Ministério das Mulheres participa de plenária no Pantanal para debater crise climática e políticas públicas com mulheres e jovens
Encontro em Campo Grande (MS) integra agenda nacional pós-COP30 e fortalece construção de soluções a partir dos territórios

O Ministério das Mulheres participou, na terça-feira (5/5), da Plenária das Mulheres e Juventudes nos Biomas pós-COP30 – Pantanal, realizada em Campo Grande (MS). O encontro integra a agenda nacional de mobilização em torno da justiça climática, da igualdade de gênero e do protagonismo juvenil, com foco na construção de soluções a partir das realidades territoriais.
Promovida pelo Ministério das Mulheres, em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República (SGP-PR), por meio da Secretaria Nacional de Juventude, a iniciativa dá continuidade ao ciclo de diálogos iniciado após a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA).
A plenária reuniu cerca de 200 participantes, entre lideranças locais, movimentos de mulheres e de jovens, pesquisadoras e pesquisadores, além de representantes dos governos municipal, estadual e federal.
Ao longo do encontro, foram debatidos os impactos da crise climática no Pantanal, com ênfase nas desigualdades que afetam diferentes grupos sociais, especialmente mulheres e jovens. Nos últimos anos, o bioma tem enfrentado eventos extremos, como secas prolongadas, queimadas recorrentes, escassez hídrica e perda de biodiversidade, com efeitos diretos sobre comunidades locais e modos de vida tradicionais.
Responsabilidade compartilhada
Representando o Ministério das Mulheres, a coordenadora-geral de Participação Social e Ações Climáticas, Ana Lúcia Pinto, destacou a importância da atuação articulada entre os entes federativos e da escuta dos territórios. “A responsabilidade é compartilhada entre os entes federativos, e as políticas públicas precisam incorporar a perspectiva de gênero para garantir a vida das mulheres, a partir das realidades locais”, afirmou.
Escuta e construção coletiva de propostas
A plenária integrou a estratégia nacional ao promover um espaço de escuta, articulação e formulação de propostas voltadas à justiça climática e à transição ecológica justa. A iniciativa parte do entendimento de que os efeitos das mudanças climáticas são desiguais e exigem respostas construídas com participação social.
A programação incluiu mesa de abertura político-institucional, painel temático sobre território, justiça climática e desigualdades, atividade cultural, grupos de trabalho e plenária final com a síntese dos debates. Nos grupos, os participantes discutiram prioridades, desafios e caminhos para enfrentar as desigualdades climáticas no bioma, com base em suas experiências e contextos locais.
Para a jovem ativista Marcele Oliveira, 26 anos, ampliar a conscientização sobre justiça climática é fundamental para a construção de um futuro mais inclusivo. “É preciso entender que a qualidade do ar que respiramos e da nossa vida precisa ser protegida para que também possamos cuidar das pessoas”, afirmou, ao destacar o impacto da crise climática sobre as mulheres.
Mobilização social ativa
As plenárias fazem parte de uma estratégia do Governo Federal para manter ativa a mobilização social iniciada na COP30 e aprofundar o diálogo nos territórios, conectando justiça climática, igualdade de gênero e protagonismo juvenil como eixos estruturantes das políticas públicas, especialmente em áreas mais impactadas pela emergência climática.
A ação também resulta da articulação construída ao longo de 2025, que levou à criação da Articulação Nacional Mulheres e Clima, voltada à integração da perspectiva de gênero na agenda climática.
Entre os resultados esperados estão a identificação de prioridades de cada bioma, o mapeamento de soluções e boas práticas e a produção de subsídios para a formulação de políticas públicas. Ao final do ciclo, será elaborado um documento nacional com a sistematização das contribuições dos territórios.
Próximas etapas
A plenária do Pantanal é a segunda realizada após a COP30. A primeira ocorreu em abril, no Rio de Janeiro (RJ), com foco na Mata Atlântica. As próximas edições estão previstas para Caruaru (PE), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF), contemplando os biomas Caatinga, Pampa e Cerrado.