MULHERES E CLIMA

Da COP30 aos territórios: plenária na Caatinga debate caminhos para a justiça climática com igualdade de gênero

Encontro em Caruaru (PE) reuniu movimentos sociais, juventudes, organizações populares e representantes do poder público para construção de propostas voltadas aos territórios

Publicado em 29/05/2026 12:45
Compartilhe:
Plenária com mulheres e juventudes em um espaço interno. No palco, uma mesa longa coberta com toalha vermelha e tecido floral reúne oito pessoas sentadas, enquanto uma mulher ao centro, em pé, fala ao microfone. Ao fundo, um banner com o título “Plenárias das Mulheres e Juventudes dos Biomas” e logotipos institucionais. Elementos decorativos como cestos de palha e flores girassóis estão distribuídos sobre a mesa. À frente do palco, o público — majoritariamente feminino — assiste sentado. À direita, uma pessoa registra o momento com o celular. O ambiente é bem iluminado e organizado para um evento de debate ou escuta coletiva.

A cidade de Caruaru (PE) recebeu, na quarta-feira (27), a Plenária Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP30 – Etapa Caatinga. Promovida pelo Ministério das Mulheres em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, por meio da Secretaria Nacional de Juventude, a atividade reuniu mulheres, jovens, movimentos sociais, representantes de comunidades tradicionais e gestores públicos para debater os impactos da crise climática nos territórios e construir propostas voltadas à justiça climática, igualdade de gênero e participação social.

Realizado no Centro de Formação Paulo Freire, no Assentamento Normandia, o encontro integrou a série nacional de plenárias promovidas nos seis biomas brasileiros como parte da agenda de mobilização pós-COP30. A iniciativa conta ainda com apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e da Campeã de Juventude da COP30 (Presidency Youth Climate Champion - PYCC, em inglês).

Durante a abertura, representantes do governo federal e da sociedade civil destacaram a importância da escuta territorial e da construção coletiva de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades agravadas pela crise climática.

A representante da PYCC, Mikaelle Farias, ressaltou que o processo de participação das juventudes nos debates climáticos precisa ser permanente e acessível. Ela lembrou que Caruaru já havia sediado uma etapa preparatória antes da COP30 e destacou a importância de fortalecer a presença das juventudes dos biomas nas discussões internacionais sobre clima.

“Esse é um processo contínuo. A COP acontece todos os anos e a gente precisa cada vez mais fomentar esses espaços com as nossas realidades territoriais, pensando políticas públicas que dialoguem com as juventudes e com os impactos da crise climática nos nossos cotidianos”, afirmou.

A secretária nacional de Juventude, Vitória Genuíno, destacou a retomada da participação social no governo federal e a necessidade de aproximar as políticas públicas das realidades vividas nos territórios.

“Não dá para construir política pública sem estar nos territórios e ouvir quem vive os impactos da crise climática. É com o povo e nas ruas que a gente constrói participação social e respostas concretas para os desafios que atingem as juventudes e as mulheres”, declarou.

ontagem com três cenas de uma plenária. À esquerda, em destaque, uma mulher jovem de cabelos cachead

Representando o Ministério das Mulheres, a assessora da Secretaria Executiva Laís Rezende ressaltou que as plenárias buscam fortalecer uma agenda permanente de justiça climática articulada entre governo federal, estados, municípios e sociedade civil.

“A crise climática afeta as pessoas de forma desigual e atinge principalmente mulheres, população negra, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Por isso, as políticas públicas precisam considerar essas desigualdades para construir respostas efetivas”, afirmou.

Ela também destacou que o ciclo de plenárias resultará em um documento-síntese com diagnósticos, propostas e prioridades apontadas pelos territórios, que será apresentado ao governo federal e às organizações participantes.

Durante o painel “Território, justiça climática e desigualdades”, a liderança quilombola Hellen Belfort, que compõe a União das Associações de Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Município de Itapecuru Mirim/Maranhão (Uniquita), chamou atenção para os impactos dos grandes empreendimentos sobre comunidades tradicionais e denunciou os efeitos da contaminação ambiental provocada pelo uso de agrotóxicos.

“Nós, mulheres negras, quilombolas, indígenas e periféricas, estamos pedindo socorro. Os nossos territórios estão sendo devastados e o nosso povo está adoecendo. Precisamos de políticas públicas que cheguem na ponta e garantam dignidade para os nossos povos”, afirmou Hellen, que também compõe a Articulação Nacional Mulheres e Clima.

Grupos de Trabalho

Ao longo do dia, os participantes se dividiram em quatro grupos de trabalho: “Impactos da crise climática no bioma”; “Papel do bioma na dinâmica climática e suas conexões”; “Prioridades políticas, articulação, governança e financiamento climático”; e “Boas práticas territoriais em emergências climáticas e desastres com foco em gênero”.

Grupo de oito pessoas posa junto em frente ao banner “Mulheres e Juventudes nos Biomas – Pós-COP30”.
Painel “Território, justiça climática e desigualdades” durante a Plenária Mulheres e Juventudes no bioma Caatinga

Com mediação da assessora Laís Rezende e da consultora do UNFPA, Nathalia Vince, a participantes do grupo voltado às questões de gênero destacaram que as mulheres estão entre as populações mais impactadas pelos desastres climáticos e reforçaram a necessidade de garantir moradia digna, segurança alimentar, acesso à água e fortalecimento de políticas públicas permanentes.

Entre os encaminhamentos debatidos, estiveram a defesa de políticas públicas permanentes, ações de reflorestamento, fortalecimento da agroecologia, incentivo à economia solidária e ampliação de políticas voltadas às mulheres e juventudes nos territórios urbanos e rurais.

“O Brasil é uma das maiores economias do mundo, mas muitas mulheres ainda não têm acesso à moradia digna e qualidade de vida. As mulheres precisam de apoio, gestão e políticas públicas permanentes para garantir direitos e futuro para as próximas gerações”, apontou uma das representantes do grupo durante a plenária de síntese.

Cronograma nacional

O ciclo nacional das plenárias já passou pelos biomas Mata Atlântica, no Rio de Janeiro (RJ), Pantanal, em Campo Grande (MS) e Amazônia, em Belém (PA). Os próximos encontros ocorrerão no Pampa, em Porto Alegre (RS), e no Cerrado, em Brasília (DF).

Categorias
Meio Ambiente e Clima
Compartilhe: