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Conferência no Observatório Nacional recolhe sugestões para a 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
O Observatório Nacional (ON/MCTI) realizou em 19 de maio de 2026, em sua sede no Rio de Janeiro, a conferência “Observatório Nacional: inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável”. O evento, que teve transmissão ao vivo e participação presencial de servidores e alunos, teve como objetivo recolher sugestões para a 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O foco central do evento foi o Eixo 4 da 1ª Conferência Nacional dos ODS, que é “Inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável”.
O evento foi conduzido pela Dra. Josina Nascimento, gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP). A Dra. Josina contextualizou a Agenda 2030, os 17 objetivos globais da ONU e destacou a importância do 18º objetivo brasileiro, focado na promoção da igualdade étnico-racial e na eliminação do racismo. A gestora enfatizou que o propósito do encontro era demonstrar como os trabalhos técnicos do ON podem gerar soluções eficazes para desafios socioambientais, encaminhando sugestões práticas para o fórum nacional em Brasília. “Alguns de nossos pesquisadores vão trazer trabalhos que mostram como a inovação tecnológica pode ser uma ferramenta eficaz para gerar soluções que enfrentem os atuais desafios sociais e ambientais.”

- A Dra. Josina Nascimento, gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP), conduziu a conferência. Na abertura, ela contextualizou a Agenda 2030, os 17 objetivos globais da ONU e destacou a importância do 18º objetivo brasileiro. Foto: Vanessa Araújo/ON.
Em seguida, a Dra. Simone Daflon, gestora da Coordenação de Astronomia e Astrofísica (COAST), apontou a poluição luminosa como um problema ambiental, científico e social que ameaça a preservação do céu noturno, considerado um patrimônio natural e cultural da humanidade. A poluição luminosa está associada a alterações nos ecossistemas noturnos, ao desperdício de energia e a problemas de saúde, especialmente ligados ao sono e ao bem-estar. Outro ponto relevante é o impacto sobre a astronomia profissional, devido à perda de contraste do céu noturno. O avanço das constelações de satélites artificiais representa um novo desafio global para as observações astronômicas. “A preservação do céu tornou-se um desafio global que envolve tanto a Terra quanto o espaço, já que estamos sujeitos à poluição luminosa causada também pelas constelações de satélites artificiais”, declarou. Concluindo sua palestra, a gestora enfatizou que mais iluminação não significa necessariamente melhor iluminação e defende soluções sustentáveis baseadas em eficiência energética, planejamento urbano e preservação ambiental, alinhadas aos ODS da ONU.

- A Dra. Simone Daflon, gestora da Coordenação de Astronomia e Astrofísica (COAST), apontou a poluição luminosa como um problema ambiental, científico e social que ameaça a preservação do céu noturno, considerado um patrimônio natural e cultural da humanidade. Foto: Vanessa Araújo/ON.
Diante da apresentação da Dra. Simone, o diretor do ON, Dr. Jailson Alcaniz, apresentou uma das sugestões que serão incluídas em relatório a ser encaminhado à 1ª Conferência Nacional dos ODS. Em sua fala, destacou a importância de fortalecer a atuação do Focus Group, do Grupo de Amigos dos Céus Escuros e Silenciosos para a Ciência e a Sociedade, estimulando a construção de ações concretas em prol da preservação dos sítios astronômicos distribuídos pelo país. O diretor também ressaltou que o Observatório Nacional é representado na Comissão pelo pesquisador Dr. Mário De Prá.
A área de geofísica trouxe contribuições sobre novas fronteiras energéticas, começando pelo Dr. Emanuele La Terra. De modo remoto, o pesquisador da Coordenação de Geofísica do ON explicou o potencial do hidrogênio natural e da tecnologia de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS). O Dr. Emanuele destacou que, diferentemente do hidrogênio verde, o hidrogênio natural é gerado por processos geológicos profundos sem interferência humana, e que o CCS é uma ferramenta vital para descarbonizar indústrias de difícil transição, como as de cimento e siderurgia. “O futuro sustentado não depende só de uma única solução, mas de uma integração entre ciência, inovação tecnológica e responsabilidade ambiental”, afirmou o Dr. Emanuele.

