participação da sociedade é indispensável para evitar acidentes e preservar vidas."

Prática criminosa

A soltura de balões é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), com pena de detenção de um a três anos e multa. Dependendo das circunstâncias, os responsáveis também podem responder por crimes relacionados à segurança da aviação civil.

O diretor-executivo da ABR, Tiago Bonvini, reforça o alerta. "Não existe balão inofensivo quando se trata da segurança da aviação. Além de configurar crime previsto na legislação brasileira, a soltura de balões pode comprometer operações aeroportuárias, provocar atrasos, interdições e expor milhares de pessoas a riscos desnecessários. Um único balão é capaz de gerar impactos significativos para a segurança operacional. Por isso, a conscientização da população é fundamental para preservar a segurança dos voos, das cidades e das pessoas."

Foto apresenta dois aviões da Azul estacionados  ao fundo um balão cai na pista do aeroporto
Divulgação - Aeroporto de Viracopos

Avistou um balão: denuncie

Em caso de flagrante de soltura de balões, a recomendação é acionar imediatamente os canais policiais, como o telefone 190 da Polícia Militar, os serviços de disque denúncia locais ou o Portal Único de Notificação.

Segundo o presidente da Abear, Juliano Noman, o combate a essa prática exige o engajamento de toda a sociedade. "A presença de balões em áreas próximas a aeroportos e rotas de aeronaves pode afetar as operações, causando atrasos, cancelamentos de voos e prejuízos aos passageiros. A segurança do transporte aéreo é um valor inegociável para as companhias, e todos os esforços devem ser feitos para inibir ocorrências desse tipo e garantir operações seguras."

A campanha reforça um alerta simples, mas essencial: quem solta um balão perde o controle sobre seu destino, mas os riscos permanecem. Preservar tradições nunca pode significar colocar vidas em perigo.

Balões X Balonismo

É importante diferenciar a prática ilegal da soltura de balões do balonismo, atividade turística e esportiva regulamentada no Brasil. Enquanto os balões juninos são lançados sem qualquer controle de trajetória e frequentemente utilizam chamas que podem provocar incêndios, os voos de balão tripulado seguem normas específicas de segurança, contam com planejamento prévio, pilotos capacitados e autorizações operacionais. A campanha tem como foco exclusivamente a soltura irregular de balões não tripulados, prática que representa riscos à aviação, ao meio ambiente e à população.

Assessorias de Comunicação
Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear)
Aeroportos do Brasil (ABR)

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Infraestrutura, Trânsito e Transportes > Transporte Aéreo
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