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Palestra no ON fala sobre a rotação retrógrada de Vênus e de exoplanetas na zona habitável
A Coordenação de Astronomia e Astrofísica (COAST) do Observatório Nacional (ON/MCTI) realizará em 11 de junho, quinta-feira, mais uma palestra do ciclo 2026 dos seus seminários semanais.
A palestra será ministrada pelo Prof. Dr. Sylvio Ferraz-Mello, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). O seminário terá como tema “A rotação de planetas na zona habitável de estrelas do tipo solar. O caso de Vênus” e será realizado presencialmente no Auditório Yeda Ferraz, no ON, às 15h. O coffee break será às 14h30.
Palestrante: Prof. Dr. Sylvio Ferraz-Mello, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP).
Título: A rotação de planetas na zona habitável de estrelas do tipo solar. O caso de Vênus.
Data e hora: 11 de junho de 2026, às 15h.
Resumo: Em Vênus, os torques de frenagem gravitacional das marés são compensados por torques de aceleração devidos à extrema deformação térmica de sua atmosfera e capazes de manter o planeta girando para trás. Mas como a rotação de um planeta pode se tornar retrógrada? O estudo da rotação de Vênus com uma nova versão da teoria das marés (creep tides) revelou que, na ausência do torque de aceleração atmosférico, a rotação atual de Vênus se tornaria direta novamente em alguns milhões de anos. Portanto, sua rotação retrógrada não pode ser atribuída a um evento aleatório (como uma colisão). A análise matemática das equações que descrevem os efeitos dos dois torques mostra que o espaço de fase dessas equações exibe uma característica comum a muitas equações diferenciais de primeira ordem: uma bifurcação de garfo. Sem atmosfera, a equação apresenta um atrator síncrono: as marés tendem a sincronizar a rotação e o movimento orbital. Com uma atmosfera densa, esse atrator se bifurca em dois atratores assíncronos: um sub-síncrono e um super-síncrono. A rotação de um planeta primitivo com apenas uma atmosfera tênue, sujeito a fortes marés, tenderá a se tornar síncrona. Se uma atmosfera densa se formar posteriormente devido a desgaseificação e vulcanismo, o torque atmosférico acelerador aumenta e a rotação do planeta atinge a bifurcação. Então, com probabilidades quase iguais, ele evolui em direção a um dos dois atratores assíncronos, um dos quais pode posteriormente se tornar retrógrado. A simplicidade desse processo evolutivo sugere que muitos exoplanetas semelhantes à Terra, localizados na zona habitável de estrelas do tipo solar, ou próximos a ela, podem apresentar rotação retrógrada.
Apoio: FAPESP, CNPq.
Referência: Astronomical Journal 171, 206 (2026).