- De modo remoto, o Dr. Emanuele La Terra, pesquisador da Coordenação de Geofísica do ON, explicou o potencial do hidrogênio natural e da tecnologia de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS). Foto: YouTube/ON.
Complementando o tema energético, o Dr. Fábio Vieira, gestor da Coordenação de Geofísica do ON, abordou a energia geotérmica como uma fonte renovável contínua, capaz de operar 24 horas por dia. Durante sua apresentação, destacou o desenvolvimento de uma instrumentação nacional automatizada, criada no ON com tecnologia de impressão 3D, que permite mapear o potencial térmico do subsolo brasileiro com alternativas significativamente mais econômicas em comparação às tecnologias disponíveis no mercado internacional. Ressaltou ainda que o uso da energia geotérmica possibilita a destinação de recursos para outras finalidades estratégicas em pesquisa e desenvolvimento. “A integração entre energia geotérmica e instrumentação tecnológica representa um caminho promissor para soluções energéticas mais sustentáveis, eficientes e acessíveis”, afirmou.

- O Dr. Fábio Vieira, gestor da Coordenação de Geofísica do ON, abordou a energia geotérmica como uma fonte renovável contínua, capaz de operar 24 horas por dia. Foto: Vanessa Araújo/ON.
A aplicação da ciência para mitigação de impactos dos resíduos de rochas (cascalhos) provenientes da perfuração de poços da grande área de óleo e gás foi detalhada pelo tecnologista Dr. Giovanni Stael, responsável pelo Laboratório de Pesquisa em Energia e Tecnologia de Recursos Naturais do ON. Essa pesquisa inédita no Brasil, desenvolvida em parceria com a Petrobras, propõe reinjetar resíduos contaminados em poços depletados em subsuperfície, utilizando modelagem por inteligência artificial para evitar a contaminação de lençóis freáticos e minimizar os riscos socioambientais na superfície. “É um projeto de suma importância para o Brasil e para a Petrobras. Busca mitigar impactos ambientais em superfície através de soluções integradas de geomecânica, geoquímica e petrofísica em subsuperfície”, explicou.

- A aplicação da ciência para mitigação de impactos dos resíduos de rochas (cascalhos) provenientes da perfuração de poços da grande área de óleo e gás foi detalhada pelo tecnologista Dr. Giovanni Stael, responsável pelo Laboratório de Pesquisa em Energia e Tecnologia de Recursos Naturais do ON. Foto: Vanessa Araújo/ON.
Por fim, o tecnologista Dr. André Wiermann, representando o projeto do Laboratório de Sensores Magnéticos (LDSM/ON), discutiu a modernização da rede geomagnética brasileira por meio de estações magnéticas fixas automatizadas, atualmente sob responsabilidade do Dr. José Alejandro Moreno Alfonzo. Ele destacou a necessidade de soberania tecnológica no desenvolvimento de sensores “fluxgate”, essenciais para monitorar a Anomalia do Atlântico Sul e proteger tecnologias de satélites e navegação, reduzindo a dependência de materiais controlados por potências estrangeiras e diminuindo a pegada de carbono operacional das missões de campo do ON. “Nós temos que ter essa independência e temos que ser sustentáveis no ponto de vista de não dependermos de uma cadeia de produção ligada à geopolítica ou fatores econômicos externos”, disse o Dr. André.

- O tecnologista Dr. André Wiermann, representando o projeto do Laboratório de Sensores Magnéticos (LDSM/ON), discutiu a modernização da rede geomagnética brasileira por meio de estações magnéticas fixas automatizadas, atualmente sob responsabilidade do Dr. José Alejandro Moreno Alfonzo. Foto: Vanessa Araújo/ON.