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Inverno começa às 05h24 deste domingo; a estação deve ter temperatura acima da média em grande parte do Brasil
O frio que atinge o Brasil nos últimos dias é tanto que até o próprio inverno quer acordar mais tarde. Em 2026, a estação mais fria do ano se despertará às 05h24 (Hora Legal de Brasília) de 21 de junho, próximo domingo. Embora seja de madrugada, esse horário representa uma esticadinha de mais de seis horas ante o ano passado, quando a estação começou às 23h43 do dia 20.
Essa preguiça típica de domingo que vai acometer o inverno tem um motivo astronômico real: a discrepância entre o ano civil e o ano trópico. Enquanto o nosso calendário (ano civil) possui 365 dias (ou 366 nos anos bissextos), o ano trópico, que é o tempo real entre dois solstícios consecutivos, tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos.
Essa defasagem de quase seis horas a cada ano faz com que o momento exato do solstício se desloque, sendo parcialmente corrigida periodicamente pelos anos bissextos.
“Atualmente o início do inverno ocorre no dia 20 ou no dia 21 de junho. Nos anos 1950 a 2000 ocorria ou no dia 21 ou no dia 22. Essa variação está ligada à precessão dos equinócios, que desloca os pontos dos equinócios em relação às estrelas”, explica a astrônoma do Observatório Nacional (ON/MCTI), Dra. Josina do Nascimento.
A precessão dos equinócios à qual a Dra. Josina se refere é a lenta mudança na direção do eixo de rotação da Terra, que oscila no espaço como um giroscópio devido à atração gravitacional do Sol e da Lua. Esse “bamboleio” altera gradualmente a posição aparente das estrelas no céu e leva cerca de 26 mil anos para completar uma única volta. (No fim da matéria, aprenda sobre solstícios e outros conceitos referentes à mudança das estações.)

- As estações do ano acontecem devido à inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao seu plano de órbita e também devido à sua translação em torno do Sol. O início das estações do ano está associado aos solstícios (inverno e verão) e aos equinócios (outono e primavera). Imagem: adaptação da imagem de Kepler de Souza Oliveira Filho e Maria de Fátima Oliveira Saraiva
El Niño poderá deixar estação menos fria
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que, como o ON, é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), prevê que o fenômeno El Niño juntamente com a influência de outros efeitos de teleconexões e das anomalias das temperaturas da superfície do mar do Oceano Atlântico proporcione temperaturas acima da média climatológica em grande parte do país no trimestre junho, julho e agosto de 2026.
“No entanto, deve-se considerar o fato de ser comum a incursão de massas de ar frio pelas Regiões Sul, Sudeste, parte da Região Centro-Oeste e da Região Norte, com quedas expressivas, porém eventuais de temperatura, além de ocorrência de geadas em locais favoráveis ao longo deste trimestre”, afirmou o meteorologista do INPE, MSc. Fábio Rocha. Essa previsão cobre os meses de junho, julho e agosto, enquanto o inverno vai até 22 de setembro.
Quanto à confirmação da chegada do El Niño, Fábio Rocha explica que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu comunicado no dia 11 de junho sinalizando o início de um novo episódio de El Niño. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode influenciar os padrões de temperatura e chuva em diversas regiões do planeta. Os impactos mais conhecidos em relação às precipitações, são de chuvas acima da média no Sul e Centro-Sul do país e diminuição dos volumes de chuva/estiagem nas Regiões Norte e Nordeste do país.
Outro efeito típico de episódios de El Niño são temperaturas mais elevadas, que podem se traduzir em ondas de calor mais intensas e/ou duradouras, o que impactaria na saúde dos mais sensíveis, como portadores de cardiopatias, idosos, crianças e pets. Outra consequência danosa desse quadro de temperaturas acima da média é a propagação de queimadas e incêndios, que já atingem seu auge no Brasil Central e sul da Amazônia nos meses de agosto e setembro. Por fim, ressalta-se que nenhum episódio de El Niño é igual a outro e que não se descarta que outras regiões também possam sofrer, de certa forma, algum efeito.
Clique aqui para ver com detalhes essa previsão probabilística do INPE elaborada em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME). A cada mês as três instituições publicam uma nota técnica com a previsão climática para os 3 meses seguintes.

- A previsão climática indica maior probabilidade da chuva acima da faixa normal nas áreas em azul no mapa, no centro sul do AM, no AP, na parte central de MT e no RS. Nas áreas em amarelo (setor norte da Região Norte e grande parte da Região Nordeste do país), há maior chance de chuvas abaixo da faixa normal. Nas áreas em branco, há iguais chances de ocorrência de chuvas dentro, acima ou abaixo da faixa normal climatológica. Foto: INPE.
Mais detalhes sobre o inverno
O que é o solstício?
Antigos astrônomos observaram que, ao acompanhar o movimento do Sol no céu ao longo dos dias, sua posição ao meio-dia se deslocava gradualmente até alcançar um ponto extremo, onde parecia não mudar por um tempo, como se estivesse "parado". Esse comportamento acontece duas vezes por ano: uma durante o solstício de verão e outra no solstício de inverno.
"As estações do ano acontecem devido à inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao seu plano de órbita e também devido à sua translação em torno do Sol. O início das estações do ano está associado aos solstícios (inverno e verão) e aos equinócios (outono e primavera)", explica a Dra. Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional.
Então, no próximo domingo ocorrerá o solstício de inverno no hemisfério sul e o solstício de verão no hemisfério norte. Este evento marca a transição das estações e traz consigo mudanças significativas na duração dos dias e das noites.
Observação do 'sol parado'
Conforme explicou a Dra. Josina, uma forma interessante de observar o "sol parado" é notar onde o Sol nasce e se põe a cada dia. Nos equinócios, o Sol nasce exatamente no ponto cardeal leste e se põe no ponto cardeal oeste. Após essas datas, o Sol passa a nascer cada dia mais afastado do ponto cardeal leste e passa a se pôr cada dia mais afastado do ponto cardeal oeste. Nos solstícios, o Sol atinge seu afastamento máximo e começa a "voltar", nascendo cada dia mais na direção do ponto cardeal leste e se pondo cada dia mais na direção do ponto cardeal oeste.
É fundamental ter em mente que jamais se deve olhar diretamente para o Sol, já que isso pode provocar danos graves e permanentes à visão. Para observá-lo com segurança, é necessário utilizar filtros solares adequados, instrumentos como telescópios próprios para esse fim ou recorrer a técnicas de observação indireta.
Variação na duração dos dias e noites
A chegada do inverno afeta diretamente a duração dos dias e das noites. Nos equinócios, o tempo de luz do dia e o de escuridão são praticamente iguais. A partir do equinócio de outono, os dias passam a encurtar gradualmente, culminando no solstício de inverno, momento em que ocorre a noite mais longa do ano. Depois disso, os dias começam a se alongar novamente, aproximando-se de um novo equilíbrio no equinócio de primavera. Após a primavera as noites vão ficando mais curtas e os dias mais longos, até que no solstício de verão acontece o maior dia do ano e a menor noite.
"Esse fenômeno é mais acentuado quanto mais afastado do equador terrestre o observador se encontra. Quem está perto do equador terrestre, não percebe diferença no comprimento dos dias. Quanto maior a latitude, mais se percebe essa diferença, chegando ao máximo nos polos, onde o sol não nasce no inverno e não se põe no verão", esclareceu Josina.